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quarta-feira, agosto 29, 2018

Política e Futebol | por Heitor Henrique

  

Dando sequência aos meus textos aqui no blog, decidi desta vez falar sobre um fenômeno que cresce cada vez mais no Brasil, e também no mundo. Não se trata desta vez de avaliar o desempenho de algum político ou candidato a algum cargo representativo. Falarei da política vista como futebol.

É cada vez mais crescente ver cidadãos comprando a ideia de candidatos como se os mesmos fossem seu clube de futebol do coração, desta forma, o dito cidadão se comporta de maneira apaixonada e nada crítica diante de seu candidato ou político escolhido. Esta tornando-se comum isso, o eleitor aceita a proposta por ele mostrada sem nem mesmo questionar sua vigência e possível prática, apenas o aceita sabe-se lá por qual motivo. Vou chamar este cidadão de eleitor-torcedor

O eleitor-torcedor não questiona, não pensa, apenas segue, assim como torcedores fanáticos juntam-se à torcida do seu time, e junto dela vibra, se emociona ou se entristece com uma derrota. Este indivíduo também julga como um torcedor, se seu candidato é vencedor numa disputa é porque ele é superior aos demais, se por acaso perde, não se trata de ele não ter sido o escolhido pela maioria, mas sim por alguma artimanha criminosa do “time” adversário que não aceita perder.

Um dos perigos desta atitude apaixonada na política é a admiração cega como consequência. O eleitor-torcedor não consegue ver os erros e possíveis crimes que seu candidato escolhido possa ter cometido ou ainda irá cometer. Tudo não passa de uma estratégia maquiavélica da oposição.

Com este tipo de atitude surge também o inimigo político. O outro e seus seguidores não são mais vistos como adversários, mas como inimigos que devem ser derrotados. E toda essa rivalidade é cada vez mais alimentanda, principalmente na rede, podendo ter consequências trágicas, porque falta a esse eleitor-torcedor o respeito com o outro que pensa de maneira diferente da sua.

Este tipo de atitude do eleitor-torcedor acaba polarizando a política brasileira em dois campos opostos prontos pra se digladiar, e de forma totalmente equivocada cria-se a imagem do inimigo como o rico capitalista da direita pronto pra sugar sua força de trabalho ou como o perigoso comunista de esquerda que vai invadir e tomar suas propriedades. É bom lembrar que este cenário da Guerra Fria que opunha capitalismo e socialismo já acabou há quase trinta anos. Os tempos são outros, e com nuances cada vez mais complexas e difíceis de serem analisadas.

Portanto, com o texto de hoje gostaria de deixar bem claro a necessidade de separação entre a torcida cega ao clube de coração e o apoio dado a um candidato que se tenha escolhido votar. Nossa política nacional não é pautada numa fantasia ou devaneio de um ou outro mito que se diz surgir para salvar o Brasil, pelo contrário, é algo bem real, e só seremos bons eleitores e bons cidadãos se enxergarmos nossa política com interesse e seriedade, e não como um apaixonado torcedor de futebol. 


HEITOR ESPERANÇA HENRIQUE: É formado em História pela Universidade Estadual de Maringá, possui Mestrado pela mesma instituição. Inicia o seu doutorado pela Universidade Federal do Paraná em fevereiro de 2018. Atualmente atua como professor no departamento de História da Fafiman.

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quarta-feira, agosto 22, 2018

Discutindo Política | por Heitor Henrique



Constantemente ouvimos uma expressão muito utilizada pela maioria das pessoas: “Política não se discute”. E esta máxima acaba englobando outros campos em nossa sociedade, como: “Religião não se discute”, ou “Futebol não se discute”, entre outras formas de natureza semelhante.

Porém gostaria de mostrar, nesta primeira contribuição que faço ao blog, uma opinião diversa ao ditado popular apresentado anteriormente: “Política se discute, sim!”

Antes de entrarmos de fato na discussão aqui proposta, é necessário buscar uma definição do que vem a ser política. Cientistas políticos, sociólogos, historiadores e outros estudiosos do assunto, contemporâneos ou não, chegaram a um acordo de que a política é o exercício de poder de um indivíduo ou grupo sobre outro indivíduo ou grupo. Desde a Grécia antiga o famoso filósofo Aristóteles, em sua obra intitulada “Política”, dizia que “o homem é por natureza um animal político”. Portanto, uma discussão que já atravessa mais de vinte séculos.

A grande maioria das pessoas veem política apenas na esfera governamental, seja ela, municipal, estadual ou federal, não enxergando que a política cobre muito mais do que isso. Um filósofo e historiador francês chamado Michel Foucault dedicou sua carreira acadêmica aos estudos sobre o poder e sua atuação em esferas menores, chegando à conclusão que o exercício do poder está presente em diferentes camadas da nossa sociedade. A política está presente em escolas, hospitais, empresas e indústrias, famílias e igrejas, ou seja, em todos os espaços do nosso dia-a-dia. Sendo assim estamos constantemente condicionados a cenários que representam o uso do poder, ou sofremos a ação ou impomos a ação do poder ao próximo.

Desta forma, a política torna-se totalmente discutível, é através dela que podemos tentar chegar a respostas para problemas diários e organizar a sociedade de forma mais agradável. Somos responsáveis pelo nosso sistema político, de forma indireta, mas somos. Somos responsáveis pelos governantes que tomam as decisões pelos cidadãos que o mesmo representa. Somos responsáveis também por cobrar deles uma postura de acordo com a prometida em campanha. 

A busca por informações políticas e sua participação na vida pública por parte do cidadão brasileiro tem sido cada vez maior. Porém, com a mesma velocidade com que cresce essa participação, diminui sua a qualidade. A maioria das pessoas hoje possuem mais acesso ás informações políticas por conta do advento da tecnologia, principalmente no que tange aos meios digitais. Devido a isso compram discursos e mensagens prontas sobre seus candidatos, seja de orientação política de direita ou esquerda, sem se importarem com o verdadeiro perfil do mesmo e não percebendo assim que estes estão totalmente despreparados para uma vida pública satisfatória aos interesse populares. Essa perda de qualidade de informação tem gerado debates em redes sociais que pregam o ódio aos demais por posições políticas contrárias às suas, situação que não levam a lugar nenhum e não ajudam a resolver o problema do município, estado ou país.

Vivemos uma democracia, um sistema político surgido na Grécia Antiga há milênio atrás. Apesar das diferenças da democracia ateniense da Grécia Antiga e a nossa, atualmente é um sistema que possibilita a participação de todos e dá a liberdade de cada um ter a sua opinião. Não é um sistema político perfeito, e está longe disso, mas seu funcionamento estaria muito melhor se cada cidadão fizesse cumprir a sua participação numa escolha adequada de seus candidatos e na cobrança necessária a cada um deles em exercício.

2018 é um ano que está sendo e será lembrado pela copa do mundo de futebol, mas que também possa ser lembrado pela participação mais incisiva dos brasileiros na política, por que política se discute, sim!


HEITOR ESPERANÇA HENRIQUE: É formado em História pela Universidade Estadual de Maringá, possui Mestrado pela mesma instituição. Inicia o seu doutorado pela Universidade Federal do Paraná em fevereiro de 2018. Atualmente atua como professor no departamento de História da Fafiman.

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quarta-feira, maio 21, 2014

Copa no Brasil: democracia com defeito?




A ideia dessa postagem é refletir, especialmente as atitudes de grupos e pessoas que vem bradando ultimamente que "não vai ter Copa". Mais do que mostrar uma resposta a isso, a ideia é provocar; mais do que tomar partido, político ou de ocasião, a ideia é questionar o que pensamos e como usamos nosso telencéfalo!


Na democracia supõe-se que a decisão seja tomada em favor da vontade da maioria. O Brasil é um país que professa a democracia, ainda que com defeitos e diríamos tendenciosamente Neoliberal. Nesse sistema acredita-se que o povo tem poder de representação ou de escolher alguém que o represente. O voto nos é dado, ainda que ilusoriamente, para escolher "nosso futuro".

Ah, é outra coisa diferente, motivo que foi para outra postagem, se você não acredita em democracia ou tem sérias desconfianças em relação a sua eficácia.

Por um momento, apenas tenhamos em mente o que ela significa, ao menos teoricamente. Sendo assim, pergunte à maioria, faça uma pesquisa de opinião, sobre o que ela pensa sobre fazer a Copa do Mundo no Brasil. Feito isso, tente se lembrar da reação dos brasileiros (ou pelo menos uma grande parcela deles), às vezes a sua própria reação, quando foi anunciada a escolha do Brasil como sede.

Penso que devemos separar as duas coisas em questão: evento esportivo internacionalmente reconhecido x gastos astronomicamente descontrolados. Depois de fazer isso, tentemos uma síntese, algo como o que pensava Georg Hegel séculos atrás: tenhamos a tese do destaque dado ao Brasil através de um evento que um número maciço de brasileiros (entre eles, eu) apreciam; contraditemos essa tese pela antítese de que estamos (isso sim) descontentes com plus de gastos em estádios e a reduzida carga de money alocada em outras áreas fundamentais da nação (educação, saúde, etc...) - em outras palavras com a questão das faltas e das sobras

O resultado disso será nossa síntese afinal, que, se me permitem a utopia, seja uma síntese onde pensamos coletivamente, tendo em conta o que pensa a maioria, democraticamente, ainda que tenhamos convicção de que essa maioria não nos represente.

Por fim, e acho que seja o mais importante no momento, devemos pensar ou repensar a forma de fazer protestos e as ações tomadas em relação a isso: não adianta reclamar de gastos quebrando tudo! Depredar o que é tido como "público" não é ser mais justo. Não é uma boa resposta que devamos dar aos barões da Copa. Não creio que seja o caminho concertar quebrando, levando consigo o lema de que "Não vai ter Copa". Não estou dizendo que concordo com tudo, pois mesmo gostando de futebol, não me iludo! Mas, onde está o gigante nesse momento, depredando ou construindo? Ou será que o gigante se apequenou?

Reclamem sim, reclamem muito! Mas sejamos criativos, como vi alguém dizer por aí, na forma de fazermos nossas reclamações. Está na hora de aprendermos com a História, com H maiúsculo! O que aprendemos com o curto século XX? O que tiramos dessa tenebrosa Era dos Extremos? Nos vale de que sustentarmos visões políticas unilaterais e sistemas partidários, muitas vezes, falidos? Nos lembremos das duas guerras mundiais, uma delas já centenária! O que aprendemos sobre participação, manifestações, representação, corrupção, enfim... sobre seres humanos?

Se ainda assim, não concordarem com nada do que escrevi, ou das perguntas que deixei, sem problemas, mas segurem-se, não quebrem as vidraças do vizinho, recomecemos nosso diálogo.

sábado, junho 15, 2013

Manifestações no Brasil são vistas como vandalismo

Polícia Militar de SP (Veronica Manevy/CartaCapital).

Talvez eu não diga nada de novo em relação ao que vem acontecendo no Brasil nos últimos dias, contra tarifas e gastos exagerados, contra a truculência e a intolerância, contra o preconceito e os conceitos generalizantes, especialmente sobre São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Mas, pelo menos quero tentar...

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