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sábado, março 07, 2015

O historiador sanguessuga


Já repararam em um tipo peculiar de historiadores que vagam por aí que adoram tomar ideias de outros como se fossem suas? Eu os chamo de historiadores sanguessugas.


Mas adjetivos não faltaria para eles. Vagam sempre prontos à se prender às suas vítimas, extrair aquilo que produzem e nem lhes darem os créditos devidos. Bem pudera, pois são repugnantes criaturas, que se deixam levar pelas facilidades da cópia, o nosso famoso mas indesejado plágio, tirando os créditos daqueles pobres corpos sugados, que vêem sua criatividade e seu amplo esforço se esvaírem pelas veias abertas, em muitos casos escancaradas. 

E não é por falta de legislação (só consultar a nossa lei 9.610), ou melhor remédios combativos, mas sim por suas artimanhas, numa embrenhada fuga nos lodos do desencontrado e, em muitos casos, da impunibilidade. Eles são espertos, difíceis de serem identificados, pois fazem uma transformação descarada no "sangue" que "sugam". 

Mas, as vezes são pegos esses sanguessugas. E torcemos pra isso. Não sem antes terem feito estragos nas carnes da intelectualidade legalizada e justa. Em muitos casos, com a velocidade que a informação vem circulando, acabam por deixar marcas irreparáveis pelos caminhos por onde passam.

Imagem tirada de www.vitrinepix.com.br.


** Postado originalmente em 14/jan/2013.

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sábado, outubro 25, 2014

Sobre Eric Hobsbawm




Lido por muitos, sendo por uns admirados e por outros execrado, Eric Hobsbawm (1917-2012) fez aniversário de morte no começo desse mês de outubro. Então, com o respeito que lhe é devido, segue essa postagem.

Ele é considerado por muitos como um dos maiores historiadores do século XX e não é por pouco e por acaso. Contava uma bagagem vastíssima (era um erudito como poucos), o que lhe possibilitava falar dos mais variados assuntos, relacionando-os na História de seu tempo, fazendo análises subjetivas sempre que lhe parecesse possível.

Tratou de camponeses, de trabalhadores, de bandidos, da decadente cultura erudita, do jazz norte-americano que apreciava, do socialismo que lhe afetou diretamente ao longo da vida; enfim, tratou dos humanos que faziam guerras, das quais esteve envolvido de uma forma ou de outra, passeando pelas Eras, tendo como ápice da sua análise aquela dos extremos, inserida no breve século XX.

Os tempos por vezes lhe pareciam interessantes, em outros momentos fraturados, ou mesmo cheios de pessoas extraordinárias. Os humanos eram sua fascinação, mesmo perdendo o otimismo em alguns momentos em que escrevia e reconhecia a decadência de ideias outrora consideradas inovadoras e também promissoras.

Por todos esses pontos, entre outros tantos, ele deve ser lembrado. 



Não escapa, claro, de críticas, como não deveria ser dado a ninguém o direito de escapar. Mas alguns parecem desejar-lhe o desprezo e os palavrórios ofensivos, como os que lhe proferiu certo colunista da revista Veja logo que foi anunciado seu falecimento, tendo recebido na época resposta por parte da ANPUH (Associação dos Professores de História).  

Conheci o autor Eric Hobsbawm nos tempos de graduação. Na verdade, na época o conhecia mais de falar do que de ler. Leituras mesmo comecei a fazer depois dessa fase, quando já estava no Mestrado, especialmente quando me foi necessário pensar a História Econômica e seus métodos, encontrando-o assim também nas discussões sobre a relação entre historiadores e economistas.

Como com qualquer outro autor (para não dizer ser humano), não vejo em Eric Hobsbawm um herói ou um guru da área em que atuo. Mas, aprendi a respeitá-lo pelo que representou para a História, ainda que não concorde com ele em tudo. Aprendi a apreciar o que ele escreveu, ainda que veja que a História vai muito além do seu estilo, cabendo uma multiplicidade "inDescarteável" (o neologismo é meu) de significados e formas.



Dependendo da linha que se siga na História, das formas de abordar o objeto histórico, a preferência recairá em outros aspectos, que não serão mais, como já fora em outros tempos, os da História Econômica. Nesse sentido far-se-á opção por outros autores que auxiliem nas pesquisas, como, por exemplo, o amigo de Hobsbawm e igualmente importante E. P. Thompson, que trilhou o caminho da História Social, com atenção para os aspectos culturais, a formação das classes sociais, entre outros temas nevrálgicos. Da mesma maneira que se terá variados e específicos autores quando se optar por História Política, Cultural ou outra qualquer.

O fato é que não se pode negar a importância de Eric Hobsbawm para a Historiografia do século XX. Dele se pode partir ou nele se pode chegar, fazendo críticas ou reconhecendo pontos em que nele se possa apoiar. Dependendo da visão política, por exemplo, pode-se e deve-se construir um diálogo do que deu ou não certo no movimento de esquerda ao longo desse tempo.

Por fim, quem segue o blog, diretamente ou através das redes sociais, deve ter notado o rosto de Hobsbawm em nosso banner. Isso se deve ao foto de respeitá-lo, como gostamos de respeitar tantos outros autores que de alguma forma nos falaram e contribuíram ao ofício de historiador.  



Obras publicadas em português (algumas seguem com link de onde podem adquirir)


 Clique aqui!





* A foto usada para a montagem no topo da postagem é de Karen Robinson, para o The Guardian. As demais imagens dessa postagem foram retiradas da internet, o que torna difícil a citação de seus autores. 


sexta-feira, outubro 24, 2014

Sou Mestre, e agora?

história ampulheta

Todos que me conhecem sabem que no último dia 13 de agosto fiz minha defesa de Mestrado em História, em Dourados, MS. Como eu, diversos outros colegas e amigos defenderam ou defenderão suas dissertações na Faculdade de Ciências Humanas da UFGD, que se somaram as diversas outras em diversos outros programas de pós-graduação ao redor do país. 

Uma postagem do meu amigo Gustavo Balbueno no Facebook me chamou a atenção para questões que ficam quando se passa essa "fase". Acontece que depois que acaba, ficam  perguntas tais como: "o que fazer depois?" ou "onde usar meu título conquistado?". Muita coisa paira sobre  nossas cabeças, reles mortais, ou os restos que deles sobraram depois de alguns mergulhos em fontes, trabalhos de campo e escritas que, as vezes, parecem intermináveis. 

Fica um sentimento de que, hoje em dia, ser Mestre em História é "estar no limbo". Dependendo da perspectiva, essa afirmação tem um quê de verdade, mas nem sempre esse é o caso. Muitos colegas de turma, mesmo os que vieram antes ou virão depois, não planejam uma carreira acadêmica, ao menos imediatamente, preferindo seguir nas redes particulares e públicas de ensino. Neste caso, de um ponto de vista positivo, o Brasil estará ganhando professores com um plus de qualificação indiscutível. Por outro lado, em outra perspectiva, notamos que vem aumentando as exigências de formação magisterial, com pouca ou nenhuma mudança nos salários reais, o que pode criar dificuldades para diversos professores formados à tempos e, ao mesmo tempo, vantagens para alguns outros que verão seus "diplomas" de Mestre somando pontos nas concorrências de títulos em concursos. 

Os que pretendem seguir, sem dar muitas pausas (como espero seja meu caso), fica o desafio de sair das fileiras supostamente "medianas" para alçar voo e alcançar um teto de possibilidades, com um salário mais bacana, em um mundo universitário que exige cada vezes mais. Afinal, ser mestre, pelo menos em universidades federais, já se deixa transparecer uma virtual impossibilidade de acesso.


De qualquer forma, sendo uma fase de transição para o Doutorado ou um preparo extra para a vida em escolas e secretarias de educação, o fato é que a pós-graduação strictu-sensu em nível de Mestrado está preparando uma gama de profissionais novos e diferenciados. 



Resta saber o que de bom conseguiremos do Governo Nacional, dos estados e dos municípios, em tempos tão sombrios, onde questionamentos são simplesmente ignorados e salários perdem seu poder aquisitivo sem contar com reajustes adequados. 



Segue, entretanto, uma parte de mim buscando inspiração com base no prazer de pensar e fazer disso uma profissão.


Data original: 31 de ago de 2012

domingo, janeiro 20, 2013

O historiador do SE


Confesso que começo esse texto sem saber onde vai parar. Mas, fiquem tranquilos, pelo menos tenho uma ideia de como quero começar. Após publicar um texto e mais recentemente uma entrevista sobre o tema, que tiveram comentários muito produtivos, me vem a mente algumas possibilidades quanto a profissão de historiador. Talvez não sejam mais que algumas "viagens" da minha cabeça. Ou talvez não. 

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Historiadora Teresa Malatian fala da regulamentação da profissão

Imagem extraída da entrevista

A historiadora e professora Teresa Malatian da Unesp de Franca comenta o Projeto de Lei 368, que regulamenta a profissão de Historiador. Trata-se de uma entrevista concedida à Ederson Granetto para o programa Notícias Univesp, da Univesp TV. 

domingo, novembro 11, 2012

A regulamentação da profissão de HISTORIADOR para não historiadores

Montagem José A. Fernandes

Lei espatafúrdia... é como foi descrito o projeto de lei que regulamenta a profissão de HISTORIADOR. Pois é com essa palavra que Fernando Rodrigues futucou a ferida dos historiadores brasileiros, pelo menos aqueles que leram o artigo da Folha de São Paulo nos últimos dias. 

terça-feira, maio 04, 2010

Morre o historiador Manoel Salgado Guimarães


Foto: Georgia Santiago - http://opovo.uol.com.br/


A semana foi de luta para historiadores no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Na última terça-feira, dia 27 de abril, morreu o historiador Manoel Luiz Salgado Guimarães, professor da UERJ, da UFRJ e ex-presidente da ANPUH Nacional.

Profissional ético e talentoso, Manoel dedicou sua vida à história, dando importante contribuições ao campo da historiografia brasileira. Fez seus estudos no Rio de Janeiro, Berlim e Paris. Como professor, foi sempre muito atencioso, sempre interessado na construções de pontes e diálogos entre a história acadêmica e a história dita popular. Sua morte precoce já deixa saudade em colegas, familiares e alunos.

A história, com certeza, perdeu muito neste 27 de Abril. Por isso, dedicamos todas as atualizações abaixo ao professor Manoel Luiz e aos novos historiadores na esperança que possam continuar desenvolvendo à altura o campo dos estudos históricos.

Notícia: Bruno Leal - Café História (http://cafehistoria.ning.com)

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Memórias de um acadêmico de História - Versão 02





É difícil não lembrar das coisas boas que vivemos na vida. Ainda que as dificuldades de 4 anos de curso tente nos dizer que foi bom ter terminado e tendermos a nos sentir aliviados, certamente nos sentiremos saudosos com os amigos de todos os dias. Amigos de café, de laboratório, de RU, de andanças, de Cordil...

sábado, janeiro 16, 2010

Memórias de um acadêmico de História



Enfim a 1° turma de Historia da UFGD concluiu o curso. Não podemos deixar de ficar feliz com isso, pois foram quatro anos de batalhas para todo mundo conseguir tirar esse diplominha, mas também não posso deixar de ficar triste, pois não verei mais diariamente todas essas pessoas que fizeram parte da minha vida ao longo de todo esse tempo. Pessoas dos mais diferentes lugares, dos mais diferentes estilos, que por força de uma convivência diária tornaram-se amigos. Sempre tivemos orgulho em dizer que na nossa sala nunca houve qualquer tipo de briga, e de fato não houve mesmo. Éramos diversas panelinhas que conviveram pacificamente, sem rivalidades. Eu não sei se fazia parte de uma panelinha – acho que não -, mas posso dizer que mesmo assim fiz diversos amigos íntimos, que hoje frequentam minha casa, e que posso chamar até de irmãos.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

O intelectual como crítico politicamente engajado



Por Jean Menezes*


Entendemos que o trabalho intelectual é possuidor de suas problemáticas endógenas as quais podem ou não contribuir para a sua crítica autocrítica. Por crítica autocrítica entendemos o exercício que faz o intelectual (especificamente os historiadores) que postula considerações epistemológicas permitindo-se auto-avaliar e também ser avaliado, ou seja, criticado pelo outro sem o embargo da prática deste exercício (DEMO, 1982).

Entre historiadores a crítica não se limita às fontes (“documentos”), estendendo-se também aos seus pares produtores da escrita da história, cada qual com seus preferenciais teórico-metodológicos postuladores de um objeto concreto ou abstrato na História. Diante deste contexto, os intelectuais da história se digladiam cognitivamente um diante ao outro (GRAMSCI, 1984), mas vacilam por vezes ao não admitirem serem também objetos das mesmas críticas que produzem sobre o conhecimento.

A isenção ideologia apresenta-se neste bojo como portadora da infalibilidade intelectual do historiador diante de um objeto distanciando-o do romantismo e de possíveis deslizes por conta da moral que esta embute no intelectual. Ora, esta sentença seria verdadeira em absoluto se não fosse pelo fato de ela ser por si mesma uma possibilidade bastante inócua de se fazer absolutamente enquanto científica. Pois, não seria o discurso da isenção ideologia também uma manifestação moral da ciência? Assim entendemos que os postulados da produção intelectual não estão imunes as ideologias e seu código moral, não se levarmos em consideração que todo intelectual, historiadores e os demais cientistas sociais, fazem parte diretamente ou não de um recorte social e político que busca na universidade, seja o seu remanso particularista ou a sua plataforma ideológica de contestação e status acadêmico socializador da intelecção libertária.

A posição epistêmica do intelectual segue por variados referenciais, do positivismo ao pós-modernismo contemporâneo, passando também pelo estereótipo materialista dialético humanista (CARDOSO, 2005). Assim, os intelectuais devem ser entendidos como uma massa cinzenta heterogênea catalisada pelas universidades, onde representarão a sua vontade de poder individual/grupal ao qual pertence, e mesmo a vontade de poder individual/coletiva (DEMO, 1982). Ambas representantes de uma sociologia da ciência já que não se limitam à produção epistemologica apenas para o bel prazer, pois a fazem conscientes ou parcialmente conscientes de que representam um recorte social.

Evidentemente encontraremos na universidade uma vasta rede de tipos ideais de intelectuais, uns despreocupados com a organização social, seja por representarem o recorte que se faz hegemônico da organização político-administrativa do Estado, ou, mesmo por estarem confortáveis diante da alienação política que lhes parece desinteressante acerca do interessante mundo das representações intelectuais as quais lhes garantem títulos e honrarias, além de um salário estatal para reproduzirem de forma técnica os elementos favoráveis à manutenção do grupo político que administra a coisa pública (DEMO, 1982). Outros, preocupados com a organização social e a instrumentalização de um novo grupo hegemônico que venha a substituir a hegemonia vigente do estado. Referimos-nos ao intelectual orgânico de Antonio Gramsci. Dotado de um engajamento diferente do primeiro e que se pretende capaz de representar o recorte social que não se efetiva no poder por não possuir suas ideologias consolidadas na sociedade marginal como um todo.

Como podemos, a priori, apresentar, a universidade acaba por se enquadrar ou ser enquadrada como uma paisagem de defesa do intelectual orgânico seja ele o da ideologia do estado vigente ou daquela que visa à busca da hegemonia no atual Estado. Em ambos os casos, os intelectuais postulam a representação das massas populares, colocando-se em função de estudá-las e apresenta-las e mesmo de apresentar a elas o estudo que as representa na busca, seja pela manutenção da ordem vigente ou pela luta consciente de classes marginais rumo à hegemonia de um novo estado de coisas.

É neste espaço da produção intelectual científica que se encontra nosso objeto de estudo, a priori. É na universidade que órbita nossas preocupações também espistêmicas sobre a produção intelectual acerca da história e do engajamento político do intelectual. Que tipo de engajamento vem sendo feito? Há engajamento?

Ao observarmos o crescente discurso da “pós-modernidade” (MENEZES, 2007) entre os intelectuais nas universidades públicas e privadas, grosso modo, contraditório à proposta iluminista de racionalidade científica, e também contrários a proposta racional de emancipação do materialismo histórico dialético, é de se estranhar, minimamente, a pretensão que identificamos em alguns grupos de intelectuais para a década de oitenta no Brasil. Um estranhamento limitado se levarmos em consideração que nesta mesma década no Brasil se constituiu em um momento histórico onde as expectativas eram múltiplas e positivas sobre a democratização e a liberdade engajada de vários recortes socioeconômicos brasileiros.

Pretendemos assim, contribuir minimamente sobre o papel dos intelectuais e suas problemáticas para a militância nos dias de hoje.

*Mestre em História pela UFGD e Doutorando em Ciências Sociais pela Unesp/Marília.
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