Identidade 85 ::: Chimarrão Glaucus Saraiva
Mostrando postagens com marcador Chimarrão Glaucus Saraiva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chimarrão Glaucus Saraiva. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, maio 14, 2020

Chimarrão - por Glaucus Saraiva




Publicado em 1949, no Jornal do Dia, do Rio Grande do Sul, esse poema perfilha tradicionalismos, pra louvar o chimarrão e a Revolução de 1935 farroupilha.

Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata!
Tens o perfume da mata
Molhado pelo sereno,
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão,
Traduz no meu chimarrão
Em sua simplicidade
Da gente do meu rincão!

Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística selvagem,
Do feiticeiro charrua;
O perfil da lança nua
Encravada na coxilha,
Apontando, firme, a trilha
Por onde rolou a história
Empoeirada de glória
Da tradição Farroupilha!

Em teus últimos arrancos,
No ronco do teu findar,
Ouço um potro corcovear
Na imensidão deste Pampa!
Reboando nos confins
A voz febril dos clarins
Repinicando: "Avançar!"
Então me fico a pensar
Apertando o lábio assim
Que o amargo que está no fim,
Que a seiva forte que eu sinto
É o sangue de 35
Que volta verde p'ra mim!!!

Jornal do Dia (RS), 4 de novembro de 1949, p. 5 (disponível no site da Biblioteca Nacional Digital).


Se gosta de mate, clique na imagem abaixo para adquirir uma infinidade de produtos relacionados!
 chimarrão acessórios

Clique aqui!

Compartilhar:

terça-feira, dezembro 17, 2019

VÍDEO: Breve História da Erva-Mate - do séc. XIX à década de 1930 | José A. Fernandes




A erva-mate foi muito importante na formação e desenvolvimento inicial de quatro estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso), foi um dos oito principais produtos de exportação brasileira e tem voltado nas últimas décadas a gerar interesse na sua produção, industrialização e comércio. 

Por isso fiz esse vídeo, que conta um pouco da história da erva-mate desde o século XIX até a década de 1930, momento em que já se acumulavam diversos problemas que levariam à criação de órgãos de classe e finalmente o Instituto Nacional do Mate em 1938.

 black friday amazon


Se estiver recebendo a mensagem pelo e-mail, clique aqui para assistir

-----


:: Ou se quiser, FAÇA UMA DOAÇÃO via Paypal: http://bit.ly/DoarJoseAF

Dica do Blog com desconto!

Clique aqui!

Compartilhar:

terça-feira, novembro 26, 2019

VÍDEO: O Instituto Nacional do Mate e a economia ervateira brasileira | José A. Fernandes [minha tese]




Aproveitando que terminei meu doutorado, compartilho com vocês essa palestra de setembro de 2019, parte do CONAMATE, onde falei sobre o tema principal da minha tese: o Instituto Nacional do Mate e a economia ervateira brasileira.


Assista:
Se estiver recebendo no e-mail e não conseguir ver o vídeo, clique aqui.


-----


:: Ou se quiser, FAÇA UMA DOAÇÃO via Paypal: http://bit.ly/DoarJoseAF


Dica do Blog com desconto!

Clique aqui!

Compartilhar:

terça-feira, julho 02, 2019

Os trabalhadores do mate: entre imagens reais e ideais | José A. Fernandes



Talvez você já tenha visto alguma propaganda positiva sobre determinado produto, que no fundo não condiz com a realidade dos seus trabalhadores. Esse foi o caso do mate por muito tempo, conforme poderemos observar em duas imagens icônicas nessa postagem.

Pare para observar as duas imagens seguintes: uma da década de 1940, idealizada, perfeitamente harmoniosa e outra, da realidade, nua e crua, de um trabalhador nos ervais do antigo sul de Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul), nas primeiras décadas do século XX.


Essa primeira imagem circulou em algumas edições do jornal O Campo, do Rio de Janeiro, na década de 1940. Trata-se da reprodução de uma tela de grandes proporções de F. Acquarone, pintada sob encomenda do Instituto Nacional do Mate (1938-1967), para decorar seu salão de honra na antiga capital do país.

Essa cena "típica dos ervais", pretendia mostrar a colheita do mate nos estados do sul do Brasil, revestindo-se, segundo a legenda da edição de março de 1943 do jornal mencionado, "às vezes, de aspectos inconfundíveis".



Só pelo fato de ter sido encomendada por uma instituição nacional, que esteve no controle da economia ervateira por 29 anos, já é por demais significativo. Essa autarquia federal sabia das condições reais dos trabalhadores do campo - no caso, os da erva-mate -, mas, como foi praxe durante muito tempo no Brasil, eles não receberam muita atenção dos órgãos federais, ao contrário do que ocorreu com os trabalhadores da cidade. O próprio Instituto do Mate pouco fala dos trabalhadores dos ervais, tratando em seus documentos apenas dos "produtores", que nem sempre eram os que realmente trabalhavam diretamente o mate. 


Mas, passemos para a próxima imagem. Nela se vê um trabalhador (provavelmente paraguaio ou indígena), carregando o famoso raído (fardo enorme de erva-mate) que transportava dos pontos de corte e sapecamento até os chamados barbacuás (onde ela era seca definitivamente). Ele carregava na cabeça, como o nosso modelo da foto, que fez exibição para pessoas importantes que visitavam a fazenda Campanário, sede da famosa Companhia Mate Laranjeira. 

Bom, alguém poderia dizer: "mas a primeira foto era do sul do Brasil, onde os colonos europeus chegaram, construíram de forma mais organizada e onde - também de forma organizada - trabalharam com as suas famílias. Não é a mesma coisa!". 

Devo então ser chato (só um pouco) com meus amigos do sul. É preciso que se saiba que os colonos europeus que chegaram ao Rio Grande do Sul, ao norte de Santa Catarina ou ao Paraná, aprenderam a trabalhar a erva-mate sim, mas logo que podiam contratavam os caboclos, antigos moradores da região, que já conheciam bem a planta, para fazerem o serviço nos ervais. Restava então aos colonos europeus organizar a extração e vender o mate. 

Claro que não foi esse o caso de todos os colonos do sul do país. Muitos deles também embrenharam-se na mata, por entre os pinheiros, correndo os riscos que a "selva trágica" dos ervais ofereciam. 

Mas (e esse é o último "mas"), quando falarmos de realidade dos ervais (incluindo a realidade da produção do nosso querido chá Matte Leão), devemos ter mais em mente a segunda imagem. Assim, faremos melhores honras aos que produziram e ajudaram a engrandecer a história do "ouro verde" do Brasil. 

Dica de livro:
Benedito Lima / Luize Surkamp
Clique aqui!

* Originalmente postado em 30/jan./2018.

Compartilhar:

quarta-feira, maio 09, 2018

VÍDEO: O Instituto Nacional do Mate e o aproveitamento da erva-mate brasileira [José A Fernandes]


No dia 5 de maio estive apresentado trabalho na Semana Acadêmica de História da FURB, de Blumenau-SC. Quem quiser dar uma olhada, segue o vídeo.

:: Resumo:

A erva-mate foi produto de grande importância na história dos três estados do Sul do Brasil e do antigo sul de Mato Grosso desde meados do século XIX até a década de 1960 do século XX. Nas primeiras décadas desse último século diversos problemas, sobretudo de mercado, de preços e de superprodução atingiam a economia ervateira. Tais problemas motivaram então a criação do Instituto Nacional do Mate (INM) em 1938, no início do Estado Novo de Getúlio Vargas. 

Essa autarquia é o objeto de nossa pesquisa de doutorado em andamento, onde estudamos sua trajetória e suas ações sobre a economia ervateira do Brasil até sua extinção em 1967. 

Nesse sentido, esta nossa apresentação toma um ponto especifico de mesma pesquisa, onde buscamos tratar e analisar as principais formas de aproveitamento da erva-mate que foram incentivadas pelo Instituto. Tomamos em consideração o que já existia em termos de produtos e subprodutos (chimarrão, tereré e, de forma incipiente, o chá) e procuramos entender o que de novo resultou dos estudos e das ações promovidos pelo mesmo durante o tempo em que existiu, seja o aproveitamento das substâncias extraídas (especialmente a cafeína do mate), seja a criação de subprodutos (especialmente o mate solúvel).

Caso esteja recebendo esse post por e-mail, clique aqui para assistir.

Conheça o nosso livro
 livro erva-mate e frentes pioneiras
José A. Fernandes
Clique aqui!

Compartilhar:

domingo, janeiro 28, 2018

Um poema ao chimarrão - por Glaucus Saraiva




Palmeio o velho porongo
derramo a erva com jeito
encosto a cuia no peito
batendo a erva prá um lado;
com os quatro dedos curvados
formo um topete bem feito.

Com um poquito de água morna
bem devagar despejado,
tenho o amargo ajeitado
que ponho a um canto pra inchar;
e espero a água esquentar
pitando o baio sovado.

A pava chiou no fogo.
Encho a cuia que promete;
a espuma se arremete
bem pra cima, borbulhando,
e acariciante, beijando,
branqueia todo o topete.

Agarro a bomba de prata,
tapo o bocal com o dedão,
calço o bojo bem no chão
da cuia e vou destapando
a bomba que vai chupando
um pouco de chimarrão.

Derramo outro pouco d'água
para aumentar o calor...
e o mate confortador
vou sorvendo em trago largo,
pois me saiu um amargo
despachado e roncador.


Se gosta de mate, clique na imagem abaixo para adquirir uma infinidade de produtos relacionados!
 chimarrão acessórios

Clique aqui!

Compartilhar:

terça-feira, dezembro 06, 2011

Chimarrão - Glaucus Saraiva


Amargo doce que eu sorvo


Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.


Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística beberagem,
Do feiticeiro charrua,
E o perfil da lança nua,
Encravada na coxilha,
Apontando firme a trilha,
Por onde rolou a história,
Empoeirada de glórias,
De tradição farroupilha.

Em teus últimos arrancos,
Ao ronco do teu findar,
Ouço um potro a corcovear,
Na imensidão deste pampa,
E em minha mente se estampa,
Reboando nos confins ,
A voz febril dos clarins,
Repinicando: "Avançar"!
E então eu fico a pensar,
Apertando o lábio, assim,
Que o amargo está no fim,
E a seiva forte que eu sinto,
É o sangue de trinta e cinco,
Que volta verde pra mim.



Glaucus Saraiva



Veja o autor declamando este poema







Fonte: Livro "Poesias", autoria de Apparicio Silva Rillo. Editora AGE. 1992.


Publicado por Roberto Cohen em 29/05/2001, gentileza de Fabiano Seyboth Mallmann e José Octavio de Azevedo Aragon.


Editado por Roberto Cohen em 06/01/2004.


Glaucus Saraiva
Capa do livro
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Humanos

Digite e tecle Enter para buscar!