A Rússia nas duas Guerras Mundiais | José A. Fernandes ~ Identidade 85 ::

quinta-feira, abril 14, 2022

A Rússia nas duas Guerras Mundiais | José A. Fernandes

 


A Rússia mudou bastante ao longo das primeiras décadas do século XX, teve uma história intensa, o que tem a ver, além de outras coisas, com seu papel nas duas Guerras Mundiais, assunto dessa postagem. 


A Rússia teve uma história bastante movimentada no século XX, como sabemos, tanto política, como econômica e, claro, militarmente. Nesse cenário, as duas Guerras Mundiais tiveram destaque, mostrando momentos distintos da história russa - no primeiro conflito como Império e a partir de 1945 como União Soviética.


A Rússia começou o século tendo problemas de fronteira, se envolvendo em disputas e conflitos, como ocorreu na Guerra Russo-Japonesa de 1904-1905. Disputava-se naquele momento a Manchúria, Port Arthur (localizada na península de Liaodong) e a Coreia, tendo os russos perdido - o que enfraqueceu o império tzarista - e ajudou os japoneses a ganhar destaque no cenário mundial. Nesse conflito a Rússia já mostrava fraqueza militar, o que apareceria ainda claramente nas décadas seguintes.


Quando a Primeira Guerra Mundial começou, os russos eram peças chaves no tabuleiro europeu. Potência política importante (embora não economicamente), tinham se aliado à França e a Inglaterra, formando a Entente; tinham também intenções de "proteger" os pequenos países balcânicos, dominados então pelo Império Austro-Húngaro; além, claro, de terem pretensões territoriais. Esses três elementos levaram a Rússia à guerra, seja para defender a Sérvia, atacada depois do assassinato de Francisco Ferdinando, seja para honrar a aliança feita com a Entente e ajudar a França na guerra que foi se desenhando especialmente a partir de julho-agosto de 1914.


O território russo já era gigantesto, sua população idem, mas ainda se vivia em uma economia majoritariamente rural, atrasada. Atraso que seria visto em termos militares também. Apesar de seu tamanho e de ter conseguido alguns avanços em algumas batalhas ocorridas nos primeiros anos, as deficiências apareceriam com o tempo, mostrando soldados despreparados, desequipados, sem moral ou mesmo amotinados. A partir já de 1915, a Rússia perderia batalhas importantes na Frente Oriental, contra alemães e contra austro-húngaros. E a coisa só pioraria nos momentos seguintes, até o ano decisivo de 1917.


O movimento socialista e comunista teria papel importante nisso; já se mostrava em ação antes da guerra e durante ela se moveria a favor do antibelicismo - a luta para eles não deveria ser entre nações, mas sim contra a dominação de classes, contra os que dominavam a classe trabalhadora. Sob sua orientação seriam feitas greves, motins armados, deserções dos batalhões russos. Claro que tiveram a "benção" dos alemães que queriam se livrar de uma frente de batalha, tendo os alemães inclusive ajudado financeiramente os líderes do movimento, mas não foi só isso. O movimento que culminaria com a Revolução Comunista teve muitos motivos para acontecer, envolvendo o tratamento dado pelo império tzarista à população e a condição de exploração em que os trabalhadores viviam.


O certo que é que o ponto culminante para o Império Russo se deu em outubro de 1917, quando os comunistas tomaram o poder e tiraram o país da guerra. Logo em seguida, em março de 1918, liderados por Vladmir Lênin, eles assinaram o Tratado de Brest-Litovski com a Alemanha. Os termos foram duros para a Rússia (com perdas de territórios), mas aliviaram para os bolcheviques, que daí em diante teriam o trabalho de defender sua posição e manter a revolução. Isso porque nos anos seguintes à Primeira Guerra, os comunistas enfrentaram uma dura guerra civil (1918-1921), mas venceram e se fortaleceram. Em dezembro de 1922, seria então criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), conhecida comumente apenas como União Soviética, com poder central na Rússia, somada por mais países e territórios vizinhos.

Lênin, líder da Revolução Russa de 1917


O certo é que a União Soviética chegaria ao ano de início da Segunda Guerra Mundial, 1939, muito diferente do que era na Primeira Guerra. Já estava em processo acelerado de industrialização e já tinha se fortalecido militarmente. De qualquer forma, a URSS não entrou de início na guerra e isso se deu por causa de um acordo secreto com a Alemanha de Adolf Hitler (Tratado Molotov-Ribbentrop). Por meio dele os russos e alemães não se agrediriam, deixando os últimos de mãos livres pra combater a França e a Inglaterra.


Mas, Hitler não pretendia respeitar o tratado, apenas ganhar tempo para depois avançar sobre o território soviético. E foi o que fez, venceu a França (grande pretensão alemã), ganhou espaço na Europa e invadiu a URSS em 22 de junho de 1941, no que foi chamada de Operação Barbarossa. Os russos, evidentemente, responderam e entraram na guerra - paradoxalmente ou pragmaticamente - ao lado dos Aliados capitalistas.

Soldados alemães durante a Operação Barbarossa

A princípio, o Exército Vermelho ainda não estava tão preparado quanto Stálin e os dirigentes soviéticos gostariam, mas com o tempo mostrariam força e seriam decisivos para o desenrolar da Segunda Guerra - o que não tinham sido na Primeira. Sofreriam enormes baixas, veriam os alemães avançarem perigosamente, chegando aos subúrbios de Moscou em dezembro de 1941. Mas os soviéticos reverteriam a situação, tendo como ponto de destaque, entre outros, a Batalha de Stalingrado, entre agosto de 1942 e fevereiro de 1943. Batalha que representaria o início da derrota alemã e seu subsequente recuo. 

Cena do filme Stalingrado, a Batalha Final

As pretensões de Hitler de derrotar a URSS foram então frustradas. A partir de 1943 os alemães seriam cada vez mais pressionados e empurrados de volta, até a sua completa derrota já em 1945, em Berlim, quando os soviéticos entraram na capital alemã e astearam sua bandeira. 

Soviéticos hasteiam a bandeira em Berlim, vitória dos Aliados

O certo é que se na Primeira Guerra os russos se mostraram fracos e despreparados a maior parte do tempo, o que se somou a campanha anti-belicista e a Revolução Comunista de 1917, na Segunda Guerra mostrariam muito mais força, capacidade de resistência e depois capacidade de avanço, sendo fundamentais para a ação dos Aliados. Não é à toa que Stálin imporia muitas de suas pretensões territórias no pós-guerra, o que incluiria a Polônia e mais metade da Alamanha "pacificada", além do aumento das áreas de influência da URSS, o que dividiria o mundo de forma (mais ou menos) bi-polar no que ficou conhecido como Guerra Fria (que se extendeu, oficialmente, até 1991).


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