Identidade 85 ::: igreja católica
Mostrando postagens com marcador igreja católica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador igreja católica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, março 04, 2015

A dança macabra





O comet’inganni
Se pensi che gl’anni
Non hann’da finire,
Bisogna morire

[Como estás enganado
Se pensas que os anos
Não vão terminar
É preciso morrer]


É com estas palavras que começa a canção “homo fugit velut umbra”, uma dança macabra anónima do séc. XVII. Com todo o cortejo de desgraças que se deram no séc. XIV (epidemias, guerras, fomes), desenvolveu-se um intenso pessimismo. A dança da morte era uma alegoria que tratava da inevitabilidade da morte: fossem ricos, pobres, bons, maus, a todos no final ela estava reservada. Tendo diversas representações gráficas, as mais comuns era a de pessoas de todos os quadrantes da sociedade (jovens, belos, idosos, nobres, mendigos) a dançar numa roda com esqueletos.

As imagens aproveitavam para mostrar a futilidade da vida e do apego aos bens e glórias terrestres, devendo-se sobretudo obter bens espirituais (formando um maior contraste com a procura desesperada dos gozos terrenos de que as pessoas representadas pareciam tentar obter).

Eram pintados afrescos, esculpidos relevos e compostas músicas com este tema. Ao longo do séc. XVII e XVIII, este género artístico iria ser progressivamente esquecido, sendo recuperado por vários músicos no séc. XIX (uma das músicas mais famosas seria a de Camille Saint-Saens) e XX.

Veja abaixo mais imagens da Idade Média retratando a Dança Macabra 


 Música sinistra, autor desconhecido.

Dança Macabrapor Bernt Notke (Lassan -Vorpommern, 1435 / Lübeck, 1508/09)

A Dança da Morte (Dagger sheath, 1521), por Hans Holbein
* Referências: Heróis e maravilhas da Idade Média e A Idade Média explicada aos meus filhos, de Jacques Le Goff; Tempore

** Originalmente postado em 15/mai/2008.

Compartilhe essa postagem!

quarta-feira, agosto 21, 2013

Veja algumas fotos da Mostra de "Instrumentos Medievais de Tortura"


O objetivo da exposição não é aterrorizar, mas... quem observa com atenção as formas de tortura usadas pela Inquisição, além de outras ocasiões e numa diversidade de lugares, logo percebe o quanto o ser humano é criativo na hora de punir. 

Quem se choca com a morte na cadeira elétrica nos Estados Unidos de hoje, precisa dar uma olhada também nos instrumentos resultados da inventividade em épocas em que nem se sonhava com energia elétrica. Claro que nem sempre o objetivo é a morte, como mostram cintos de castidade (masculinos e femininos) ou esmagadores de mãos, mas em muitos casos a morte bem que seria mais piedosa com hereges, bruxas, criminosos e inimigos públicos.

Para aguçar a curiosidade de vocês, seguem algumas fotos*. Lembrando que a exposição fica no Museu Emílio da Silva até dia 1º de setembro (um domingo).










* Se usar as fotos cite o autor e o local, por favor: José Antonio Fernandes (identidade85.com)

segunda-feira, agosto 19, 2013

Mostra de Instrumentos Medievais de Tortura em Jaraguá do Sul - até dia 1º de setembro!


Estará em exposição no Museu Histórico Emílio da Silva de Jaraguá do Sul, a Mostra Internacional de Instrumentos Medievais de Tortura. A exposição, trazida a Jaraguá do Sul pela Fundação Cultural (FC), é tema de pesquisa histórica, científica e sociológica da Associação de Pesquisadores de História de Verona, na Itália. Desde 1985 vem sendo exposta em vários países como Itália, França, Espanha, Alemanha, Áustria, Polônia, Argentina, Chile, Uruguai, Estados Unidos, Japão e Brasil.

Não se trata de uma exposição de horror, mas algo que remete para a reflexão sobre parte da história da humanidade. São peças autênticas usadas no período da Inquisição. A Cadeira de Inquisição, por exemplo, foi um instrumento do inquisidor da Europa Central, usado até 1846, especialmente em Nuremberg, na Alemanha. O réu devia sentar-se nu e, ao mínimo movimento, as agulhas penetravam no corpo provocando ferimentos. Calcula-se que 50 milhões de pessoas foram torturadas através dos séculos. 

A exposição vai até o dia 1º de setembro!

  • O valor do ingresso é de R$ 6,00. 
  • Estudantes e idosos pagam R$ 3,00. 
  • Grupos acompanhados de professores pagam apenas R$ 2,00, mediante agendamento prévio. 
O Museu Histórico Emílio da Silva fica na Avenida Mal. Deodoro da Fonseca, 247 – centro

O horário para visitação do espaço é o seguinte: de terça à sexta-feira, das 8 às 11h30 e das 13h30 às16h30. Aos sábados, das 9 às 12 horas; aos domingos, das 15 às 18 horas. 

O telefone para contato é (47) 3371-8346.

Fontes – Ademir Pfiffer, chefe do Museu Histórico Emílio da Silva e Leone Silva, presidente da Fundação Cultural de Jaraguá do Sul. Fones - (47) 3371-8346 e (47) 2106-8700, respectivamente.


sábado, março 16, 2013

Os Jesuítas no poder

companhia de jesus
Logotipo da Companhia de Jesus. 
Disponível no site da Arquidiocese de Campinas

Depois de serem expulsos das antigas colônias europeias ao longo do mundo no século XVIII e quase serem excluídos permanentemente da curia romana recentemente, os Jesuítas assumiram o poder máximo no Vaticano em 13 de março de 2013, com Jorge Luiz Bergoglio, o Papa Francisco

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Entre papas, assassinos e forasteiras

Montagem 

O que mais me "tocou" nos últimos dias é a maneira como os jornais (escritos, falados ou televisionados) vêm falando de algumas coisas e as substituindo rapidamente quando já não interessam mais - como copos descartáveis sem mais funções. 

sexta-feira, janeiro 18, 2013

O filme "João Paulo II" e o Comunismo

Capa do filme. Imagem de reprodução

Um dos mais carismáticos papas de todos os tempos, João Paulo II, nascido Karol Józef Wojtyła, em Wadowice, Polônia, em 1920, é "retratado" nesse filme imediatamente póstumo de 2005 (mesmo ano de sua morte). 

Tencionando ser "documental", procura mostrar o lado mais humano de um homem que é muito admirado no seu meio. Para isso juntou em seu elenco nomes conhecidos, entre os quais: Cary Elwes (Karol jovem), Jon Voight (já adulto) e Christopher Lee (Cardial Stefan Wyszynski). 

É esse filme, dirigido por John Kent Harrison, que quero comentar brevemente aqui e deixar para os que o assistirem, talvez mais para os historiadores que propriamente aos religiosos, alguns pontos a serem pensados com menos fé e um pouco mais de razão*


Embora seja de cunho religioso, João Paulo II, começando um exercício de rememoração do próprio papa quando do ataque de 1981 que quase o matoupossuí ao menos uma missão política bem direta: promover uma cruzada ideológica católica, podendo-se dizer pessoal do papado, contra o Comunismo. São mostrados ao longo da trama diversos eventos envolvendo o protagonista e suas experiências com os agentes de Moscou, que vão desde a vitória na Segunda Guerra Mundial, onde seria substituído o dominador nazista pelo comunista, até perseguições e mortes de padres e leigos próximos seus. 


Assim, o que é mostrado no filme "explicaria" o ódio de Karol, à princípio pelos nazistas e depois, com a queda de Hitler e seu partido, pelos comunistas. No período posterior à Segunda Guerra em que morou na Polônia (e mesmo depois enquanto no Vaticano), o país esteve dominado pelos soviéticos, só começando a ganhar autonomia com a vitória do movimento anti-comunista Solidariedade, liderado por um amigo seu, Lech Walesa, no fim da década de 1980, que aliás, desde o início, contou com seu apoio (sobre isso há o interessante artigo na edição de março de 2005 de SuperinteressanteO papa e a história, de Denis Russo)

Se tomássemos acriticamente o ponto de vista do filme, entenderíamos como uma "contribuinte" à construção da "demonização" do Comunismo a ação da própria União Soviética de Stalin e governos seguintes. Sobre isso teríamos, como visto, mais especificamente o Terror comunista e as ações de expurgo e extermínio perpetradas nos territórios dominados, incluindo neste caso a Polônia. 

No entanto, uma análise mais "racional" e demorada do que é passado nos fará perceber que tal demonização do Comunismo, mesmo ganhando publicidade inédita nesse momento, não era algo novo e exclusivo de João Paulo II. Não quero aqui defender as atrocidades de Stalin e seus sucessores, mas também não podemos generalizar as ideias marxistas, como fez Karol, usando como seu desenho mais perfeito a "imperfeita" URSS

Claro que, com alguns variações (caso da China), este era o Comunismo que os poloneses e demais países dominados e influenciados conheciam, mas claro também que já havia uma predisposição da Igreja Católica de combatê-lo (seja qual fosse sua variável), como uma "religião" do anti-Cristo e de infiéis (ou melhor ateus).

Por esses e outros motivos, para além do elemento religioso, termino acreditando que justifica-se uma vista atenta deste filme por parte de historiadores, professores e demais cientistas sociais. Trabalhar isso em sala de aula é difícil, afinal tocar no assunto "religião" gera sempre tensão e mal estar, mas sem preconceitos, de qualquer um dos lados, creio que fica interessante e produtivo.



Umberto Eco
de R$ 25,00 por R$ 20,90

 Clique aqui para comprar!

*Meu objetivo aqui não é, de forma alguma, fazer ataques à religião propriamente ou denegrir imagens, quero apenas suscitar questões históricas.


** Originalmente postado em 18/jan/2013

Compartihar:
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Humanos

Digite e tecle Enter para buscar!