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quarta-feira, maio 13, 2020

Especial Primeira Guerra Mundial




Começamos a partir dessa postagem um especial para falar sobre a Primeira Guerra Mundialum dos eventos (senão o evento) que mais marcaram a história do século XX, que levou Eric Hobsbawm a chamá-lo de a Era das Extremos. 

Ela foi chamada de Grande, mas ainda com toda sua grandeza não recebeu os mesmos "louros", a mesma quantidade de filmes e os mesmo número de monumentos memoriais que a sua sucessora, chamada de Segunda por sua causa. Apesar disso, motivados pelas proximidades de seu centésimo aniversário, alguns livros e produções cinematográficas vem surgindo, alimentando a imaginação histórica dos que gostam de saber sobre as Grandes Guerras do século próximo passado, como é o caso, por exemplo, dos filmes recentes Cavalo de Guerra e O Barão Vermelho.


 dvd barão vermelho
Capa do filme O Barão Vermelho (2008)

A Primeira Guerra Mundial tem o dia 28 de junho como marco de seu "início", quando ocorreu o assassinato de Francisco Ferdinando, o Arquiduque da Áustria e até então herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, Bósnia.

Sua morte foi uma "desculpa" para o início das hostilidades, tendo entre os mais importantes motivos as tendências imperialistas das grandes potências europeias, com suas indústrias desenvolvidas e sedentas por manter os seus recantos imperiais (na África e Ásia, sobretudo) e ainda por expandi-los, se possível. Às colônias cabia a função de compradoras das mercadorias europeias, sejam quais fossem elas, e fornecedoras de matérias primas, além das outras riquezas minerais. 

Soma-se às tendências imperialistas propriamente, a exacerbação dos nacionalismos europeus, usados para promover a adesão de suas populações à causa da guerra. Temos  nesse contexto o nacionalismo das populações que se encontravam dominadas pelo Império Austro-Húngaro ou pelo Império Russo, que ansiavam por suas independências (como é o caso da Bósnia em relação à Áustria-Hungria, local estopim dos primeiros conflitos). 

No conflito se alinharam países que eram inimigos clássicos, como Inglaterra e França. Na divisão das potências tivemos: a Tríplice Aliança, entre Alemanha, Áustria-Hungria e Itália, que muda de lado em 1915; e a Tríplice Entente, entre as citadas Inglaterra e França, mais o então Império Russo, do Czar Nicolau II, que sai em 1917 do conflito para fazer sua Revolução de Outubro, mais os Estados Unidos que entraria na Guerra só em 1917.



Pôster anuncia o filme Under Four Flags (Sob quatro bandeiras), que foi feito pela Divisão de Filmes do Comitê de Informações Públicas, um órgão do governo estabelecido nos Estados Unidos, mostrando a união entre Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Itália.

Ela começou com as potências envolvidas não imaginando conflitos tão longos e abrangentes. E no final, deixará uma triste marca na história da humanidade, com um saldo assustador de aproximadamente 9 milhões de soldados mortos e 20 milhões de feridos. Mas também a Grande Guerra abriu espaço para novas experiências, com a esperança lançada pelo Comunismo Russo - que se deu certo ou não, já é outra discussão. 



"A única estrada para os ingleses", cartaz inglês para o alistamento de soldados.

Bom, mas essas e outras informações vocês poderão acompanhar nos próximos fins de semana, onde teremos postagens especiais, terminando enfim no dia 28 de junho, data marco do início de tudo.

Sugestão de livro:

David Stevenson 
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* Imagem do topo: '''Description''': Trincheiras na Flandres na Primeira guerra mundial em La Lys, em 1918. 

** Com exceção da capa do filme O Barão Vermelho, as demais imagens foram extraídas do site www.wdl.org.

*** Originalmente postado em 31/maio/2014.

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sábado, outubro 25, 2014

Sobre Eric Hobsbawm




Lido por muitos, sendo por uns admirados e por outros execrado, Eric Hobsbawm (1917-2012) fez aniversário de morte no começo desse mês de outubro. Então, com o respeito que lhe é devido, segue essa postagem.

Ele é considerado por muitos como um dos maiores historiadores do século XX e não é por pouco e por acaso. Contava uma bagagem vastíssima (era um erudito como poucos), o que lhe possibilitava falar dos mais variados assuntos, relacionando-os na História de seu tempo, fazendo análises subjetivas sempre que lhe parecesse possível.

Tratou de camponeses, de trabalhadores, de bandidos, da decadente cultura erudita, do jazz norte-americano que apreciava, do socialismo que lhe afetou diretamente ao longo da vida; enfim, tratou dos humanos que faziam guerras, das quais esteve envolvido de uma forma ou de outra, passeando pelas Eras, tendo como ápice da sua análise aquela dos extremos, inserida no breve século XX.

Os tempos por vezes lhe pareciam interessantes, em outros momentos fraturados, ou mesmo cheios de pessoas extraordinárias. Os humanos eram sua fascinação, mesmo perdendo o otimismo em alguns momentos em que escrevia e reconhecia a decadência de ideias outrora consideradas inovadoras e também promissoras.

Por todos esses pontos, entre outros tantos, ele deve ser lembrado. 



Não escapa, claro, de críticas, como não deveria ser dado a ninguém o direito de escapar. Mas alguns parecem desejar-lhe o desprezo e os palavrórios ofensivos, como os que lhe proferiu certo colunista da revista Veja logo que foi anunciado seu falecimento, tendo recebido na época resposta por parte da ANPUH (Associação dos Professores de História).  

Conheci o autor Eric Hobsbawm nos tempos de graduação. Na verdade, na época o conhecia mais de falar do que de ler. Leituras mesmo comecei a fazer depois dessa fase, quando já estava no Mestrado, especialmente quando me foi necessário pensar a História Econômica e seus métodos, encontrando-o assim também nas discussões sobre a relação entre historiadores e economistas.

Como com qualquer outro autor (para não dizer ser humano), não vejo em Eric Hobsbawm um herói ou um guru da área em que atuo. Mas, aprendi a respeitá-lo pelo que representou para a História, ainda que não concorde com ele em tudo. Aprendi a apreciar o que ele escreveu, ainda que veja que a História vai muito além do seu estilo, cabendo uma multiplicidade "inDescarteável" (o neologismo é meu) de significados e formas.



Dependendo da linha que se siga na História, das formas de abordar o objeto histórico, a preferência recairá em outros aspectos, que não serão mais, como já fora em outros tempos, os da História Econômica. Nesse sentido far-se-á opção por outros autores que auxiliem nas pesquisas, como, por exemplo, o amigo de Hobsbawm e igualmente importante E. P. Thompson, que trilhou o caminho da História Social, com atenção para os aspectos culturais, a formação das classes sociais, entre outros temas nevrálgicos. Da mesma maneira que se terá variados e específicos autores quando se optar por História Política, Cultural ou outra qualquer.

O fato é que não se pode negar a importância de Eric Hobsbawm para a Historiografia do século XX. Dele se pode partir ou nele se pode chegar, fazendo críticas ou reconhecendo pontos em que nele se possa apoiar. Dependendo da visão política, por exemplo, pode-se e deve-se construir um diálogo do que deu ou não certo no movimento de esquerda ao longo desse tempo.

Por fim, quem segue o blog, diretamente ou através das redes sociais, deve ter notado o rosto de Hobsbawm em nosso banner. Isso se deve ao foto de respeitá-lo, como gostamos de respeitar tantos outros autores que de alguma forma nos falaram e contribuíram ao ofício de historiador.  



Obras publicadas em português (algumas seguem com link de onde podem adquirir)


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* A foto usada para a montagem no topo da postagem é de Karen Robinson, para o The Guardian. As demais imagens dessa postagem foram retiradas da internet, o que torna difícil a citação de seus autores. 


quarta-feira, maio 21, 2014

Copa no Brasil: democracia com defeito?




A ideia dessa postagem é refletir, especialmente as atitudes de grupos e pessoas que vem bradando ultimamente que "não vai ter Copa". Mais do que mostrar uma resposta a isso, a ideia é provocar; mais do que tomar partido, político ou de ocasião, a ideia é questionar o que pensamos e como usamos nosso telencéfalo!


Na democracia supõe-se que a decisão seja tomada em favor da vontade da maioria. O Brasil é um país que professa a democracia, ainda que com defeitos e diríamos tendenciosamente Neoliberal. Nesse sistema acredita-se que o povo tem poder de representação ou de escolher alguém que o represente. O voto nos é dado, ainda que ilusoriamente, para escolher "nosso futuro".

Ah, é outra coisa diferente, motivo que foi para outra postagem, se você não acredita em democracia ou tem sérias desconfianças em relação a sua eficácia.

Por um momento, apenas tenhamos em mente o que ela significa, ao menos teoricamente. Sendo assim, pergunte à maioria, faça uma pesquisa de opinião, sobre o que ela pensa sobre fazer a Copa do Mundo no Brasil. Feito isso, tente se lembrar da reação dos brasileiros (ou pelo menos uma grande parcela deles), às vezes a sua própria reação, quando foi anunciada a escolha do Brasil como sede.

Penso que devemos separar as duas coisas em questão: evento esportivo internacionalmente reconhecido x gastos astronomicamente descontrolados. Depois de fazer isso, tentemos uma síntese, algo como o que pensava Georg Hegel séculos atrás: tenhamos a tese do destaque dado ao Brasil através de um evento que um número maciço de brasileiros (entre eles, eu) apreciam; contraditemos essa tese pela antítese de que estamos (isso sim) descontentes com plus de gastos em estádios e a reduzida carga de money alocada em outras áreas fundamentais da nação (educação, saúde, etc...) - em outras palavras com a questão das faltas e das sobras

O resultado disso será nossa síntese afinal, que, se me permitem a utopia, seja uma síntese onde pensamos coletivamente, tendo em conta o que pensa a maioria, democraticamente, ainda que tenhamos convicção de que essa maioria não nos represente.

Por fim, e acho que seja o mais importante no momento, devemos pensar ou repensar a forma de fazer protestos e as ações tomadas em relação a isso: não adianta reclamar de gastos quebrando tudo! Depredar o que é tido como "público" não é ser mais justo. Não é uma boa resposta que devamos dar aos barões da Copa. Não creio que seja o caminho concertar quebrando, levando consigo o lema de que "Não vai ter Copa". Não estou dizendo que concordo com tudo, pois mesmo gostando de futebol, não me iludo! Mas, onde está o gigante nesse momento, depredando ou construindo? Ou será que o gigante se apequenou?

Reclamem sim, reclamem muito! Mas sejamos criativos, como vi alguém dizer por aí, na forma de fazermos nossas reclamações. Está na hora de aprendermos com a História, com H maiúsculo! O que aprendemos com o curto século XX? O que tiramos dessa tenebrosa Era dos Extremos? Nos vale de que sustentarmos visões políticas unilaterais e sistemas partidários, muitas vezes, falidos? Nos lembremos das duas guerras mundiais, uma delas já centenária! O que aprendemos sobre participação, manifestações, representação, corrupção, enfim... sobre seres humanos?

Se ainda assim, não concordarem com nada do que escrevi, ou das perguntas que deixei, sem problemas, mas segurem-se, não quebrem as vidraças do vizinho, recomecemos nosso diálogo.

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