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segunda-feira, junho 08, 2020

As mulheres e os negros no universo dos historiadores | José A. Fernandes




Que no mundo predomina o masculino e desde muito tempo o elemento branco, não é novidade. Mas o que mais poderíamos dizer sobre isso quando pensamos no universo dos historiadores?

Muitos de vocês já sabem que tenho feito perfis de historiadores no Blog. Procurei começar por alguns nomes mais conhecidos, a fim de criar certa curiosidade em quem fosse ler. Mas, já tendo passado da primeira de dezena de perfis e mesmo planejado os próximos, posso dizer algumas coisas sobre esse mundo dos historiadores, especialmente no que diz respeito a presença de negros e mulheres historiadores.

Quem estuda história das mulheres, o movimento feminista e coisas afins sabe que a luta pela emancipação e empoderamento tem sido feroz. O espaço dado às mulheres nas sociedades ocidentais desde sempre, mas especialmente a partir da Idade Média - para não nos sentirmos tão tão distante -, é na esmagadora maioria das vezes subalterno. São do lar, dos filhos, esposas, submissas - inclusive aos desejos mais íntimos; não são públicas, não tem voz, não podem saber ler e nem escrever. Em muitos momentos quando ousaram sair do ambiente caseiro e "familiar", foram taxadas de bruxas, profanas, imorais (para não usarmos outros termos). 

Mesmo com toda luta que elas vêm travando e das conquistas que vêm conseguindo desde pelo menos o século XIX, as mulheres ainda continuam, em sua maioria, sendo colocadas nas sombras, limitadas a certas funções, recebendo valores inferiores, mesmo que seus esforços sejam superiores. Mas porque estou falando dessas coisas? Exatamente porque isso vem acontecendo também no campo da História, no mundo dos historiadores! 

Não estou falando aqui de professoras. Isso sabemos que vem sendo mais correntes, especialmente nos anos iniciais, desde que surgem as primeiras escolas laicas. O que estamos querendo mostrar é o mundo das pesquisas em arquivos, da escrita da História.

Desde que a História ganhou status de disciplina e - para muitos - de ciência no século XIX, fica claro o domínio masculino. Claro que isso não é exclusividade da História, basta olharmos todas as outras disciplinas humanas ou exatas para percebermos a mínima presença feminina. Mas, já que temos falado de nossa área, procure no século XIX alguma "historiadora de destaque" e não encontrarão nenhuma! Ao entrarmos no século XX, só com muito custo passaremos a encontrar pesquisadoras em História e assim mesmo só depois de meados desse século. Só a partir daí começaram a surgir pensadoras, estudiosas do passado e o que definimos em sentido amplo como "historiadoras".

A mesma coisa acontece quando se trata de personagens negros - e de outras "raças", se pensarmos bem. A superioridade branca não é novidade nenhuma, tendo justificado a escravidão negra por séculos. Da mesma forma justificou a ação imperialista na África, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX, ao expor "a missão europeia de civilizar os bárbaros e incultos". Nesse contexto, temos também diversas manifestações da ciência "dos brancos" no sentido dos "branqueamentos" - como ocorreu no Brasil -, de estudos de eugenia (teoria da seleção de elementos humanos), de "evolução social", da exclusão dos "indesejados" - daí incluindo diversas outras minorias étnicas!

Nesse sentido, é compreensível - mas não justificável - que os negros não tivessem voz no período dominado pela História Metódica ou Positivista. Afinal, os historiadores aí  - brancos - contavam sobre grandes personagens e grandes feitos, sempre brancos, quase sempre europeus!

Há muito custo os negros começariam a ser vistos de forma diferente na história, ainda assim com muitas marcas não apagadas até hoje. Mesmo quando começaram a aparecer na história, em muitos casos os que contavam sobre ele s eram brancos. Há até mesmo a questão das "tutelas", do cuidado em relação aos excluídos, como se eles próprios não pudesse falar de si. Agora, quando se trata de negros historiadores, sua existência não é muito grande e sua visibilidade ainda hoje é muito, mas muito, baixa.

Para ilustrar isso que venho falando, tanto de mulheres como de negros, basta fazer uma busca no Google escrevendo "historiadores famosos". Pronto: ele vai dar uma lista de historiadores que se destacaram nos últimos séculos. Um detalhe, nele vão constar umas duas mulheres e nenhum negro. Acha que é "pira de brasileiro" isso? Então experimente "famous historians", em inglês, ou "historiens célèbres", em francês!



Claro que alguns de vocês talvez objetem dizendo que não se importam com o "famoso", pois conhecem excelentes historiadores negros ou historiadoras, que não aparecem nessas listas. Concordo plenamente! Nas últimas décadas excelentes pesquisadores negros e mulheres vêm surgindo. Mas, precisamos seguir pensando e dialogando: 1.) que espaço têm os negros e as mulheres nesse universo da pesquisa histórica até hoje? 2.) qual a nossa função na valorização desses indivíduos no meio acadêmico? 3.) o que podemos - ou nos cabe ou não - em meio a esse cenário excludente?

Enfim, para concluir - o que já estava concluído desde o início -, percebemos o quanto o mundo ainda é branco, europeu ou norte-americano, ocidental, masculino. Então, para fazer sua parte, promova o diálogo a respeito; observe atentamente; procure entender e contribuir para a mudança!

Livro de um historiador negro:
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Zumbi
Joel Rufino dos Santos
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Assista a um vídeo nosso sobre os negros no Brasil!

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quarta-feira, junho 03, 2020

VÍDEO: Os Negros no Brasil | José A. Fernandes #VidasNegrasImportam




Existem temas que deveriam já estar superados, mas não estão. Esses são os casos do racismo, da discriminação e do preconceito contra os negros no Brasil. Por isso cremos que esse seja um assunto sempre urgente, cujo debate é fundamental e a busca de soluções urgente!


Assista:
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sábado, novembro 23, 2019

LANÇAMENTO! Apropriação Cultural, de Rodney William




Como parte da coleção Feminismos Plurais, acaba de ser lançado o livro Apropriação Cultural, de  Rodney William! 

Neste sétimo volume da coleção Feminismos Plurais, o doutor em Ciências Sociais e babalorixá Rodney William trata o tema da apropriação cultural sob a ótica histórico-cultural do colonialismo, relembrando o processo de aculturação e aniquilamento dos costumes pelo qual passou os povos escravizados. Faz, a partir daí, a conexão com as práticas predatórias dos mercados capitalistas colonizadores atuais, que se valem dos traços culturais de um povo para lucrar, e esvaziam de significado esses símbolos de pertencimento.

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quarta-feira, novembro 20, 2019

O negro sempre teve consciência! | José A. Fernandes



Não é de hoje que o negro tem consciência no mundo e no Brasil. Eles sempre a tiveram!

É um grande erro acharmos que os negros precisam de um dia pra consciência. Calma, eu explico. Não estou desmerecendo a lei 12.519, de 10 de novembro de 2011, ou a luta dos negros contra o racismo. Não estou invalidando as conquistas... Não é isso. O movimento negro - seja através de coletivos, de campanhas, de lutas diárias por direitos, etc. - sempre será muito válido! 

O que quero dizer nessa postagem é que não é de hoje que os negros estão se "conscientizando". Ou acham que quando eram escravos no Brasil eles não sabiam de sua situação, de sua condição? Evidente que sabiam né! 

Eles já sabiam que, mesmo tendo se tornado livres em 1888, a questão não tinha se resolvido. Quase nada se resolve sem luta e sem resistência ao status quo. Quando foram libertos por meio da Lei Áurea, através da pena de Isabel, a princesa, e como resultado dos movimentos abolicionistas, não creio que tenha havido ilusão por parte dos negros de que os "brancos" bem-nascidos, aqueles que sempre haviam sido escravocratas, fossem abrir as portas de suas casas para eles para um chá da tarde em seus casarões construídos à base do trabalho escravo, para debater os "rumos do Brasil" ou a nova condição deles como "cidadãos", ou ainda o fato de supostamente eles terem se tornado seus "compatriotas".

A própria política deixa clara a situação, no que diz respeito à cidadania e à participação nas decisões do país. Não havia voto para os negros - que faziam parte da grande maioria dos analfabetos excluídos das eleições nos seus diferentes níveis. Então, pela lógica, se não soubessem ler, logo não poderiam votar, portanto, também não poderiam ser candidatos à nada! A exclusão fica mais visível se lembrarmos que cerca de 80 % da população brasileira no início da República eram analfabetos.

Alguns poderiam objetar que Nilo Peçanha era mulato e foi presidente do Brasil - ou melhor, era o vice que se tornou presidente no lugar de Afonso Pena. Tá, mas ele nunca pode assumir publicamente suas origens étnicas - além do mais, ele também sofria preconceito por parte da elite branca da "casa-grande", que o chamava de "presidente do morro do Coco" - bairro popular de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, onde nascera. Enfim, devemos lembrar também que ele foi eleito vice, só tendo assumido a presidência por causa da morte do titular, em junho de 1909. Fora isso, a cor predominante na política brasileira na República Velha ou após a Revolução de 1930 continuou sendo a "branca" - entre aspas porque teríamos que ocultar que parte dessa gente teve inevitavelmente origem indígena e negra. E é branca, em sua grandessíssima maioria, até hoje!

Mas, ainda sobre exclusão, como falamos também no vídeo abaixo, os negros nas grandes cidades brasileiras foram jogados às margens, ao que hoje denominamos "periferias" ou "favelas". Até recentemente, eles não tinham muito espaço nas universidades federais e estaduais, não assumiam importantes cargos privados ou públicos, não tinham cargos de chefia e não ganhavam a mesmo que seus colegas brancos. Coisas que mudaram um pouco, mas ainda permanecem muito distantes de uma inclusão em uma sociedade de iguais em direito - regredindo mesmo ao mínimo descuido ou como resultado de escolhas mal feitas.

Os negros sempre tiveram consciência de sua posição, impositivamente situada na sociedade. E por isso defendem seus espaços e relembram Zumbi, Palmares e os negros que vêm se destacando na luta contra o preconceito e a segregação. Segregação até hoje muitas vezes disfarçada e negada sob o pretexto da existência de uma "democracia racial". Todos contribuíram para a "formação da Nação" e os negros sabem que eles contribuíram com sangue, com a carne e com vidas, milhões delas! 

Por isso, volto a dizer que o Dia da Consciência Negra não é exatamente para os negros, mas SIM para os muitos que ainda se escondem por trás de epidermes brancas, que se sentem "abençoados" por isso, que ainda não entenderam que não existe raça superior, NÃO EXISTE NEM MESMO RAÇAS!

Assista ao nosso vídeo!
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terça-feira, novembro 20, 2018

VÍDEO: O que é escravidão? | da Antiguidade aos dias atuais [Jose A Fernandes]




Nesse vídeo procuro mostrar como a escravidão mudou ao longo dos séculos, desde que existe seres humanos na terra até as formas atuais de escravidão. 

Dou atenção especial para a escravidão negra no Brasil e nas Américas, procurando mostrar como se desenvolveram com o passar do tempo as ideias racistas e racialistas, que procuravam justificar a sujeição de alguns grupos classificados arbitrariamente como "inferiores" por outros que se auto-classificavam "superiores".

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Dica do blog:
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de Alberto da Costa e Silva
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* Postado originalmente em 8/jul/2018.

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sexta-feira, julho 13, 2018

Sobre a escravidão no Brasil


O tema desta postagem é a Escravidão no Brasil, que, embora seja muito importante, não é tratado adequadamente por professores e os alunos sabem muito menos. Sobre isso, gostaria de falar com vocês brevemente sobre algumas informações que passam batidas

Em primeiro lugar, nos tempos da escravidão, os negros eram conhecidos pelos nomes dos portos ou regiões africanos de onde vinham e não por suas etnias. Por exemplo, se fosse embarcado no porto de Benguela, se diria: "ah, fulano de tal é Benguela".


Além disso, eram batizados com novos nomes ocidentais, perdendo seus nomes originais, havendo assim ao longo de nossa história muitos Joãos, Marias, Fortunatas e Sebastiões.  


Um pouco mais polêmicos são os casos de alguns personagens lembrados constantemente quando se estuda o tema, como, por exemplo, Zumbi e Chica da Silva. A maioria dos livros didáticos que conheço esconde o fato de que essas duas pessoas, além de outras, conforme muitos pesquisadores, também tinham escravos. Não que devamos aqui denegrir suas imagens ou que seja missão do professor desconstruir esses heróis (o dia da morte de Zumbi, 20 de novembro, foi estabelecido como nosso Dia da Consciência Negra), mas acho que seria mais construtivo se abríssemos o jogo com os nossos alunos e abordássemos a questão com essas informações, que para muitos (inclusive para alguns professores) é nova.


Outro ponto polêmico é que a escravidão não é uma invenção ocidental, ela já era praticada entre os reinos e cidades africanos, inclusive entre aqueles convertidos ao Islamismo - assumindo claro formas diferentes ao longo da história. No caso africano já havia sim o comércio de escravos antes do contato com os europeus, se bem que em muitos reinos que assumiram o Islamismo como religião oficial houvesse espaço para os escravos em funções públicas e outros cargos burocráticos. 



Mercado de escravos no Yemen (1236-1237), Manuscrito árabe. 
Disponível no blog oridesmjr.blogspot.com.br

Sobre esses e outros aspectos da história afrodescendente brasileira e mundial podemos chamar a atenção ainda para outra questão que não é tradicionalmente abordada nas escolas: a das religiões e religiosidades originárias de várias etnias e reinos africanos. Neste caso, já está claro que na história que muitos de nós aprendemos há uma sobreposição das religiões dos povos "dominantes", sobretudo o Cristianismo e também, como mencionei antes, o Islamismo.


Assista ao nosso vídeo 


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Por último, como dica de leitura quero deixar o livro A Enxada e a Lança, de 
Alberto da Costa e Silva.


 livro a enxada e a lanca
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Foto do topo: Escravo de origem iorubá (grupo étnico da África Ocidental), com escoriações características. Foto de 1885, Coleção Tempostal, Salvador.

* Originalmente postado em 13/fev/2013.

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quarta-feira, novembro 20, 2013

Sobre o Dia da consciência negra


O que fazemos em relação à questão do preconceito no Brasil? Como pensamos a presença negra em nosso país, ontem e hoje? Veja o vídeo e comente!

quinta-feira, novembro 29, 2007

História e Cultura Afro-brasileira nas Escolas


Imagem retirada de cadernodia.wordpress.com


Matias Belido dos Santos (*)

Nos últimos anos o Brasil vem tendo um aumento significativo dos espaços destinados a temas que tratam sobre História Indígena e Cultura Afro-brasileira, principalmente, nos veículos de comunicação eletrônica.
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