A Arte de Excluir | guetos, favelas, periferias | José A. Fernandes ~ Identidade 85 ::

sexta-feira, outubro 09, 2020

A Arte de Excluir | guetos, favelas, periferias | José A. Fernandes

Isolar, excluir, segregar. Palavras cruéis, tristes constantes em um mundo com tantas desigualdades, preconceitos e maldades...



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Ao longo da história da humanidade.
Áreas periféricas e segregacionistas sempre existiram.
Alguns sem maiores consequências,
Como espaços de burgueses, áreas de comércio.
Outros mais desumanos,
Como bairros de pobres, negros e mestiços.
Áreas reservadas para judeus em alguns momentos,
Linhas de isolamento de palestinos, em outros.

Espaços de fuga,
Acampamentos transitórios,
Moradas mais ou menos permanentes.
Espaços geográfico, social, político e culturalmente demarcados. 
São eles subúrbios, ghetos, aldeias, favelas, campos de refugiados...

Por um motivo ou outro, separam maiorias e minorias, grupos dominantes ou dominados, 
castas, estamentos e classes diferentes.
Pessoas e grupos que moraram e moram em locais diferentes,
em espaços mais ou menos demarcados.
Um muro ou muralha, um rio, uma linha de trem...
Espaços visíveis ou invisíveis.
Mais ou menos vigiados.

Alguns se isolaram e se isolam voluntariamente.
Fogem de perseguições, dos males, do extermínio. 
Tantos outros não tiveram e não têm escolha.
É fugir e se isolar,
É respeitar as regras de exclusão,
ou sofrer as consequências.

Em alguns lugares criaram-se ao longo da história leis e demarcações 
Determinando espaços reservados para uns desejados, 
onde outros eram proibidos de sentar, 
de estudar,
de circular,
de serem vistos.

Nos Estados Unidos, até pouco tempo atrás, 
havia leis em muitos estados,
Separando negros e brancos.
Placas e sinais,
Pra serem vistos e respeitados.
As leis hoje não existem,
Mas o preconceito e as fronteiras raciais por lá continuam bem visíveis.

Na África do Sul, até o começo dos anos 1990,
Havia o Apartheid,
Um regime criminoso de segregação racial,
Leis criadas por brancos
de restrição dos direitos de negros,
isso num território originalmente negro!
Praticava-se o isolamento de negros em guetos.
Havia hora para circular,
Tipos de trabalho que poderiam exercer,
Punições se os negros desrespeitassem as regras.

No Brasil não há leis segregacionistas,
Pelo menos não declaradamente.
Mas, isolar pessoas sempre foi a solução mais fácil.
Libertaram os escravos, mas não criaram medidas de inclusão.
Preferiram trazer imigrantes europeus,
Num desejo insano de nos “branquear”.

Por aqui nunca buscaram diminuir desigualdades 
ou resolver os problemas sociais em suas raízes.
Buscaram antes remediar o que viam como ameaça,
À vista da elite ou dos turistas. 
Ameaça à “segurança pública”.
Subverteram o ditado: não procuraram prevenir.
Preferiram isolar negros, pobres e minorias.
Surgiram as famosas favelas, 
as comunidades suburbanas,
as periferias.

Em geral, no Brasil e no mundo,
quando o elemento é indesejado,
A classe no poder prefere isolar,
Cria correntes “científicas” que justifiquem,
Leis que deixem claras as regras a seguir.
E punições estabelecidas para quem desobedecer.

No fim,
Remediar, vigiar, punir, encarcerar,
É visto como melhor que prevenir, que dividir, que diminuir desigualdades.
A conclusão que podemos tirar disso? 
Que não há direitos iguais,
Não há igualdade perante a lei,
Não há respeito a dignidade humana.
O que há, isso sim, é a ideia e prática,
Visível ou invisível, da distância como regra. 

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