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quarta-feira, junho 12, 2019

Sobre Preconceito | José A. Fernandes





O mundo vive tempos extremos, onde se fazem presentes novas ondas de xenofobia, algo que está em alta tanto na Europa e como no Brasil. Por isso, pensar sobre "preconceito" é preciso.

Essa é uma questão complicada e muitas vezes delicada, mas precisa ser pensada. Como em tudo na vida, ela traz mais questões do que respostas, mas precisamos ter algumas certezas, ainda que transitórias.

Muitos sabem, outros não, que os preconceitos não são inatos, ou seja, não nascemos COM as pessoas - assim como as imperfeições comportamentais da humanidade também não. Por isso, podemos pensar que eles não sejam parte de um conceito ou característica dados a priori, mas de algo construído socialmente, ainda que se sobreponha a fácil generalização, a pouca clareza da compreensão da diferença

O que podemos pensar é que não partimos do nada, não pegamos a informação sem nenhum amparo em experiências sociais anteriores, estando ligados diretamente ao grupo (ou grupos) ao qual fazemos parte. Não olhamos para algo que nos é "estranho" e criamos uma definição pejorativa como quem tem uma epifania, por isso mesmo sendo um "pré-conceito", buscando nos "desenhos" já prontos, nas nossas "experiências", elaborar a nossa visão sobre o que nos é apresentado.

Em sentido contrário, mas complementar, isso vai ao encontro do que nos disse Rousseau há séculos: "O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe". Isso tem muito de verdade, embora a "bagunça" do Ser Humano seja tão grande atualmente que isso acabe sendo deixado de lado, nos perdendo em definições generalizantes, longe das especificidades de que são compostas as diversidades. 

Muita gente, como em tempos não muito atrás o então relator 
questão da redução  da maioridade penal - tema que vai e volta aqui no Brasil -, o deputado Laerte Bessa (PR-DF), preferia defender que crianças com tendências criminosas "não fossem autorizadas a nascer", o que, traduzindo, queria (e pra muitos ainda quer) dizer que bandido nasce "bandido" e mocinho, nasce "mocinho" - pensamento que também não é nenhuma novidade, sendo antes resquício de tempos em que se buscava definir as "raças" e suas características peculiares. Nada mais falso, se levarmos em conta que o homem é um ser social e construído pelo e através do seu meio; não é um ser "natural", que já nasce "pronto", caracteristicamente definido.


Desenho eugênico, procurando demonstrar a diferença "original" entre as "raças"

Mas, ainda sobre isso, se pegarmos o caso da África do Sul e aplicarmos a fala do senhor Bessa, teríamos um preconceito às avessas, ou seja, os "brancos", ingleses sobretudo, seriam todos ruins (generalização), pois invadiram um espaço "negro" e aos negros impuseram uma realidade cruel e exploradora (essa parte é verdade), exemplo do Apartheid - o que poderia ser igualmente aplicado à Índia, aos países do Oriente Médio e lugares e momentos históricos ad infinitum. Mas, em relação especificamente à África do Sul, o que vimos, ao contrário de uma reação vingativa contra o outro invasor e malfeitor, o da "raça ruim", Nelson Mandela pediu que seus compatriotas negros esquecessem o que haviam passado - ele mesmo "esquecia" seus 27 anos de injusta prisão - e buscassem construir um país habitável tanto para negros como brancos, dando assim um nó no preconceito e não - falsa - ideia de raças diferentes.

O que isso nos mostra em relação ao preconceito, senão que quem usa a desculpa dos "defeitos inatos" ou a condenação original e imutável - como fazia um "nobre" deputado ao falar sobre os míticos filhos de Cã e sua maldição bíblica, coisa que não vale a pena rememorarmos por ora -, pega informações da sociedade em que está inserido e usa em favor de um grupo dominante, que, por sua vez, possui a visão moral hegemônica. 

Além disso, penso que os exemplos que vimos dando mostrem que, quando se age com preconceito, em parte se age como a criança - ou outra faixa etária qualquer que não "evoluiu" mentalmente - que quer atenção e por isso age de acordo com o grupo social. Mesmo que no fundo sinta que não pensa exatamente como ele, mas fica bloqueada, por vezes, pelo medo da rejeição, assim como rejeitam o que é diferente. Traduzindo, diríamos que o deputado Bessa, citado acima, é um "produto" do seu meio e dos anseios do mesmo. 


Mas, a outra parte da coisa nos leva a pensar na maneira como nos apropriamos disso e que, se admitimos algo parecido com "livre arbítrio", devemos imputar culpa aos que promovem práticas racistas - pautadas em preceitos religiosos ou não. Isso porque, muitos recriam os preconceitos recebidos e repassam em novas formas e com novos elementos, o que acaba perpetuando ideias crueis herdadas de uma forma "inovadora". 



Crianças "sortudas" que sobreviveram ao extermínio promovido pelos nazistas em Auschwitz

Foi assim quando fiz uma pesquisa com alguns adolescentes em Dourados, Mato Grosso do Sul, e muitos deles diziam que os índios do Brasil são todos "vagabundos", "bêbados" e "malandros". Muitos diziam isso mesmo sem nunca terem visto algum índio ou mesmo, se os viram, sem fazerem uma avaliação das informações preconcebidas que herdaram, inclusive de seus professores, tendo uma atitude irrefletida que poderá virar algum tipo de militância "fascista" - e tem virado mesmo, como pode ser facilmente notado por onde quer que olhemos. 

Em alguns casos ainda, ter preconceito acaba sendo uma resposta ao medo de ser visto como o diferente que lhe é apresentado e que rejeita (ex. lésbicas, gays, etc.), criando desculpas para manter distância ou mesmo perseguir o que lhe incomoda, como vemos ao longo dos últimos séculos em eventos e teorias, tais como: o "dia da raça"; as ideias do "darwinismo social", que foram muito influentes no Brasil de fins do século XIX e começo do XX; o "extermínio dos incapazes e desnecessários", exemplo especial do nazismo na Alemanha; a exclusão sistemática e mesmo legal dos desiguais, como fizeram - e ainda fazem - os seguidores de seitas como a Ku Klux Klan nos EUA; a luta contra os "invasores", que roubam empregos e afetam negativamente as economias locais, coisa muito atual em qualquer canto do mundo com um pouco mais de recursos, mas especialmente nos países desenvolvidos; etc, etc, etc..


Cena do filme "O Nascimento de uma Nação", de D.W Griffith, onde os membros da Ku Klux Klan aparecem como "mocinhos".

Claro que, muitos terão seus pontos de vista e discordarão de pontos que foram apontados nesse texto, mas isso faz parte quando se trata de refletir sobre si mesmo e sobre os outros. O que não pode acontecer é tomarmos o preconceito enquanto "verdade", o senso comum enquanto fonte de "conhecimento" e a "realidade" que nos interessa como se fosse universal. Precisamos entender o mundo como as diferenças que se complementam e que não devem se repelir, se excluir e se combater.

E se, enfim, voltando a Rousseau, a parte das pessoas que ainda tem algo de bom e quer ver uma humanidade mais justa e compreensível, mais "igual", precisa pensar mais, ler mais, refletir mais, criticar mais, e viver de forma menos conservadora e mais inclusiva. E, claro, torcer para a parte que já tem o "mau" como constância resolva olhar para o mundo com olhos diferentes - o que acho bem difícil -, ou ao menos seguir o "contrato social" que tanto pedem como civilizados que são.

Dica de livro:

 o espetáculo das raças livro
de Lilia Moritz Schwarcz 
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Antes de sair, assista ao nosso vídeo Intolerância! Clique aqui ou na imagem abaixo!



Sugestões de leitura:

- Jean-Jacques Rousseau - Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens.


- Jean-Jacques Rousseau - Do Contrato Social.


* Imagem do topo montada a partir de foto de um barco de pesca com 85 imigrantes que desembarcaram no porto de Los Cristianos, nas Ilha Canária de Tenerife, Espanha, em 2006. (Foto original de Arturo Rodriguez, AP).


** Postado originalmente em 6/set./2015.

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domingo, abril 28, 2019

Café Filosófico - Ética no cotidiano, com Mario Sérgio Cortella e Clóvis de Barros Filho



Se você é como eu que em algum momento da vida buscou valores tabulados, entre os melhores e os piores, pensou sobre ser livre ou não, esse vídeo será interessante. Mario Sérgio Cortella e Clóvis de Barros Filho falam sobre ÉTICA.



Dica de livro:
Não Se Desespere! Provocações Filosóficas 
Mário S. Cortella

 Livro Não Se Desespere Provocações Filosóficas

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* Originalmente postado em 29/abr/2015.

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terça-feira, janeiro 19, 2016

Devaneios - Xenofobia (VÍDEO)




O que é "xenofobia"? Com essa questão procuramos refletir o que o mundo vem fazendo em relação a isso, com ações que resultam por vezes de situações conjunturais, ligadas à  crises econômicas, políticas e sociais. Tivemos em mente aqui em alguns países do mundo, especialmente da Europa e os América do Norte.


Parte 01




Parte 02





Apresentação: José A. Fernandes e Gleison Collares
Filmagens: Cristine Dias
Edição: José A. Fernandes


Dica de livro:

 livro holocausto sobrevivente

De Nanette Blitz Konig
de R$ 37,91 por R$ 25,90!
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* Originalmente postado em 9/fev/2014.


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sexta-feira, abril 25, 2014

Devaneios: Ética no futebol (parte 02)



Seguindo com nossas discussões sobre futebol, damos sequência com tema "torcidas organizadas" e "racismo". Tomamos alguns exemplos para justificar os pontos de vista, como o ambiente dos estádios e o que resulta daquilo que acontece neles.

Terminamos com racismo. Entre outros personagens nacionais e internacionais (como Balotelli, Eto'o, etc.), temos o nosso Tinga, assunto dos últimos tempos, especialmente por suas declarações sobre racismo em jogos da Libertadores.


Apresentado por: Gleison Collares e José A. Fernandes
Filmado e editado por: José A. Fernandes


VEJA A PARTE 02




domingo, abril 20, 2014

Devaneios: Ética no futebol (parte 01)




O assunto da vez é FUTEBOL. Com três tópicos (racismo, torcida organizada e "o time que não sabe perder") discutimos o que é ser ético no esporte nacional brasileiro por excelência. 

Mais uma vez evocamos o Fluminense, junto com o inusitado Horizonte, de onde partimos para falar de times que nãos sabem perder, portanto, anti-éticos. 

Daí fomos para os estádios, dando atenção às torcidas organizadas, os focos dos "incêndios", dos confrontos, dos enfrentamentos.

Terminamos com racismo. Entre outros personagens, nacionais e internacionais, temos o nosso Tinga, assunto dos últimos tempos.


Apresentado por: Gleison Collares e José A. Fernandes
Filmado e editado por: José A. Fernandes


VEJA A PARTE 01

quarta-feira, abril 16, 2014

Resposta sobre os videos "Ética e moral"



Quem vem acompanhando os vídeos, às vezes perde uma parte do debate em torno do assunto. Por isso, gostaria de compartilhar um comentário feito no Linkedin (clique aqui para ver mais) e a minha resposta como segue:


DE Juan I. Koffler Anazco
Ortega y Gasset Brasil

Sem conhecer o inteiro teor dos vídeos seguintes, arrisco-me, em razão das duas partes ora apresentadas, a afirmar que o "papo" do professor José e convidados deverá seguir caminho ditado pela Secretaria de Educação de SC. Em assim sendo, já conheço a "linha de raciocínio" que esta cultua, privilegiando ideologias mais à esquerda, preponderantes no meio estudantil desde priscas eras, em toda América Latina e nos países subordinados à extinta URSS. Nada obstante, os acompanharei até para ratificar (ou retificar) meu pressuposto. 

Sobre o tema, "ética e moral", a questão suscitada advém de tempos imemoriais, embora nada tenha que ver com regras comportamentais, mas sim com a estrutura psicossocial falha do homem. Como já o defendi em minha tese de doutorado, nos idos de 1976, o homem é "um projeto mal-acabado" que traz uma herança genética deturpada. Destarte, aqueles que se insurgem contra essa herança, em realidade uma minoria, sofrem o embate perene com a maioria avassaladora e acabam sendo "calados" pela predominante alienação social. Isto é histórico e insofismável. 

Ética e moral são acordos sociais "ajustáveis" segundo o interesse dessa maioria, o que os reveste de certa-incerta "legitimidade", embora não resistam a qualquer raciocínio lógico coerentemente fundamentado. São, portanto, regras sociais impostas segundo certos valores vigentes nas sociedades humanas e nas respectivas épocas em que se os analisam. 


Vamos esperar para ver o que vem pela frente, ou seja, a sequência desses vídeos. Enquanto isso, louvo o esforço do professor José e convidados em, pelo menos comunicar-se com suas comunidades discentes.

MINHA RESPOSTA

Você se engana Juan... acho que deve ver o vídeo. Não me alinho à partidos ou à ideologia stalinista, mais especificamente. Pelo contrário, tenho minhas muitas críticas, mesmo tendendo à esquerda (seja lá o que ela represente hoje). Devemos entender que ESTOU como concursado na SED-SC, mas não SOU da mesma, afinal, me fechar em uma instituição seria sobremaneira engessante e limitador das minhas reflexões.

De qualquer forma, viu bem a intenção dos mesmos vídeos, quando disse que pretendo comunicar algo aos discentes, mas esperando a colaboração dos docentes. Afinal, por que não interagirmos, ao menos com as proles escolares que tem interesse em ouvir, aprender, mas também interagir.

O assunto não é ACABADO, mas temos que manter o debate. 


Se notar na introdução dos vídeos, fazemos questão de chamar a atenção para o fato de não termos a mesma visão política. Meu amigo de vídeos, o professor Gleison, é um cara que poderíamos chamar de "extrema direita". Mas isso não impede de termos pontos comuns e procurarmos um conhecimento sobre o tema.

segunda-feira, abril 14, 2014

Devaneios - Ética na política (parte 02)




Continua a nossa imersão pelo mundo da política, visto a partir da discussão do que se entende por "ética", temos a parte 02 de Ética na política, feito pelo professor Gleison e por mim. Não deixe de comentar!

E aguardem o próximo vídeo temático: a ética no futebol! 




sábado, abril 12, 2014

Devaneios - Ética na política (parte 01)





Como prometido, segue a nossa conversa sobre a ética na política. Aqui abordamos questões de extrema importância para entender o mundo em que vivemos, sobrando um espaço para incluir questões de estéticas.

Veja a primeira parte abaixo e não deixem de acompanhar e ver também a parte 02!




domingo, março 30, 2014

Devaneios - Ética e moral (parte 02): o dia a dia


  
Complementando o que dissemos na primeira parte, damos exemplos sucintos sobre a aplicação dos conceitos de ética e moral.

Já no primeiro vídeo temático falaremos sobre ética na política, aguardem! 


ACOMPANHEM OS PRÓXIMOS VÍDEOS!

sexta-feira, março 28, 2014

Devaneios - Ética e moral




Neste vídeo queremos mostrar um pouco de como podemos entender os conceitos de "ética" e "moral" originados da Filosofia, dividindo para isso nossas observações em três temas: futebol, política e música.

domingo, fevereiro 16, 2014

Devaneios - Xenofobia - filme "A lista de Schindler" (vídeo)



Neste vídeo, que segue as conversas sobre Xenofobia, falamos a respeito do filme A lista de Schindler (1993), do diretor Steven Spielberg. Ele conta a história de Oskar Schindler, um empresário alemão que salvou a vida de mais de mil judeus durante o Holocausto ao empregá-los em sua fábrica.



terça-feira, dezembro 24, 2013

Devaneios: Atlético no Mundial de Clubes (vídeo)



Um novo formato para os vídeos do canal, com a participação de Gleison Collares, comentando assuntos da atualidade, procurando ligá-los à História de maneira geral. 

Nesse primeiro vídeo, falamos da desastrosa participação do Atlético-MG no Mundial de Clubes, comparando com o caso do Internacional e a sua má lembrança do Mazembe.



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