Elvis no Coliseu ou o show que eu quase fui | Cleveland, 10 de julho de 1975 ~ Identidade 85 ::

quarta-feira, julho 17, 2019

Elvis no Coliseu ou o show que eu quase fui | Cleveland, 10 de julho de 1975




Quem me conhece sabe que sou muito fã de Elvis; sabe também que coleciono itens sobre ele. Nessa postagem quero usar a minha imaginação e falar um pouco de um show que eu "quase fui": Coliseu de Cleveland, 10 de julho de 1975.

Eu sei, você vai dizer: "como assim, você não poderia ter ido a um show dele, você nasceu em 1985, ele morreu em 1977, o show foi dois anos antes dele partir"... Sim, eu infelizmente sei disso. Mas, eu recentemente comprei um item para a minha coleção que toda vez que eu olho me transporta para aquela noite de 10 de julho. Eu comprei um ingresso, usado por um sortudo para entrar nesse show. 


O ingresso

Juntando ele a algumas coisas que consegui encontrar na internet (salve a internet!), eu me permito imaginar como se eu estivesse lá, talvez com uns vinte e poucos anos na época, vivendo a década tão mágica e fascinante que foi a de 1970. Ao fechar os olhos, posso me ver na fila, esperando e logo em seguida entrando no ginásio, palco de grandes shows, além de ser a casa da equipe de basquete do Cleveland Cavaliers. 


O Coliseu

Mas naquela noite o Coliseu era só de Elvis. É como se eu pudesse sentir a energia, gente nova e gente da velha guarda de fãs chegando aos montes. Fãs fieis e jovens curiosos pra ver o eterno Rei do Rock. Os portões abrem as 19h, mas chego bem cedo pra não ter que esperar tanto. Me vejo em meio a multidão, espero um tempo, aproveito para comprar um poster bem grande pra trazer na mala como souvenir. Entro e vou logo procurando pelo acento 15 da fila K. Não demora muito e passa um vendedor, compro uma pipoca e uma Pepsi bem grande, porque quando sentar, não vou mais sair do meu lugar.



A turnê é ótima e esse show não seria diferente. Depois de esperar ansioso, Elvis sobe ao palco vestido seu macacão branco com uma fênix preta, para o delírio da multidão e sob uma chuva de flashes das câmeras. Depois da introdução da banda com Also Sprach Zarathustra, ele começa a cantar o clássico See See Rider. Continua com I Got Woman/Amen, com o fundo rouco do poderoso baixo de J.D. Summer. Logo em seguida dá uma palavrinha com a plateia, que responde entusiasmadíssima.


 

As próximas músicas ficam entre a paixão e o clamor desesperado: Love Me, If You Love Me Let Me Know e a também clássica Love Me Tender. Segue ele depois com uma mais animada, é a vez de All Shook Up. Para não perder o embalo, faz logo um medley de Teddy Bear e Don't Be Cruel. Depois dele, pra balançar geral manda a poderosa Steamroller Blues. Para mais um pouco para conversar com a plateia, que continua animada, e canta logo em seguida a linda The Wonder Of You. A próxima da lista é Burning Love, que recebe uma versão animada e digna, apesar de alguns erros na letra (mas quem liga?!). 



É hora de dar uma nova pausa e desta vez introduzir o grupo, intercalando com versões de mais ou menos completas de Johnny B. Goode, Hail Hail Rock and Roll e T.R.O.U.B.L.E.. Em seguida, J.D. Summer e os Stamps fazem uma versão linda de Why Me Lord, com Elvis apenas acompanhando. Aliás, por falar em música gospel, Elvis emenda uma versão sublime de How Great Thou Art, que ganha um igualmente lindo bis do refrão. 



O show já se adiantava quando Elvis canta Let Me Be There, seguida de Funny How Times Slips Away. Essa última me faz imediatamente lembrar de Elvis no premiado especial Elvis On Tour, outro momento memorável do senhor Presley. Mas, voltando ao show, ele dá uma animada com Little Darlin' e segue a mesma pegada com Mystery Train/Tiger Man - essa última com a força de James Burton na guitarra, que lembra vagamente as tantas vezes que a executou, ficando registrado especialmente no eletrizante That's The Way It Is



A essa altura todo mundo naquele lugar já havia tido uma experiência maravilhosa, estamos com os olhos marejados, como se tivesse caído uma "chuva de ciscos". Não faltariam memórias. Ninguém queria ir embora, só que como tudo tem um fim, Elvis agradece à platéia, recomenda que todos "tenham cuidado ao voltar pra casa" e canta Can't Help Falling In Love. Anda pelo palco, acena, joga scarfs como de costume e sai, deixando uma multidão maravilhada... 



Voltando à vida real, eis algumas informações sobre esse show são interessantes. A primeira é que todas as fotos dessa postagem são dessa apresentação. Outra coisa é que, infelizmente, a RCA, gravadora de Elvis, não fez registro dessa noite, como fez de tantos outros shows, restando apenas uma gravação de plateia lançada em bootleg (disco pirata), com som muito ruim, alguns anos atrás. 

A capa do bootleg lançado pela PA

Uma filmagem curta do show pode ser vista no vídeo abaixo.


Outra coisa é que, também infelizmente, o Coliseu já não existe mais. Ele foi demolido em 1999, o que nos deixa sem qualquer possibilidade de ir até lá algum dia conhecer o local do show, onde não restou nem uma placa indicando que ali foi palco de grandes espetáculos, como esse nosso. Imagens da demolição podem ser vistas no vídeo abaixo.


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