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domingo, maio 17, 2020

Historiadores em Perfil: Alberto da Costa e Silva




Ele entende de África como poucos aqui no Brasil. É um dos grandes estudiosos da história e da cultura desse continente e de suas múltiplas relações com o nosso país!

Alberto Vasconcellos da Costa e Silva nasceu em São Paulo, em 1931, um dia antes das rememorações da libertação dos escravos em nosso país. Por coincidência ou não, se tornou um dos maiores, senão o maior africanista brasileiro.

Ele é filho de poeta e poeta se tornou também. Mas não se tornou apenas poeta: ele se tornou ainda historiador, além de cronista, ensaísta, memorialista e diplomata. Um personagem que desde a adolescência se apaixonou pela África e que fez dela uma de suas obsessões ao longo da vida.



Ele é um diplomata que se tornou historiador. Diplomado pelo Instituto Rio Branco, em 1957, ele serviu como secretário de embaixada, consul e embaixador em diversos países, tais como Portugal, Venezuela, Estados Unidos, Espanha, Itália, Nigéria e Benim. Esses dois últimos, atualmente países africanos, onde ele foi embaixador cumulativamente entre 1979 e 1983, correspondem a algumas das principais regiões de onde teriam vindo os escravizados para o Brasil no período colonial e imperial, e que pesaram na sua trajetória e escritos. Como ele mesmo disse "ter vivido alguns anos na África me fez confrontar o que eu via com o que eu lia e sabia".

Em seu longo e rico trajeto pessoal, Alberto da Costa e Silva se interessou por muitos temas envolvendo a cultura, do Brasil e da África, que foram usados em seus estudos históricos, poemas, ensaios, memórias e antologias. Nesse mesmo caminho que trilhou, ele se interessou profundamente pelo estudo das culturas e histórias dos povos africanos, entendidos por ele em sua multiplicidade e não apenas como "uma África só", coisa que não existe. Em termos de história, fez isso observando um longo período que vai da antiguidade até tempos mais recentes - como é o caso de seus livros Imagens da África: da Antiguidade ao Século XIXAs Relações Entre o Brasil e a África Negra, de 1822 a 1° Guerra Mundial.



Ainda agindo como historiador (mais não só), interessou-se desde muito tempo também pelas trocas culturais entre os que vinham do outro lado do "rio chamado Atlântico", "largo e comprido", e os que partiam das costas do Brasil rumo àquela região. Com muita razão ele sustenta que a cultura africana é um dos alicerces da cultura brasileira e o modo de vida do outro lado do Atlântico também foi influenciado pelo Brasil. Usos, costumes, linguagens, formas de trabalhos, plantas, comidas, trocas das mais diversas, voluntárias ou inevitáveis, que fizeram vir, além dos elementos culturais, a metalurgia, os coqueiros, os manguezais e os azeites de dendês e levaram daqui comidas, a mandioca, a cachaça, o fumo e por aí vai... Eis o rico material para livros tais como A Enxada e a Lança, A Manilha e o Libambo e Um Rio Chamado Atlântico.



Quando ele se dedicou a fazer uma biografia histórica, o tema de fundo era a escravidão, tendo como personagem principal Francisco Félix de Sousa, o famoso mercador de escravos do século XIX. Esse baiano que, tendo chegado à África sem um tostão, em pouco tempo tornou-se um poderoso chefe africano e um dos maiores traficantes de escravos. Nesse mesmo espaço das biografias, houve espaço para o livro Castro Alves, que, dessa vez, "não indo à África" mas se atendo ao "poeta da abolição", é um misto de perfil ensaístico e crítica literária, assim como um esforço para definir o lugar do mesmo poeta na literatura e na história nacional.

Alberto da Costa e Silva já foi amplamente condecorado e premiado. Recebeu, por exemplo, o Prêmio Luísa Cláudio de Souza, do Pen Club do Brasil, em 1978, pelo livro de poemas As linhas da mão; o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1997, pelo livro Ao lado de Vera; e em 2014, recebeu o Prêmio Camões pelo conjunto de sua obra. Em 2004 foi escolhido pela União Brasileira de Escritores (UBE) como o "Intelectual do Ano". Recebeu também diversas condecorações do governo de Portugal, onde foi embaixador de 1989 a 1992.



Alberto detêm a cadeira 9 da Academia Brasileira de Letras, desde julho de 2000 - cadeira que havia sido, entre outros, de Carlos Magalhães de Azeredo, um dos fundadores da ABL. Nesse associação, Alberto já foi presidente, entre 2002 e 2003. Atualmente, ele é, também, académico correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.

Por fim, vale dizer que é claro que ele não se dedicou exclusivamente às pesquisas históricas, não sendo ele um "historiador de tipo acadêmico" ou "de formação", como alguns podem objetar. Mas, isso não o torna menos importante, afinal, se não separa a cultura, as africanidades, a poesia, não faria ele como os respeitados velhos que espalhavam e ainda espalham histórias através da oralidade nos mais diversos cantos da Áfricas?



Bom, por enquanto é isso. Alberto da Costa e Silva segue ativo, com seus 89, participando de entrevistas e falando de África. Caso queira saber mais sobre ele, há o livro Três vezes Brasil, organizado por Lilia Schwarcz e Heloisa Starling. Assim como há também dezenas de entrevistas e palestras dele no YouTube ou em diversos meios midiáticos, além dos seus livros listados abaixo, claro. 

Os livros desse historiador:

Como poeta e outras ficções

O Parque e Outros Poemas (1953)

O Tecelão (1962)

Alberto da Costa e Silva Carda, Fia, Doba e Tece (1962)


As Linhas da Mão (1978)

A Roupa no Estendal, o Muro, os Pombos (1981)

Consoada (1993)







O Pardal na Janela

Como historiador e africanólogo


As Relações Entre o Brasil e a África Negra, de 1822 a 1° Guerra Mundial




Imagens da África: da Antiguidade ao Século XIX (organização e notas de Alberto da Costa e Silva, 2012)

A África (2016)


Como ensaísta

O Vício da África e Outros Vícios (1989)

Guimarães Rosa, poeta (1992)

Mestre Dezinho de Valença do Piauí (1999)

Castro Alves: um poeta sempre jovem (2006)

Como memorialista

Espelho do Príncipe (1994)


Como organizador de antologias e outras participações


A Nova Poesia Brasileira (1960)

Poesia Concreta, Lisboa (1962)

Da Costa e Silva (1997)

Poemas de Amor de Luís Vaz de Camões (1998)

Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea (1999, com Alexei Bueno)

Enciclopédia Internacional Focus (Lisboa, 1963-1968, dirigiu e foi o principal redator da parte brasileira)

Poesia Completa: Cecília Meireles (conta com uma apresentação de sua autoria)

Ensaios escolhidos – Augusto Meyer (conta com seleção e prefácio de sua autoria)

Machado de Assis - 1935/1958 (conta com prefácio de sua autoria)


Livro destaque desse autor:
 livro costa e silva
A enxada e a lança
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sábado, maio 09, 2020

Historiadores em Perfil: Mary del Priore




No Brasil poucas historiadoras tem tanto destaque quanto Mary Del Priore. A partir da perspectiva sócio-cultural, ela tem atuado ativamente na produção de livros nos mais diversos temas relacionados à história do Brasil.

Mary Lucy Murray Del Priore nasceu no Rio de Janeiro, em 1952. Historiadora de formação, doutorou-se em 1990 em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), com a tese Ao Sul do Corpo": Ação Feminina, Maternidades e Mentalidades no Brasil Colônia, que teve a orientação da professora Maria Luiza Marcílio. Depois disso, fez Pós-doutorado, em 1996, pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, França. 



Ela já lecionou nos Departamentos de História da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Universidade Salgado de Oliveira, também no Rio de Janeiro. É sócia titular do instituto Brasileiro do PEN Club do Brasil. Atualmente, leciona Pós-Graduação de História da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), em Niterói.

Tem se dedicado desde sempre às questões de História do Brasil, com destaque especial para o que está contido nos marcos dos períodos colonial e imperial, mas não só isso. Na realidade, partindo da perspectiva sócio-cultural da História, ela tem se dedicado a temas diversos. Isso tem ocorrido em relação às biografias históricas - como fez em relação à Condessa de Barral, Imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a Marquesa de Santos, Dona Maria a Louca, José Bonifácio... Mas ela também tem se dedicado a temas como famíliacrianças, mulheres, intimidade, corpo, amor, sexualidade, erotismo, sobrenatural, festas, as gentes do Brasil, o espaço rural e mesmo à guerra

Ela tem se dedicado às "pessoas de verdade", mas quando trata das biografias de nomes consagradas ao longo da nossa história, buscando desconstruir mitos e aproximar os leitores dessas figuras que foram importantes, mas nem sempre são o que pintam alguns admiradores. Enfim, ela tem se dedicado aos detalhes das práticas e dos costumes, sejam públicos ou sejam privados (por vezes os mais privados, da intimidade mesmo), tais como ações do dia a dia, em casa ou em ambientes de interação política.

Há quem diga que ela "não é tão boa assim, é uma favorecida por sua riqueza familiar" ou por seu "background". O que não é uma verdade, pois ela tem trazido importantes contribuições para a compreensão da história brasileira nos seus mais diversos aspectos, tais como os que citamos anteriormente. Tem contribuído também para dar visibilidade à História, que com ela tem aparecido nas primeiras filas de muitas estantes de livrarias físicas ou virtuais. Mesmo em alguns de seus livros que são de ficção, o pano de fundo são cenários e momentos históricos, exemplo de Beije-me Onde o Sol Não AlcançaA Viagem Proibida: nas Trilhas do Ouro



Ela tem colaborado em dezenas de jornais (especialmente com suas crônica n'O Estado de S. Paulo) e revistas nacionais e estrangeiros, científicos ou não. 

Seu trabalho já recebeu vários prêmios ao longo dos anos, tais como: Prêmio Fundação Biblioteca Nacional, em 2009, por Condessa de Barral; Prêmio APCA, em 2008, por O Príncipe Maldito; Prêmio Themis CCJF, em 2004; dois prêmios Casa Grande e Senzala, em 1998 e em 2000; Prêmio Personalidade Cultural do Ano, em 1998; Prêmio Manoel Bonfim, em 1998; Prêmio da União Brasileira de Escritores, em 1998; três Prêmios Jabuti, sendo a primeira vez em duas categorias, em 1998, e novamente em 2014, com O Castelo de Papel; e ainda o Prêmio do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Governo da França e da Organização dos Estados Americanos, em 1992. 

Ela possui uma produção vasta, tendo escrito, organizado ou colaborado em várias publicações, sempre inovando em seus temas e questionamentos, como seu último livro A História do Brasil nas Duas Guerras Mundiais, lançado no fim de 2019, em parceria com Carlos Daróz.



Bom, por enquanto é isso. Caso queira saber mais sobre essa historiadora, além de seu site oficial (marydelpriore.com.br), existe uma infinidade de palestras e entrevistas dela no Youtube. 

Os livros dessa historiadora:


Festas e Utopias no Brasil Colonial (1994)






Uma Breve História do Brasil (2010, em parceria com Renato Venancio)













A História do Brasil nas Duas Guerras Mundiais (2019, em parceria com Carlos Daróz)




História dos Crimes e da Violência no Brasil (organizadora, em parceria com Angélica Müller)



História dos Homens no Brasil (organizadora, em parceria com Marcia Amantino)



História Do Esporte No Brasil (organizadora, em parceria com Victor Andrade de Melo)


Livro De Ouro Da História Do Brasil (em parceria com Renato Venancio)




Os Senhores dos Rios (organizadora, em parceria com Flávio Gomes)

Uma História da Vida Rural no Brasil (em parceria com Renato Venancio)

Religião e Religiosidade no Brasil Colonial

Família no Brasil Colonial

Ancestrais (em parceria com Renato Venancio)


Livro destaque desse autor:
 livro historia das mulheres
História das Mulheres no Brasil
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