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quinta-feira, maio 14, 2020

Chimarrão - por Glaucus Saraiva




Publicado em 1949, no Jornal do Dia, do Rio Grande do Sul, esse poema perfilha tradicionalismos, pra louvar o chimarrão e a Revolução de 1935 farroupilha.

Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata!
Tens o perfume da mata
Molhado pelo sereno,
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão,
Traduz no meu chimarrão
Em sua simplicidade
Da gente do meu rincão!

Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística selvagem,
Do feiticeiro charrua;
O perfil da lança nua
Encravada na coxilha,
Apontando, firme, a trilha
Por onde rolou a história
Empoeirada de glória
Da tradição Farroupilha!

Em teus últimos arrancos,
No ronco do teu findar,
Ouço um potro corcovear
Na imensidão deste Pampa!
Reboando nos confins
A voz febril dos clarins
Repinicando: "Avançar!"
Então me fico a pensar
Apertando o lábio assim
Que o amargo que está no fim,
Que a seiva forte que eu sinto
É o sangue de 35
Que volta verde p'ra mim!!!

Jornal do Dia (RS), 4 de novembro de 1949, p. 5 (disponível no site da Biblioteca Nacional Digital).


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segunda-feira, fevereiro 03, 2020

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quarta-feira, janeiro 01, 2020

Os primórdios da produção de erva-mate no Brasil e na América Latina | José A. Fernandes




Nesse texto eu gostaria de fazer uma viagem às origens da produção de erva-mate no Brasil e na América Latina, desde os primeiros séculos de contatos e conquistas dos europeus sobre os indígenas.

A erva-mate (Ilex paraguariensis) é nativa de algumas regiões da América do Sul, que se inserem atualmente em territórios de Brasil, Paraguai e Argentina. Os índios de língua guarani, que a chamam de ka’a, já a consumiam muito antes dos europeus, o fazendo originariamente em maior quantidade em contextos cerimoniais e religiosos, num tipo de chá estimulante que denominam atualmente de ka’ay

Ela também era utilizada por outros povos indígenas “para produzir bebidas semelhantes, inclusive entre comunidades originárias do Chaco e dos Andes, de onde a espécie não é nativa ou endêmica”, o que, segundo os pesquisadores Eremites de Oliveira e Esselin, sugere que desde muito tempo “a planta circulava em uma grande rede interétnica de relações sociais, a qual abrangia uma vasta extensão territorial na América do Sul”. 

Foi com os indígenas que, segundo os mesmos autores, os colonizadores europeus, espanhóis ou não, aprenderam a utilizá-la  e nos povoados constituídos majoritariamente de indígenas, “logo os espanhóis e seus descendentes euroamericanos aprenderam a preparar e a tomar gosto pelo consumo da bebida, afastando-se, porém, do contexto ritualístico no qual era mais consumida”, mantendo, por outro lado, seu consumo como elemento de sociabilidade e solidariedade entre as pessoas. 

Além disso, a erva-mate foi se tornando ao longo dos séculos XVII e XVIII fonte importantíssima de renda para muitos comerciantes que afluíam às regiões de ervais, como a Província do Guairá no século XVII, por exemplo. Com a organização da produção em moldes comerciais ao longo dos seiscentos, o consumo se estendeu às margens do Prata, transpôs os Andes e chegou às regiões minerais de Potosí e até ao Chile, Peru e Equador.


Segundo Corrêa Filho escreveu em 1957, tomando apenas a cidade de Assunção, hoje capital do Paraguai, como exemplo - embora sendo apenas o que foi oficialmente registrado -, em 1620 teriam sido consumidas entre 14 e 15 arrobas de erva-mate. Além disso, estava entre os produtos embarcados desde Assunção, embalada em cestos diretamente ligados à maneira indígena de transportá-la, tornando-se então a atividade econômica colonial mais significativa da Província do Guairá, explorando em números e níveis crescentes a mão de obra indígena local, o que ocorria através de trabalho forçado, sendo por vezes os índios mal alimentados pelos espanhóis e, como se vê relatado em carta ânua do padre Nicolau Durán de 1628, ao comentar sobre a produção de erva-mate em Maracayu, “sin premio ninguno, y quando mucho le dan dos baras de lienzo a cada uno”.

Aliás, comentando o genocídio Guarani ocorrido na região missioneira de forma ampla, Bartomeu Meliá destacou em texto de 1997 como fator a contribuir para isso o modo de trabalho, daí mencionar os ervais de Maracayu  particularmente, para onde eram levados os índios do Guairá. Sobre isso evoca o testemunho de Montoya de 1639, onde este diz que “Tiene la labor de aquesta yerba consumido muchos millares de indios, testigo soy de haber visto por aquellos montes osarios [ossadas] bien grandes de indios”. E igual fato já era acusado em 1630, em resposta dada pelos índios de Santo Inácio aos padres Joseph Cataldino e Cristoval de Mendiola, quando esses lhes comunicaram as provisões reais em que se mandava aos índios que não servissem mais que dois meses, nem fossem levados à Maracayu na estação doentia – documento que foi acompanhado do testemunho de vários padres jesuítas (esses documentos constam em uma coletânia de CORTESÃO de 1951).

Claro que esse recrutamento ocorria por meio da violência, com mortes, rapina, roubo de pessoas, etc. O que não ocorria, por outro lado, sem resistência e enfrentamentos, sendo que no caso do Guairá, os confrontos com os indígenas provocavam baixas dos dois lados (no caso dos indígenas também pelas doenças). Situação que no início do século XVII já havia feito os espanhóis pedirem, através do Governador da Província do Paraguai, Hernando Arias de Saavedra (mais conhecido como Hernandarias), ao rei da Espanha a vinda de sacerdotes, com o fim de catequizá-los e evangelizá-los, quebrando assim sua resistência. Foi então criada, segundo Eremites de Oliveira e Esselin, a Província Jesuítica do Paraguai, em 1609, cuja área jurisdicional religiosa compreendia, grosso modo, o antigo Vice-Reinado do Prata e os atuais territórios do Paraguai, sul da Bolívia, Uruguai e parte do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e parcela de Mato Grosso do Sul e São Paulo). Logo de início os religiosos ali fundaram em torno de 13 reduções, localizadas no atual oeste do Paraná e proximidades da Ciudad Real del Guayrá.

Interessante é dizer que o consumo de erva-mate de início não era aceito pelos padres, sendo visto como “coisa do diabo”, ligando-o, entre outras coisas, ao pecado da gula, por estimular o apetite, ou à vadiagem, como afirmava o padre Durán em sua carta ânua de 1628, dizendo com suas próprias palavras que “esta hierva haze a los hombres araganes y glotones”. Ou ainda podendo levar à depravação dos costumes “devido a supostos efeitos afrodisíacos da planta”, como afirmava o padre Antonio Ruiz de Montoya. Não podendo os nativos continuarem utilizando uma bebida que, segundo esse último, além dos supostos malefícios à saúde, teria sido recomendada pelo demônio, através “de un gran hechicero o mago qe. tenia trato con el demonio” (esse e outros documentos foram reunidos por Cortesão, a partir dos arquivos Angelis).

Com as reclamações dos padres a respeito do uso da erva-mate, as autoridades coloniais chegaram a reagir e tentaram proibir o seu consumo, criando o mesmo governador Hernandarias ordenanças que previam multas e prisão a quem produzisse, vendesse ou mesmo consumisse. Segundo relato do padre Jose Guevara, o mesmo governador teria demonstrado “conmiseracion con los índios” pela situação que viviam e a forma como trabalhavam, tendo em certa ocasião, quando navegava o porto de Buenos Aires, saltado em terra e queimado em praça pública um saco da tal erva do Paraguai, dizendo “no estrañeis esta demonstracion, porque á ella me mueve el grande amor que os profeso, pues oigo, que me disse presagioso el corazon, que esta yerba será la ruina de vuestra nación”.

Mas a resistência não durou muito, sendo que tempos depois a erva-mate assumiria grande importância na manutenção econômica da região das Missões, em áreas que incluem atualmente territórios de Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina – pelo menos até as mesmas serem atacadas e destruídas pelos bandeirantes paulistas. Nisso pesou para os padres, de certa forma, a questão social e cultural dos indígenas, vendo na erva-mate uma forma de combate ao alcoolismo entre os nativos. Mas, por outro lado, teve um peso importantíssimo também a questão econômica, rendendo-se os padres à sua produção, incluindo o plantio das erveiras com técnicas misteriosas , “começando a organizar a produção comercial ervateira nas reduções situadas na Serra de Maracaju e no Guairá”, sendo que, segundo Eremites de Oliveira e Esselin, somadas às produções feitas dentro e fora das reduções jesuíticas, “o Paraguai tornou-se o principal fornecedor de erva-mate na bacia platina”.

No século XVII, estimulada por preço compensador (de início), a produção alcançou volumes consideráveis. A produção dos padres, em 1620, ficou em torno de 50 mil arrobas, sendo 10 mil vendidas em Assunção e as demais seguindo para os mercados de Santa Fé e Corrientes. Mesmo com uma rápida queda nos preços, segundo relato de Montoya, a exportação não teria esmorecido, sendo que Azara relatou depois que, no século XVIII, “Se ha estendido tanto el uso de esta yerba, que se lleva mucho á Potosi, Chile, Peru e Quito; el año de 1726 se estrayeron del Paraguay 12.500 quintalles  de ella, y el de 1798, 50.000”.


Tal era a importância da erva-mate, que chegou a figurar nas questões envolvendo o Tratado de Madri, tendo inclusive o padre Escaudon condenado a cessão a Portugal do território missioneiro, dos Sete Povos, em troca da colônia de Sacramento, afirmando que 

(...) con solo el beneficio de yerba que harán los dichos Portugueses em los yerbales con que ciertamente se quedan de los índios Guaranís, y con la yerba ‘caamini’ que harán con ellos y con la de ‘palos’ de que pueden hacer aún mas en los propios yerbales, harán un gravisimo daño y notabilicismo prejuicio à toda la dicha provincia del Paraguay.

E de maneira geral, os padres continuaram explorando a erva-mate, até serem expulsos da América Portuguesa pelo Marquês de Pombal em 1759 e da Espanhola em 1767, quando então o mate passou a ser explorado exclusivamente por particulares. Foi então que as plantações missioneiras foram arrasadas e saqueadas, em decorrência da desenfreada ambição de indivíduos da época, cujo único fito era a obtenção de fáceis e elevados lucros. Essa ação nefasta de mutilação redundou em diminuição da quantidade produzida, pois, em virtude do abandono completo dos ervais, só restaram pequenas manchas de plantação.

Como resultado, a mesma perdeu um pouco de sua significância comercial, diminuindo, sobretudo e pelos motivos apontados, nas regiões de missões jesuíticas. Continuou então como importante produtor de erva-mate o Paraguai, só tendo este baixado a produção após sua independência em 1811, quando o governo de José Gaspar Rodríguez Francia (1811-1840) adotou um forte isolacionismo. Segundo Luiz Aranha escreveu em 1969, foi assim que ele proibiu em 1813 a venda aos demais países, “destinando-a exclusivamente ao mercado interno”, se consolidando o país guarani como maior produtor durante o governo de Carlos Antonio López (1840-1862), o pai de Solano. 


Já na parte referente ao Brasil, a erva-mate voltou a ter grande importância apenas a partir de inícios desse mesmo século XIX, com o isolacionismo paraguaio, mas, sobretudo, durante e depois da Guerra do Paraguai, quando o país guarani perdeu o espaço que antes tinha no mercado internacional, fazendo os dois grandes centros consumidores – Argentina e Uruguai – se voltarem para a produção brasileira. 

Segundo Aranha, a partir de 1831 a erva-mate passou a figurar entre os oito principais produtos da pauta de exportações do Brasil, sendo que teria havido um desenvolvimento da produção ervateira no mesmo período em que o café, um dos concorrentes do mate, começou a tomar vulto como principal produto de nossa pauta de exportações, afirmando o autor que as estatísticas do comércio exterior mostram que a partir de 1831, a produção cafeeira e ervateira passaram a conquistar o mercado externo. 

Dirigiram-se porém a áreas diferentes. Enquanto os principais compradores de café encontravam-se na Europa, fornecendo ao Brasil maior capacidade de importar junto aos países industrializados, particularmente a Inglaterra, França e Alemanha, a erva-mate destinava-se aos mercados sul-americanos: Uruguai, Argentina e Chile, principalmente (ARANHA, 1967, p. 13). Mas, o que vem daí em diante é um novo momento para a economia ervateira (brasileira, sobretudo), por isso, deixemos para um outro texto.


Assista ao nosso vídeo sobre a história do mate do séc. XIX à década de 1930:
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Referências:


  • ARANHA, Luiz Fernando de Souza. O mercado ervateiro. São Paulo: Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas/Universidade de São Paulo, 1967. 
  • CORRÊA FILHO, Virgílio. Ervais do Brasil e ervateiros. Rio de Janeiro: SAI, 1954.
  • EREMITES DE OLIVEIRA, Jorge; ESSELIN, Paulo Marcos. Uma breve história (indígena) da erva-mate na região platina: da Província do Guairá ao antigo sul de Mato Grosso. Espaço Ameríndio, Porto Alegre: v. 9, n. 3, jul-dez./2015. Para fazer download esse documento, clique aqui.
  • CORTESÃO, Jaime (org.). Manuscritos da coleção Angelis - Jesuítas e bandeiras no Guairá. vol. I. Biblioteca Nacional, 1951. Para fazer download esse documento, clique aqui.
  • MELIÁ, Bartomeu. El guaraní conquistado y reduzido. CEADUC, 1997. Para fazer download esse documento, clique aqui.
* postado originalmente em 28/dez/2019.

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terça-feira, dezembro 17, 2019

VÍDEO: Breve História da Erva-Mate - do séc. XIX à década de 1930 | José A. Fernandes




A erva-mate foi muito importante na formação e desenvolvimento inicial de quatro estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso), foi um dos oito principais produtos de exportação brasileira e tem voltado nas últimas décadas a gerar interesse na sua produção, industrialização e comércio. 

Por isso fiz esse vídeo, que conta um pouco da história da erva-mate desde o século XIX até a década de 1930, momento em que já se acumulavam diversos problemas que levariam à criação de órgãos de classe e finalmente o Instituto Nacional do Mate em 1938.

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terça-feira, novembro 26, 2019

VÍDEO: O Instituto Nacional do Mate e a economia ervateira brasileira | José A. Fernandes [minha tese]




Aproveitando que terminei meu doutorado, compartilho com vocês essa palestra de setembro de 2019, parte do CONAMATE, onde falei sobre o tema principal da minha tese: o Instituto Nacional do Mate e a economia ervateira brasileira.


Assista:
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terça-feira, julho 02, 2019

Os trabalhadores do mate: entre imagens reais e ideais | José A. Fernandes



Talvez você já tenha visto alguma propaganda positiva sobre determinado produto, que no fundo não condiz com a realidade dos seus trabalhadores. Esse foi o caso do mate por muito tempo, conforme poderemos observar em duas imagens icônicas nessa postagem.

Pare para observar as duas imagens seguintes: uma da década de 1940, idealizada, perfeitamente harmoniosa e outra, da realidade, nua e crua, de um trabalhador nos ervais do antigo sul de Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul), nas primeiras décadas do século XX.


Essa primeira imagem circulou em algumas edições do jornal O Campo, do Rio de Janeiro, na década de 1940. Trata-se da reprodução de uma tela de grandes proporções de F. Acquarone, pintada sob encomenda do Instituto Nacional do Mate (1938-1967), para decorar seu salão de honra na antiga capital do país.

Essa cena "típica dos ervais", pretendia mostrar a colheita do mate nos estados do sul do Brasil, revestindo-se, segundo a legenda da edição de março de 1943 do jornal mencionado, "às vezes, de aspectos inconfundíveis".



Só pelo fato de ter sido encomendada por uma instituição nacional, que esteve no controle da economia ervateira por 29 anos, já é por demais significativo. Essa autarquia federal sabia das condições reais dos trabalhadores do campo - no caso, os da erva-mate -, mas, como foi praxe durante muito tempo no Brasil, eles não receberam muita atenção dos órgãos federais, ao contrário do que ocorreu com os trabalhadores da cidade. O próprio Instituto do Mate pouco fala dos trabalhadores dos ervais, tratando em seus documentos apenas dos "produtores", que nem sempre eram os que realmente trabalhavam diretamente o mate. 


Mas, passemos para a próxima imagem. Nela se vê um trabalhador (provavelmente paraguaio ou indígena), carregando o famoso raído (fardo enorme de erva-mate) que transportava dos pontos de corte e sapecamento até os chamados barbacuás (onde ela era seca definitivamente). Ele carregava na cabeça, como o nosso modelo da foto, que fez exibição para pessoas importantes que visitavam a fazenda Campanário, sede da famosa Companhia Mate Laranjeira. 

Bom, alguém poderia dizer: "mas a primeira foto era do sul do Brasil, onde os colonos europeus chegaram, construíram de forma mais organizada e onde - também de forma organizada - trabalharam com as suas famílias. Não é a mesma coisa!". 

Devo então ser chato (só um pouco) com meus amigos do sul. É preciso que se saiba que os colonos europeus que chegaram ao Rio Grande do Sul, ao norte de Santa Catarina ou ao Paraná, aprenderam a trabalhar a erva-mate sim, mas logo que podiam contratavam os caboclos, antigos moradores da região, que já conheciam bem a planta, para fazerem o serviço nos ervais. Restava então aos colonos europeus organizar a extração e vender o mate. 

Claro que não foi esse o caso de todos os colonos do sul do país. Muitos deles também embrenharam-se na mata, por entre os pinheiros, correndo os riscos que a "selva trágica" dos ervais ofereciam. 

Mas (e esse é o último "mas"), quando falarmos de realidade dos ervais (incluindo a realidade da produção do nosso querido chá Matte Leão), devemos ter mais em mente a segunda imagem. Assim, faremos melhores honras aos que produziram e ajudaram a engrandecer a história do "ouro verde" do Brasil. 

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* Originalmente postado em 30/jan./2018.

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quarta-feira, maio 30, 2018

VÍDEO: Meu Livro | Erva mate e Frentes Pioneiras [José A Fernandes]



Preparamos um vídeo sobre o nosso livro. Saiba mais sobre ele assistindo!

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quarta-feira, maio 09, 2018

VÍDEO: O Instituto Nacional do Mate e o aproveitamento da erva-mate brasileira [José A Fernandes]


No dia 5 de maio estive apresentado trabalho na Semana Acadêmica de História da FURB, de Blumenau-SC. Quem quiser dar uma olhada, segue o vídeo.

:: Resumo:

A erva-mate foi produto de grande importância na história dos três estados do Sul do Brasil e do antigo sul de Mato Grosso desde meados do século XIX até a década de 1960 do século XX. Nas primeiras décadas desse último século diversos problemas, sobretudo de mercado, de preços e de superprodução atingiam a economia ervateira. Tais problemas motivaram então a criação do Instituto Nacional do Mate (INM) em 1938, no início do Estado Novo de Getúlio Vargas. 

Essa autarquia é o objeto de nossa pesquisa de doutorado em andamento, onde estudamos sua trajetória e suas ações sobre a economia ervateira do Brasil até sua extinção em 1967. 

Nesse sentido, esta nossa apresentação toma um ponto especifico de mesma pesquisa, onde buscamos tratar e analisar as principais formas de aproveitamento da erva-mate que foram incentivadas pelo Instituto. Tomamos em consideração o que já existia em termos de produtos e subprodutos (chimarrão, tereré e, de forma incipiente, o chá) e procuramos entender o que de novo resultou dos estudos e das ações promovidos pelo mesmo durante o tempo em que existiu, seja o aproveitamento das substâncias extraídas (especialmente a cafeína do mate), seja a criação de subprodutos (especialmente o mate solúvel).

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domingo, janeiro 28, 2018

Um poema ao chimarrão - por Glaucus Saraiva




Palmeio o velho porongo
derramo a erva com jeito
encosto a cuia no peito
batendo a erva prá um lado;
com os quatro dedos curvados
formo um topete bem feito.

Com um poquito de água morna
bem devagar despejado,
tenho o amargo ajeitado
que ponho a um canto pra inchar;
e espero a água esquentar
pitando o baio sovado.

A pava chiou no fogo.
Encho a cuia que promete;
a espuma se arremete
bem pra cima, borbulhando,
e acariciante, beijando,
branqueia todo o topete.

Agarro a bomba de prata,
tapo o bocal com o dedão,
calço o bojo bem no chão
da cuia e vou destapando
a bomba que vai chupando
um pouco de chimarrão.

Derramo outro pouco d'água
para aumentar o calor...
e o mate confortador
vou sorvendo em trago largo,
pois me saiu um amargo
despachado e roncador.


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domingo, agosto 30, 2015

Para que serve erva-mate?





É engraçado quando digo que estudo ERVA-MATE e as pessoas me olham tentando achar algo familiar ou serem simpáticas dizendo algo a respeito. Por isso, acho que vale algumas palavras sobre seus usos.

Assim como sempre é lembrada, aliás como sendo sua forma mais tradicional, erva-mate é consumida como chimarrão, tipo de mate quenta consumido por meio de uma cuia e uma bombilha. Mas nos estados quentes do Brasil, como Mato Grosso do Sul, ela foi adotada pelos não índio (que aprenderam com os indígenas) como tereré, tipo de mate gelado, tomada de modo semelhante ao chimarrão.


Chimarrão, com cuia, bomba e erva **
  
Mas a erva-mate já foi e é objeto de experimentos e usos diversos. Alguns já tentaram a fabricação de mate em forma de refrigerante gaseificado, por exemplo. É o caso da Cervejaria Corumbaense, de Corumbá, MS, onde era fabricado na década de 1950 um refrigerante à base de mate denominado "Mate Chimarrão”, que segundo dizia o Instituto Nacional do Mate, era "o que de melhor se conseguiu fazer até hoje [1956], no gênero, não só pelo seu agradável sabor, como pela sua magnífica apresentação".



Outro subtipo era o mate solúvel, tendo existido ao longo do século XX, fábricas nos 4 estados produtores de erva-mate (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso), sendo muito comentado e estudado por quem se dedicou ao mate industrializado.

No mesmo sentido, surgiu e se fixou o chá tostado ou mate queimado (tipo Matte Leão). Esses últimos ganharam ao longo dos anos versões misturadas, como o mate com leite que pode ser consumido em alguns lugares, como na franquia Casa do Pão de Queijo, por exemplo. Das misturas também se acha com canela, pêssego, limão, entre outras. Em termos amplos, é hoje o tipo mais popular de consumo de mate.

Ainda sobre o mate tostado, há tempos tipos gelados podem ser consumidos nas praias do Rio de Janeiro (e outras), em quiosques e vendedores ambulantes. Daí surgindo ainda bebidas de mate como uma marca recente do grupo Viton 44, chamada Matte Viton - que patrocina times e atletas cariocas.



Além dos produtos propriamente, a mateína, substância extraída do mate, há tempos vem sendo cobiçada por algumas grandes companhias, como a Coca-Cola, que por sinal comprou a marca Matte Leão

E hoje temos também empresas que usam erva-mate para fabricar cosméticos (shampoos, cremes, etc.), xaropes para fins farmacêuticos e já comprei (embora artesanal) licores de erva-mate. Especificamente sobre cosméticos, um exemplo é o da Natura, com os produtos da série Ekos, que incluem colônia, shampoo e creme de barbear à base de mate.



Por último, é interessante dizer que ao longo do séculos XIX e XX muitos estudos foram feitos, incluídos em ações de propaganda, onde se buscava mostrar que o mate tem propriedades medicinais ou no mínimo ações ativas no organismo, servindo, por exemplo, como diurético e organizador da flora intestinal. Bom, mas à quem isso interessar, fica para uma próxima postagem.


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* Montagem do topo a partir de imagem retirada do site ervamatecoresabor.com.br.
** Foto chimarrão retirada do site boaformaesaude.com.br.
*** Foto do Fluminense: Matheus Frigols / GE.com.

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