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sábado, setembro 13, 2014

Sobre Globalização



Falar sobre Globalização é algo sempre importante e que envolve uma série de fatores, não podendo limitar a análise a algo específico. Noção usada frequentemente nas últimas décadas do século XX para justificar mudanças ocorridas nas mais diversas esferas da sociedade, ela abarca, entre outras coisas economia, política, cultura em geral. 

Na economia Globalização envolve as chamadas multinacionais (que alguns preferem chamar de transnacionais). Esses grandes grupos industriais dominam há tempos a economia mundial, se adequando ao longo do século XX, à “nova ordem” e às novas exigências aos países que passaram dominar o mercado mundial após a Segunda Guerra, investindo capital diretamente através de suas filiais de países diferentes da sede, visando sobretudo reduzir custos de produção, procurando mão de obra mais barata, e de distribuição de suas mercadorias, procurando reduzir custos de transporte ou de impostos e demais taxas alfandegárias. 

No Brasil, por exemplo, as filiais de grandes multinacionais vão se multiplicando sobretudo a partir da década de 1950, a exemplo do setor automotivo e de alimentos. Por aqui a “moda” vinha sendo a da “substituição de importações” por produções dentro do país, o que forçou algumas empresas estrangeiras a instalar-se por essas bandas. 

A questão econômica envolta na Globalização está ligada também à política dos países ao redor do planeta. Isso porque envolve questões complexas e interesses domésticos, abalados em graus variados pelos efeitos do envolvimento na economia mundial. Isso envolve ainda a questão da soberania nacional, da cessão em setores dos mais variados, levando por vezes a crises envolvendo, entre outras coisas, a xenofobia, afinal, o movimento migratório também está inserido nesse contexto. 

Não são raros os casos de norte africanos que migram todo ano para a Europa, buscando melhores condições de vida, alguns dos quais são rechaçados por políticas de defesa nacionalistas, como no caso da França em relação aos Argelinos, por exemplo. Além disso, não esqueçamos da zona do Euro, que junta um punhado de países com suas particularidades e que em épocas de crise (como a recente envolvendo países como Portugal, Grécia, entre outros) tem que lidar com problemas particulares e a eles dar respostas coletivas, tendo que socializar, além de um dinheiro e economia comuns, seus problemas particulares.

A cultura, tomada em sentido geral, o que envolve as artes, são também afetadas pelas formas de homogeneização ligadas à globalização. Se formos analisar, nós brasileiros, o quanto fomos influenciados pela cultura norte americana, com seus gostos e estilos, que envolvem a música também, perceberemos isso bem claramente - basta tomar o inglês, língua global que é. Podemos citar ainda alguns exemplos, como os fast foods, sobretudo representados pelo Mc Donalds, ou ainda a hegemônica da Coca-Cola no setor de refrigerantes. Na música, temos o Rock, que se espalhou pelo mundo e que, mesmo em sua diversidade de subtipos, deixa transparecer suas características fundamentais homogeneizadoras, seja nas roupas, seja nos gestos e atitudes. Como não falar, por exemplo, do Rock In Rio, que apesar de não ser só Rock (pelo menos no Brasil) virou uma marca poderosíssima que acontece não só no Rio de Janeiro.

Aliás, quando falamos em marcas, logo lembro das que dominam o mercado de roupas, calçados, acessórios, e por aí vai. Nesse sentido, podemos atentar para o quão complexo esse tema é, afinal, em busca de matérias primas e mão de obra mais baratas, as fábricas se espalham por lugares estratégicos, como a Índia e também diversos países africanos, onde mulheres, crianças, além dos demais trabalhadores em situação precária, trabalham para produzir Nikes, Gats e outros tantos luxuosos produtos do capitalismo globalizado. Nesse sentido, vemos também a China, atual segunda economia do globo, que vem ameaçando os Estados Unidos e demais países em sua hegemonia nos mercados do mundo. 



Claro que não se pode exagerar os efeitos do que chamamos de Globalização, afinal, não é exatamente uma novidade, tendo reafirmado “tendências presentes anteriormente no comércio internacional”**. Mas, de qualquer forma, ela está aí, com seus resultados, dando a impressão de que o mundo encolheu e as distâncias diminuíram sobremaneira. 

Nesse sentido, a internet veio avassaladora, trazendo uma carga de informações nunca antes vista, muitas das quais inúteis, mas muito apreciadas por públicos dos mais variados, outras, por sua vez, muito importantes em termos de conhecimento e fontes de informações. A internet se insere no desenvolvimento das tecnologias, que na segunda metade do século XX ganha novo incremento, somado aos resultados que já vinham desde o fim do século XVIII com a primeira Revolução Industrial. 

Em suma, o mundo já passou por máquinas que aceleraram a produção, sobretudo de tecidos, que se estenderam para o setor dos transportes, quando o trem e os navios ganharam o impulso do vapor. Já se viu o setor financeiro ganhando um espaço incrível sobretudo a partir do fim do século XIX, com a preponderância de bancos e mercados de ações. Setor financeiro que, por sua vez, teve um impacto muito expressivo nesse movimento global mais recente.

Já viu-se, por fim, o mundo ligado por cabos teleféricos, telefones, rádios, TVs, internet... O fato é então que, mesmo que não possamos exagerar a Globalização de maneira geral e irrefletida, como muitos vem fazendo, pois isso não nos cabe, não podemos igualmente negar que vivemos num mundo interligado, quer se queira quer não. Ou diríamos um mundo GLOBALIZADO?


* Imagem do topo retirada do site NewseVocê
** SAES, Flávio A. M.; SAES, Alexandre M.. História Econômica Geral. São Paulo: Ed. Saraiva, 2014.

FONTES DE REFERÊNCIA

SAES, Flávio A. M.; SAES, Alexandre M.. História Econômica Geral. São Paulo: Ed. Saraiva, 2014.

HIRST, P.; THOMPSON, G.. Globalização em questão. Petrópolis/RJ: Ed. Vozes, 1998. 

quarta-feira, março 12, 2014

Como garantir isenção em julgamentos políticos?




Essa pergunta do título me tem tomado alguns momentos de pensamento. Especialmente com os últimos acontecimentos da política brasileira que, em termos de superação de erros me parece travada com freio de mão. Confesso que não sei dar uma resposta definitiva. Mas, o que sei é que algumas possibilidades apontadas não se mostram muito frutíferas e, ao contrário, parecem bem problemáticas. 

Eu explico. O foco central é a escolha de uma pessoa que já foi advogado do PT, José Antônio Dias Toffoli, para julgar os chamados “mensaleiros” na função de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)*. Não demorou muito para aparecer declarações de que seria impossível uma pessoa como ele julgar com isenção pessoas que fazem parte do partido que ele já defendeu. Essas manifestações, a meu ver, tem toda razão.

Mas daí, uma sugestão substituta me parece igualmente infrutífera e, por vezes, perigosa: usar pessoas da oposição, de partidos inimigos, que não seriam simpatizantes do PT, para julgar o caso. É fácil e rápido de perceber que, neste caso, igualmente não haveria isenção.

Não sou advogado, mas fiquei pensando em uma terceira via: acionar organismos internacionais para julgá-los, na esperança de que, não estando envolvidos diretamente com os assuntos brasileiros pudessem dar melhor desfecho à história. Ao longo da história algumas tentativas foram feitas (em alguns casos com o que se poderia chamar de “sucesso”). Já se pediu mediação à outras nações, que estariam neutras no caso, especialmente a ONU nas últimas sete décadas, e mesmo ao Papa (lembrando o caso das delimitações de posse no início das Grandes Navegações).

E falando na ONU, me pergunto se não seria a melhor escolha algo como a Corte Penal Internacional, aprovada através do Estatuto de Roma em 1998, e iniciou seus trabalhos em julho de 2002?** Afinal, até onde sei, uma de suas funções - assim como uma das principais da ONU é buscar o “estado de paz” entre animosidades - é julgar os culpados por "crimes contra a humanidade". Não é este o nosso caso? Claro que deveríamos a partir daí incluir outros grupos envolvidos em corrupção que não fazem parte desse mais "midiático".

Os mensaleiros vem sendo escorchados, com muita razão, pela parte da sociedade brasileira que tem bom senso – sujeitos também aos exageros da grande imprensa nacional; do outro lado são reverenciados por membros do partido que parecem não ver nada e nem pensar além do que lhes passam os dirigentes e mesmo os gestos simbolizados dos “amensalados”. A situação de constante reviravolta nos julgamentos tem gerado um estado de inconformidade tantalizada, por vermos as incongruências entre o que a lei diz e o que se faz com o que nela escrito está. 

Tem alimentado, além disso, manifestações por parte da oposição que, às vezes, sem pensar na “paz” prefere a “guerra” e assim alimenta um ódio que assusta pela reprodução irrefletida de alguns.


Bom, encurtando, ainda me pego pensando nessa terceira via a que me referi. Surgem então algumas dúvidas adicionais: quem garante que a isenção seria a palavra da vez na boca de quem joga o jogo das forças no mundo? Afinal, quem manda na Corte Penal Internacional (e na ONU) senão as grandes potências de todas as horas, que sempre se aproveitaram de fraquezas para alimentar-se? Por fim, e não menos importante, até onde agiriam eles sem ferir a soberania nacional e o direito garantido de auto-afirmação dos povos?

* o mesmo absolveu José Dirceu recentemente do crime de "corrupção ativa".
** Como disse, não sou advogado, portanto, qualquer outro organismo poderia se adequar melhor à essa função.

quarta-feira, março 05, 2014

Temos o poder para mudar o mundo



Enviado pela aluna Ana R. de Souza, do 1º Ano do Ensino Médio, da EEB LIlia A. Oechsler, Jaraguá do Sul, SC

Na África várias crianças morrem por ano de malária e outros doenças, uma grande quantidade dos africanos sofrem com a grande e conhecida questão da desnutrição, isso para o mundo é uma grande vergonha! Pois então, se em nosso mundo temos grandes potências, por que não podemos também ter um mundo mais justo e desenvolvido para os demais países?

Hoje o que mais vemos sendo anunciado nos telejornais são roubos, mortes, estupros; vê-se propagandas políticas prometendo ao nosso povo melhoras... Pelo que sabemos, o povo está passando fome e dependendo de abrigos comunitários, e enquanto isto os políticos estão rindo da nossa cara.

O povo quer mudanças, querem mais atitudes dos governantes! Sem atitudes o mundo nunca irá para frente. Do que adianta prometer, sendo que nada será feito? E como impostos sempre são pagos e nunca vemos mudanças, sempre recebemos em nossa casa a notícia de que (já não e novidade) nosso dinheiro está sendo usado para os governantes viajarem, comprarem casas e "simples carros", que apenas custam "alguns milhões". E enquanto isso, um simples trabalhador, luta dentro de uma fábrica ou debaixo de um sol escaldante, para assim conseguir seu salário para sustentar a casa e a família...            

Podemos mudar isso, se cada um começar a abrir os olhos e perceber que este mundo que estamos vivendo pertence a todos; não podemos deixar de acreditar que todos nós temos o poder para mudar mundo, não somente aqueles que nos governam.

*Fonte da imagem: UN Photo/John Isaac (PlanetaSustentável)

quarta-feira, novembro 27, 2013

Livro "Programa Bolsa Família uma década de inclusão e cidadania" - grátis para download (IPEA)


Sei que existem críticas ao Programa (eu também tenho as minhas) e que alguns desejariam que ele nunca tivesse sido criado, mas acho que vale a pena a leitura, até para poder fazer uma análise sócio-econômica com base em estudos organizados pelos ministros Tereza Campello e Marcelo Côrtes Neri.

Apresentação

Este livro é fruto de parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o Ipea, em comemoração à primeira década de existência do Programa Bolsa Família, que se completa neste ano de 2013.

Ao longo destes dez anos, uma ampla agenda de aperfeiçoamentos foi cumprida. Além da reunião de ações esparsas preexistentes, o Bolsa Família criou uma nova estrutura, aperfeiçoou mecanismos, adicionou benefícios e ampliou o alcance e o impacto distributivo das transferências. Assim, o programa se consolidou e assumiu centralidade na política social brasileira. No nível internacional, é hoje referência em tecnologia de transferência de renda condicionada e está entre as ações mais efetivas de combate à pobreza.

O programa atende a cerca de 13,8 milhões de famílias em todo o país, o que corresponde a um quarto da população brasileira. Contando com um sólido instrumento de identificação socioeconômica, o Cadastro Único, e com um conjunto variado de benefícios, o Bolsa Família atua no alívio das necessidades materiais imediatas, transferindo renda de acordo com as diferentes características de cada família. Mais que isto, no entendimento de que a pobreza não reflete apenas a privação do acesso à renda monetária, o Bolsa Família apoia o desenvolvimento das capacidades de seus beneficiários por meio do reforço ao acesso a serviços de saúde, educação e assistência social, bem como da articulação com um conjunto amplo de programas sociais.

Esta obra pretende compartilhar com a sociedade a intensa reflexão produzida sobre o programa, discutindo de forma qualificada e crítica suas conquistas e desafios. Pode interessar a um público variado: gestores públicos das três esferas de governo, ligados à operação da política social ou integrantes de outras áreas de governo afetas ao Bolsa Família; estudantes e pesquisadores; organismos internacionais; movimentos sociais; e sociedade em geral.

As informações aqui disseminadas apoiarão o aprofundamento do debate sobre o papel do programa e o desenvolvimento das políticas sociais, contribuindo para a superação de desafios e para o desenvolvimento social brasileiro.

O livro é composto de uma coletânea de textos divididos em três seções: Bolsa Família – dez anos de contribuição para as políticas sociais; Perfil das famílias, resultados e impactos do Bolsa Família; e Bolsa Família – desafios e perspectiva.

Iniciada com um capítulo que resgata a trajetória de embates e conquistas do Bolsa Família nesta década, a primeira seção reúne outros seis textos sobre as principais interfaces e contribuições do programa para as políticas de assistência social, previdência social, saúde e educação, assim como para a construção de agendas federativas na área de transferência de renda.

A segunda seção do livro contém dois textos iniciais que caracterizam as famílias brasileiras em situação de pobreza. O primeiro trata do perfil da pobreza no Brasil e suas mudanças, com foco no período entre 2003 e 2011. O segundo constrói o perfil socioeconômico dos beneficiários do Programa Bolsa Família a partir de dados do Cadastro Único. Após estes dois textos, seguem capítulos produzidos por pesquisadores de distintas filiações institucionais sobre
resultados e impactos do programa. Dado o curto período entre o lançamento deste livro e a extensão do Benefício de Superação da Extrema Pobreza no âmbito do programa a todas as famílias beneficiárias que se mantinham abaixo da linha da miséria, entende-se por que boa parte dos artigos da seção 2 ainda não apresenta análises sobre o impacto desta inovação.

No entanto, a seção aborda interessantes resultados do Bolsa Família em áreas e temas diversos: saúde, educação, trabalho, cidadania, macroeconomia, pobreza e desigualdade. A terceira e última seção reúne reflexões sobre perspectivas e possibilidades futuras para os programas de transferência de renda condicionada. A seção parte do panorama e do debate internacional acerca das realidades de tais programas, em especial no contexto latino-americano, e finaliza com análises de temas essenciais para o futuro do Bolsa Família, apontando os principais avanços, condições e desafios a serem enfrentados.

O MDS e o Ipea agradecem aos autores que colaboraram nesta obra, os quais responderam ao convite de forma rápida, criativa e interessada, com textos de alta qualidade. Agradecem também a toda a equipe técnica, que trabalhou incansavelmente na tarefa de organizar e possibilitar a publicação deste livro.

Na certeza de que as críticas e as reflexões são passos basilares para o aprimoramento do Bolsa Família, espera-se que este livro ajude a firmar as conquistas alcançadas nos últimos dez anos apenas como um patamar a partir do qual a política social do país avançará muito mais.

Ministra Tereza Campello
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)

Marcelo Côrtes Neri
Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR) / Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)


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