Discutindo Política | por Heitor Henrique ~ Identidade 85 ::

quarta-feira, agosto 22, 2018

Discutindo Política | por Heitor Henrique



Constantemente ouvimos uma expressão muito utilizada pela maioria das pessoas: “Política não se discute”. E esta máxima acaba englobando outros campos em nossa sociedade, como: “Religião não se discute”, ou “Futebol não se discute”, entre outras formas de natureza semelhante.

Porém gostaria de mostrar, nesta primeira contribuição que faço ao blog, uma opinião diversa ao ditado popular apresentado anteriormente: “Política se discute, sim!”

Antes de entrarmos de fato na discussão aqui proposta, é necessário buscar uma definição do que vem a ser política. Cientistas políticos, sociólogos, historiadores e outros estudiosos do assunto, contemporâneos ou não, chegaram a um acordo de que a política é o exercício de poder de um indivíduo ou grupo sobre outro indivíduo ou grupo. Desde a Grécia antiga o famoso filósofo Aristóteles, em sua obra intitulada “Política”, dizia que “o homem é por natureza um animal político”. Portanto, uma discussão que já atravessa mais de vinte séculos.

A grande maioria das pessoas veem política apenas na esfera governamental, seja ela, municipal, estadual ou federal, não enxergando que a política cobre muito mais do que isso. Um filósofo e historiador francês chamado Michel Foucault dedicou sua carreira acadêmica aos estudos sobre o poder e sua atuação em esferas menores, chegando à conclusão que o exercício do poder está presente em diferentes camadas da nossa sociedade. A política está presente em escolas, hospitais, empresas e indústrias, famílias e igrejas, ou seja, em todos os espaços do nosso dia-a-dia. Sendo assim estamos constantemente condicionados a cenários que representam o uso do poder, ou sofremos a ação ou impomos a ação do poder ao próximo.

Desta forma, a política torna-se totalmente discutível, é através dela que podemos tentar chegar a respostas para problemas diários e organizar a sociedade de forma mais agradável. Somos responsáveis pelo nosso sistema político, de forma indireta, mas somos. Somos responsáveis pelos governantes que tomam as decisões pelos cidadãos que o mesmo representa. Somos responsáveis também por cobrar deles uma postura de acordo com a prometida em campanha. 

A busca por informações políticas e sua participação na vida pública por parte do cidadão brasileiro tem sido cada vez maior. Porém, com a mesma velocidade com que cresce essa participação, diminui sua a qualidade. A maioria das pessoas hoje possuem mais acesso ás informações políticas por conta do advento da tecnologia, principalmente no que tange aos meios digitais. Devido a isso compram discursos e mensagens prontas sobre seus candidatos, seja de orientação política de direita ou esquerda, sem se importarem com o verdadeiro perfil do mesmo e não percebendo assim que estes estão totalmente despreparados para uma vida pública satisfatória aos interesse populares. Essa perda de qualidade de informação tem gerado debates em redes sociais que pregam o ódio aos demais por posições políticas contrárias às suas, situação que não levam a lugar nenhum e não ajudam a resolver o problema do município, estado ou país.

Vivemos uma democracia, um sistema político surgido na Grécia Antiga há milênio atrás. Apesar das diferenças da democracia ateniense da Grécia Antiga e a nossa, atualmente é um sistema que possibilita a participação de todos e dá a liberdade de cada um ter a sua opinião. Não é um sistema político perfeito, e está longe disso, mas seu funcionamento estaria muito melhor se cada cidadão fizesse cumprir a sua participação numa escolha adequada de seus candidatos e na cobrança necessária a cada um deles em exercício.

2018 é um ano que está sendo e será lembrado pela copa do mundo de futebol, mas que também possa ser lembrado pela participação mais incisiva dos brasileiros na política, por que política se discute, sim!


HEITOR ESPERANÇA HENRIQUE: É formado em História pela Universidade Estadual de Maringá, possui Mestrado pela mesma instituição. Inicia o seu doutorado pela Universidade Federal do Paraná em fevereiro de 2018. Atualmente atua como professor no departamento de História da Fafiman.

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