Relembrando o Mundo e o Brasil na Segunda Guerra Mundial | por Heitor Henrique ~ Identidade 85 ::

quarta-feira, setembro 05, 2018

Relembrando o Mundo e o Brasil na Segunda Guerra Mundial | por Heitor Henrique




Nesse texto Heitor Henrique mudou um pouco de ares, relembrando dois temas que interessam a muita gente: o início da Segunda Guerra Mundial e a declaração de guerra do Brasil à Alemanha de Hitler.

Caro leitor, neste texto abordarei um tema diferente e de interesse geral. É um tema distante da política que venho debatendo anteriormente, porém continua atrelado a política e sua ação na representação do poder, mas em âmbito mundial, pois é resultados de atitudes de líderes do passado que influenciam a nossa sociedade até os dias atuais.

Nestes dias vivemos o aniversário de duas datas importantes para a história mundial e história do Brasil: no dia 1º de setembro completam-se 79 anos do início da Segunda Guerra Mundial, conflito que teve início em 1939 e durou até 1945; outra data importante ocorreu em 31 de agosto, quando completaram-se setenta e seis anos da declaração de guerra do Brasil à Alemanha de Hitler no mesmo conflito citado. Falarei na sequência um pouco sobre cada data. Respeitando a ordem cronológica, comentarei primeiro sobre a guerra em geral e depois a participação do Brasil.

A Segunda Guerra Mundial teve início em 1 de setembro de 1939 quando o exército alemão iniciou o ataque a Polônia, dentre as principais motivações para o início do conflito encontram-se o fim mal resolvido da Primeira Guerra Mundial e as penas impostas à Alemanha no Tratado de Versalhes e a ascensão de Hitler na Alemanha junto de sua expansão territorial e não obediência às penas impostas em Versalhes. O conflito antagonizou dois blocos: o Eixo composto por Alemanha, Itália e Japão e os Aliados, composto por Inglaterra, França, União Soviética e Estados Unidos.


O conflito teve início na Europa e tornou-se mundial com a entrada de Japão e Estados Unidos em 1941. Neste momento o conflito que parecia distante foi ficando cada vez mais próximo do Brasil. Os Estados Unidos já ajudavam o esforço de guerra aliado antes da entrada formal na guerra e a partir de então tentou angariar o apoio de todo o hemisfério americano na guerra.

O presidente do Brasil na época Getúlio Vargas, que comercializava com Alemanha e Estados Unidos foi se aproximando cada vez mais aos americanos e cortando relações comerciais e diplomáticas com os alemães. Esta atitude causou como represália alemã o ataque de submarinos às embarcações mercantes brasileiras no Oceano Atlântico, o que resultou em mais de seiscentas mortes de brasileiros inocentes e que nada tinham com a guerra.

Diante disso o Brasil firma uma aliança militar com os Estados Unidos e declara guerra à Alemanha em 31 de agosto de 1942. Nesta aliança Vargas buscava alcançar alguns objetivos para o desenvolvimento do Brasil: a construção de um complexo industrial no rio de Janeiro, fortalecimento e evolução dos materiais bélicos das Forças Armadas, posição de hegemonia na América do Sul e uma maior participação nas decisões mundiais no pós-guerra. Para isso cedeu aos americanos bases aéreas no Norte e Nordeste brasileiros e enviou duas unidades para lutar ao lado dos Aliados em local ainda a ser definido.


Ficou acertado após negociações com os Estados Unidos o envio de duas unidades militares por parte do Brasil. Uma unidade terrestre chamada de FEB (Força Expedicionária Brasileira) com aproximadamente vinte e cinco mil homens e uma unidade aérea denominada FAB (Força Aérea Brasileira) com aproximadamente quinhentas pessoas, sendo cinquenta pilotos e quatrocentos e cinquenta mecânicos e apoiadores para fazer decolar os caças. Ambas lutariam na Itália, cenário de importância secundária para o resultado da guerra, seriam esquadrões de forças americanas maiores, e também treinadas, abastecidas e municiadas pelos Estados Unidos.

Os combatentes brasileiros, tanto do chão quanto do ar só chegaram na Itália no segundo semestre de 1944, quando a guerra já estava resolvida e a derrota de Hitler era apenas questão de tempo. Os números e a participação brasileira foram pequenos, enviou vinte e cinco mil homens, enquanto a União Soviética sozinha perdeu mais de vinte milhões de pessoas para vencer Hitler. Enviou aproximadamente cinquenta pilotos enquanto a batalha aérea entre a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) e a Royal Air Force (Força Aérea Real) inglesa envolveu mais de mil aviões de cada lado.

Em quantidade a participação brasileira foi pequena, mas totalmente inversa em questão de qualidade. A FEB ajudou a render uma unidade alemã inteira e a fez prisioneira, a FAB recebeu uma medalha estadunidense que só é concedida a unidades dos Estados Unidos, a medalha chama-se Presidential Unit Citation, a única outra ocasião em que foi entregue, foi para a RAF inglesa. Os superiores militares das unidades estadunidenses reconheceram sua bravura e a recompensaram. Até hoje se comemora na Itália todos os anos a vitória da FEB, coisa que não acontece aqui.

Acredito que relembrar essas datas é importante para poder valorizar as atitudes brasileiras em território internacional. Na maioria das vezes é atribuído ao Brasil sinônimo de chacota, e pelos próprios brasileiros, que sempre acham que o que é de fora é melhor, e acabam disseminando o famoso “complexo do vira-latas”.

Na Segunda Guerra Mundial o Brasil lutou contra um regime totalitário e sanguinário, sua participação é honrosa e digna de memória. Apesar de pequena, foi muito além do que se esperava. E é uma pena que essa página gloriosa de nossa história seja pouco visitada e pouco lida. Espero ter conseguido ajudar a manter viva as bravas ações dos nossos soldados e aviadores esquecidos.


HEITOR ESPERANÇA HENRIQUE: É formado em História pela Universidade Estadual de Maringá, possui Mestrado pela mesma instituição. Inicia o seu doutorado pela Universidade Federal do Paraná em fevereiro de 2018. Atualmente atua como professor no departamento de História da Fafiman.

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