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Desenho conceitual de História | TRINCHEIRAS [sugestão de atividade avaliativa]

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sábado, maio 18, 2019

LANÇAMENTO! O lugar central da teoria-metodologia na cultura histórica, do professor José Carlos Reis




Acaba de ser lançado o livro O lugar central da teoria-metodologia na cultura histórica, do professor José Carlos Reis, pela editora Autêntica.

Nesta obra, o objetivo de José Carlos Reis é demonstrar que a história é, primeiro, “teoria”, no sentido estrito – epistemologia, metodologia, gnosiologia, ontologia, ética, política, estética, linguística – e só depois, a partir de escolhas, decisões, definições, seleções, reflexões e construções teóricas, é crítica documental. Para o autor, o lugar da teoria-metodologia é central na cultura histórica porque o nome “historiador” requer uma qualificação, pois dizer “eu sou historiador” não é suficiente para definir a sua identidade. 

O interlocutor perguntará: historiador de que tipo, de qual tendência, em que perspectiva? Toda obra histórica é uma “teoria” em movimento, implícita e realizada, mesmo quando não explicitada. A escrita histórica sempre teve, tem e terá “partidos”, pois é fundamentada em problemas, hipóteses e valores, que se enfrentam e se combatem em “regimes de historicidade” e “regimes de verdade” históricos.



José Carlos Reis é historiador e filósofo, licenciado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (1981), mestre em Filosofia (1987), licenciado e doutor em Filosofia pela Université Catholique de Louvain (Bélgica, 1992), pós-doutor pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris, 1997), pós-doutor pela Université Catholique de Louvain (Bélgica, 2007). Atualmente é professor associado do Departamento de História da UFMG. 

Além de artigos em revistas especializadas de história e filosofia, já publicou os seguintes livros: Nouvelle Histoire e o tempo histórico: a contribuição de Febvre, Bloch e Braudel (Annablume, 2008), História, a ciência dos homens no tempo (Eduel, 2010 [Papirus, 1994]), Escola dos Annales, a inovação em história (Paz e Terra, 2000), As identidades do Brasil – De Varnhagen a FHC (FGV, 9. ed. 2007), Wilhelm Dilthey e a autonomia das ciências histórico-sociais (Eduel, 2003), História & teoria: historicismo, modernidade, temporalidade e verdade (FGV, 2003), A história entre a filosofia e a ciência (Autêntica, 2004).


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quarta-feira, maio 15, 2019

ATIVIDADE: Desenho conceitual de História | TRINCHEIRAS [sugestão de atividade avaliativa]



Uma das reclamações recorrentes dos alunos em relação à História é quanto ao modo "tradicional" como os professores dão suas aulas. Por isso, selecionamos uma alternativa lúdica, que pode ajudar a despertar um pouco o interesse deles pela matéria.

Sabemos que existem várias formas de fugir da rotina de sala de aula, coisas que muitos professores já usam há anos, tais como ir a museus, visitar locais históricos e feiras temáticas - como as de livros que ocorrem na própria cidade ou em cidades vizinhas. Dentro da própria escola, os professores com frequência fazem uso também de vídeos documentários e slides elaborados de acordo com o conteúdo da vez. 

Além desses, uma das formas como o professor pode ser "diferente" é trabalhar com imagens, nesse caso desenhos produzidos pelo próprios alunos. Isso não é nenhuma novidade, mas é sempre bom expormos o que fazemos, sempre com o objetivo de ajudar novos e "velhos" professores no seu dia a dia.

Então vejamos uma possibilidade. Eu tenho trabalhado a produção de desenhos com meus alunos e posso dizer que tem gerado resultados interessantes. Mas, para que funcione, a nosso ver, o professor precisa ser criterioso e dar muita atenção a cada um no processo de elaboração dos desenhos. O que ocorre, às vezes é de os alunos se perderem, fazerem qualquer coisa que lhes vêm à cabeça, sem conteúdo, sem cuidado, incluindo elementos que não fazem parte do momento histórico que estão retratando. 

Por exemplo, trabalhei recentemente com meus alunos de 9ºs Anos o tema trincheiras na Primeira Guerra Mundial. Eles tinham que fazer um desenho conceitual, onde deveriam retratar algumas situações, ou subtemas, tais como "vida", "morte", "doença" e "dia a dia". Cada um desses pontos requereu certos cuidados, a fim de não incluir na imagem elementos que fossem anacrônicos, que não existissem na época, que fossem de outro momento histórico. É importante também procurar evitar simples cópias do livro, pedindo que criem seu desenho, ainda que partam de imagens que tenham à disposição.

Além disso, como todos nós um dia aprendemos nas aulas de Arte, os desenhos não podem "estar soltos" no espaço, ou seja, precisam ter contexto, ter plano de fundo. Outra coisa, desenhos, para ganharem mais vida, precisam ser pintados. Enfim, boa parte dos meus alunos conseguiram mostrar o que haviam entendido sobre trincheiras e consequentemente conseguiram compreender melhor um momento chave da Primeira Guerra Mundial.

Claro que é sempre bom criar uma finalidade para o desenho, para não ser apenas uma obrigação sem "retorno". Ou, pior, ser apenas uma oportunidade deles matarem tempo. Por isso, criei um concurso, onde os cinco melhores desenhos, de acordo com votação de todos na classe, ganhariam uma quantidade de pontos em algum dos trabalhos avaliativos do trimestre (sistema que aqui em Santa Catarina substituiu o bimestre).

Autor: Maria Clara Borges de Medina

Pra mim isso tem funcionado bastante (como podem ver nas duas fotos que compartilho junto com essa postagem). Espero que ajude como sugestão. Mas e pra você que já está a mais tempo na área, que já usou dessas e outras ferramentas, tem alguma experiência do tipo? Comente e compartilhe suas vivências.

Dica de livro:
 livro primeira guerra
Margaret MacMillan

* Imagem da capa de autoria de Sara Letícia Teixeira da Costa.

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quinta-feira, maio 09, 2019

Indústrias no Brasil Colônia | por José A. Fernandes


Rugendas
 
Sabemos que o Brasil, há tempos atrás, era apenas um grande exportador de matérias primas, tendo passado por alguns ciclos ao longo de sua história econômica. Disso não saiu por uma série de entraves, que só bem tarde foram sendo superados.

Desde que começou a figurar entre os europeus, o que passou a se chamar "Brasil" vem vivendo momentos em que os produtos exportados se sucedem em importância. A começar pelo pau brasil, seguimos com grandes exportações de cana de açúcar, fumo, cachaça, algodão e café (com mais conhecido destaque para esse fruto da rubiácea) - ganhamos também visibilidade com a grande exportação de ouro.

Assim, tomando o que nos diz Roberto Simonsen, um autor muito conhecido entre os historiadores econômicos, em seu História Econômica do Brasil, vemos que "na era colonial, afora os estaleiros navais, que os houve, importantes e produtivos, e os engenhos, rara foi a indústria instalada no país"


Debret
Escravos carpinteiros. Gravura de Jean Baptiste Debret.

Os governantes portugueses proibiam tudo que pudesse significar concorrência. No século XVIII foram os ourives, "para evitar o contrabando do ouro ou a exportação das moedas". Depois foi a vez das indústrias e fábricas do país, proibidas por um decreto de 1785 da rainha D. Maria (a mesma que viria a ser conhecida pela alcunha de A louca). 

Nesse caso das indústrias, a ideia era a de não distrair os braços da lavoura e, assim, também, assegurar uma diferenciação na produção entre a Metrópole Portugal e a Colônia Brasil. O que queriam os governantes portugueses era garantir que seus produtos industriais tivessem mercado por aqui.  


ouro
Barras de ouro do Brasil Colônia

A situação do Brasil só começaria a mudar a partir do século XIX, com a vinda da família real para o Brasil. Ainda assim timidamente, como podemos ver depois com a sobrevivência do sistema monocultor e a predominância dos produtos primários para exportação em relação ao consumo interno. Neste mesmo século e começo do XX o produto da vez viria a ser o café, que aliás teria papel importante na criação de indústrias no Sudeste brasileiro.

  Rugendas
Moenda de cana. Gravura de Jean Baptiste Debret.
O fato é que, enquanto estivemos dominados pelos portugueses, não houve condições para o desenvolvimento de uma industrialização nacional. Claro que, mesmo "libertos" de Portugal, o entrave viria depois da Inglaterra, embora em outras condições.

E durante todo esse período, nossos índios e negros (sobretudo o segundo grupo) serviram como mão de obra para grandes produções, enquanto os nossos "empresários" se preocupavam com a organização, controle ou em agir como intermediários entre o que era produzido e a venda aos compradores e companhias de comércio.

De qualquer forma, já na segunda metade do século XIX as coisas começariam a mudar. Mudariam inclusive no que diz respeito aos trabalhadores, que começaram a somar os imigrantes, cada vez em maior número, tendo em vista aí o processo de extinção da escravidão, sobretudo a partir da proibição do tráfico negreiro em 1850.

* Originalmente postado em 17 de novembro de 2012.


** Imagem do topo: Moenda de cana. Gravura de Johann Moritz Rugendas.


Referência:

Roberto Simonsen - História Econômica do Brasil. 6 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1969.


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quarta-feira, maio 08, 2019

Sobre 13 de maio e o fim da escravidão: imagens de outras épocas


   
Bom, já que no dia 13 de maio rememoramos o dia em que o Brasil, por meio de um ato simbólico da Princesa Isabel, resolveu se desfazer de seu sistema escravista, resolvi selecionar algumas imagens que mostram desde algumas situações do dia a dia do escravo até os momentos de alegria da assinatura da Lei Áurea e as manifestações em público no Rio de Janeiro, capital do Brasil na época.



Escravo de ganho na cidade de Rio de Janeiro, 1865. Sem dados de origem/Domínio público.

Escravos numa plantação de café - Marc Ferrez, c. 1882//Domínio público.

Escravos brasileiros II. Henry Chamberlain/Domínio público

Escravo brasileiro, 1865. Sem dados de origem/Domínio público.

Mulher escrava, c. 1870/1880, Brasil. Marc Ferrez/Domínio público..

Sessão para aprovação da Lei Áurea na Câmara,10/05/1888. A. Luiz Ferreira/Domínio público.



 Maio de 1888, prédio do jornal O PAIZ. Luiz Ferreira/Domínio público.
 13 de maio de 1888, Povo no paço. Luiz Ferreira/Domínio público.

Dica do blog:
 livro visoes da liberdade

Sidney Chalhoub

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Algumas fontes:


domingo, maio 05, 2019

Leva - Tim Maia (letra e música)



Uma das músicas mais lindas gravadas pelo síndico Tim Maia. Composição de Paulo Massadas, ela fez parte do álbum "Tim Maia - vol. 9" de 1985, por coincidência o ano em que este blogueiro nasceu. 


O disco

Leva

Composição: Paulo Massadas

Foi bom eu ficar com você
O ano inteiro
Pode crer!
Foi legal te encontrar
Foi amor verdadeiro
É bom acordar com você
Quando amanhece o dia
Dá vontade de te agradar
Te trazer alegria...

Tão bom encontrar com você
Sem ter hora marcada
De falar de amor bem baixinho
Quando é madrugada...

Tão bom é poder despertar
Em você fantasias
Te envolver, te acender
Te ligar, te fazer companhia...

Leva!
O meu som contigo, leva
E me faz a tua festa
Quero ver você feliz
Uh! Uh!
Leva!
O meu som contigo, leva
E me faz a tua festa
Quero ver você feliz...

É bom quando estou com você
Numa turma de amigos
E depois da canção
Você fica escutando
O que eu digo...

No carro, na rua, no bar
Estou sempre contigo
Toda vez que você precisar
Você tem um amigo...

Estou pr'o que der e vier
Conte sempre comigo
Pela estrada buscando emoções
Despertando os sentidos...

Com você, primavera, verão
No outono ou no inverno
Nosso caso de amor tem sabor
De um sonho eterno...

Leva!
O meu som contigo, leva
E me faz a tua festa
Quero ver você feliz
Uh! Uh!
Leva!
O meu som contigo, leva
E me faz a tua festa
Quero ver você feliz...(2x)

Se estiver recebendo por e-mail, clique aqui para ouvir a música.


* Originalmente postado em 30/dez./2014

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terça-feira, abril 30, 2019

As políticas de colonização do Estado Novo e a Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND)



Como vimos na postagem anterior, desde o fim do século XIX, o extremo sul de Mato Grosso constituía uma extensa região dominada economicamente, sobretudo por uma empresa, a Companhia Mate Laranjeira, habitada por inúmeros povos indígenas, além de contar desde o século XIX com um considerável número de posseiros, especialmente gaúchos. Sigamos agora os passos da colonização promovida pelo Estado Novo e a criação da Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND).

Segundo a professora Benícia Couto de Oliveira, foi nesse contexto que o governo Vargas decidiu interferir na região, através de iniciativas colonizadoras, “voltadas para a ocupação e o desbravamento dos espaços, que, até então, haviam sido ocupados por empresas extrativas, como, por exemplo, a Mate, pelas empresas de atividade pecuária, pelos indígenas, pela ação militar, entre outros” [1].

Essas iniciativas colonizadoras do Estado Novo, inseridas no projeto da Marcha para Oeste, deram origem à Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND), criada pelo Decreto 5.941, de 28 de outubro de 1943, no então Território Federal de Ponta Porã (veremos mais sobre ele depois). Além da CAND, criaram também outras Colônias Nacionais (CANs), espalhadas por estados estratégicos.

Em resumo, esse movimento de colonização na era Vargas vinculava-se ao projeto de desenvolvimento do capitalismo no campo para ocupar os espaços geográficos pretensamente “despovoados” e “semipovoados” com terras férteis em abundância; dando oportunidade aos “trabalhadores sem terra que sonhavam em ocupar um pedaço de chão, desempregados nas cidades e vítimas da seca do Nordeste” [2]. Mas, nem só de “ociosos” se compunham as levas migratórias da região sul de Mato Grosso, havendo diversas pessoas que tinham posses no Nordeste, ou mesmo em outros estados, e que vieram, juntamente também com mineiros, paulistas e japoneses que fizeram com que se elevasse, em duas décadas, a população da região de Dourados de 13.164 habitantes para 68.487, desde a criação da CAND [3].

O lugar escolhido para ser a sede da Colônia Nacional de Dourados era conhecido como “Boca da Picada”, onde hoje em Dourados é o Monumento ao Colono (preconceituosamente chamado de Mão do Braz), considerado o marco zero da CAND, “local por onde passava a entrada principal de acesso da mesma” [4]. Em frente à sede ficava a cooperativa da Colônia, de onde, por estrada, se rumava para a Serraria, “respectivamente as atuais Vila São Pedro e Indápolis” [5]. Sabe-se que onde hoje se encontra Indápolis era a serraria da Colônia (até hoje ainda lembrada por ex-colonos como “Serraria”).

Ao longo dos anos a Administração da CAND prestou alguns serviços aos seus colonos: dispôs de um consultório onde fornecia atendimento médico, embora parcamente, como afirmou a historiadora Suzana Naglis [6]; manteve algumas escolas, com um número considerável de alunos, inclusive com aulas noturnas; forneceu sementes e adubos, pelo menos até meados da década de 1950; contou com um serviço de segurança, que em 1955 era composto por pelo menos 44 pessoas, encontrando-se em seu quadro o senhor Ramão Dauzacker – um senhor que já mencionei na postagem anterior e do qual falarei mais para vocês futuramente.

Deve haver uma pausa aqui para que se diga que ocorreram modificações no alcance de serviços mencionados com o passar dos anos da colonização da CAND. Isso aconteceu, entre outras coisas, porque aumentou incrivelmente o número de pessoas que procuravam lotes nas décadas seguintes a sua criação, o que não foi acompanhado de um crescimento equivalente das verbas destinadas à mesma.

Outra coisa é que, ao contrário do planejado, a implantação e “efetivação” da CAND demorou mais do que esperavam as autoridades. Para termos uma noção, após sua criação em 1943 e efetiva implantação a partir de 1944, apenas em 1945 começam a aparecer os primeiros resultados dos loteamentos. Prova disso encontramos em um ofício sem ano (provavelmente de 1945), enviado pelo Administrador Jorge Aguirre ao Major Severo Coelho de Souza, Chefe do Estabelecimento de Subsistência Militar da 9ª Região Militar, em Campo Grande, onde consta que os “trabalhos de fundação [da Colônia] tiveram início no segundo semestre de 1944”, dizendo ainda que seria este um ano “insuficiente para exportação” e que às cooperativas dos colonos “a serem organizadas” na Colônia “caberá negociar a produção dos mesmos” [7][8].

Ainda como mostra dessa demora temos que no ano de 1945 houve 74 requerimentos de lotes e apenas 32 entregas. Esse número começa a aumentar nos anos seguintes, quando constam 575 lotes requeridos e 125 entregues em 1946, recuando a 240 requeridos e 289 entregues em 1947 [9]. Com uma soma simples dos três anos mencionados temos: 889 lotes requeridos e 446 entregues, ou seja, pouquíssimo mais que a metade. O número total de casas construídas por ou com ajuda da Administração, até 1947, era de apenas 139, se bem que apenas 17 construídas com recursos exclusivos da Administração, sendo o restante com “alguma ajuda” da mesma. Para 1948 apenas 120 lotes estavam “prontos” para entrega [10] [11].

Vale dizer que, segundo a Lei Estadual 87, de 20 de julho de 1948, os trabalhos de divisão, medição e demarcação ficaram sob a responsabilidade da Divisão de Terras e Colonização (DTC), do Departamento Nacional de Produção Vegetal, do Ministério da Agricultura (principal órgão de controle da CAND), com a assistência de um técnico designado pelo governo do estado, com prazo estabelecido de 2 anos, o que como se viu não ter sido exatamente o caso.

Ainda segundo a historiadora Suzana Naglis, “devido à morosidade da entrega de lotes e mesmo à falta de rigor da Administração da CAND, foi comum o fato de colonos viverem em terras da Colônia sem terem um lote demarcado oficialmente”, sendo que “a maioria das famílias chegava primeiramente na sede da Cooperativa da Colônia, atual Vila São Pedro, onde se fazia o pedido formal do lote à Administração” [12].

Na administração de Jorge Coutinho Aguirre, sobretudo, morar de “modo provisório” teria certo respaldo legal. Naglis nos apresenta uma correspondência de 1952, onde o mesmo Jorge Aguirre fez uma recomendação a uma família interessada em conseguir lotes para que procurasse as outras colônias federais existentes (como a de Goiás, por exemplo, que era a mais próxima): “A CAN de Dourados, no momento, não está em condições de receber colonos. No modelo em anexo encontrareis o endereço das Colônias que atualmente podem receber candidatos a lotes” [13].

Preocupado com o aumento demográfico da CAND, outro administrador, Clodomiro de Albuquerque, enviou um ofício ao diretor do Departamento de Terras e Colonização (DTC), em 11 de dezembro de 1953 (dez anos depois da criação da Colônia), cujo assunto era o “aumento de verba”, fazendo uma lista de gastos à que era destinada a dotação devida à CAND de Cr$ 6.000.000,00. Segundo esse Administrador, a verba era pouca frente à demanda de auxílios e serviços solicitados pelos colonos e a infraestrutura da Colônia, tendo em vista “as cifras dos seus saldos que mínguam e desaparecem muito antes dos fins de ano”. Ele reclamava ainda: da existência de um hospital maltratado, “onde se acotovelam 80 a 100 doentes diariamente”; dos preços para manutenção de 250 quilômetros de estradas, sendo “precisos mais 500 quilômetros”; do sistema educacional, que contava com “25 professores que ensinam em escolas quase que medievais a 1.405 alunos”, dizendo ser necessário, pelo menos, mais 50 professores para atender as cerca de 5.000 crianças em idade escolar; por fim, reclamava dos equipamentos, pequenos acessórios e de peças necessárias para “tratores que permanecem encalhados na oficina” à espera de suprimentos para que possam funcionar, além de pregos, dobradiças, rolos de arame, que “são fornecidos aos colonos, depois de consultado o parco estoque” [14].

No mesmo ofício, Clodomiro de Albuquerque dizia também que a área loteada da CAND, até dezembro de 1953, era de 66 mil hectares, abrangendo 2.200 lotes, com uma população de 14.000 almas, sem contar os agregados, e cerca de 20.000 imigrantes instalados irregularmente, com 250 quilômetros de estradas [15].

Em relação às ações dos Administradores dos primeiros anos, consta da documentação da CAND um Plano de Trabalhos a serem executados na Colônia Agrícola Nacional “Dourados” no exercício 1948, feito para o mandato de Jorge Coutinho Aguirre. Entre as metas constavam: estudo e construção de estradas, além de ampliações nas já existentes, a fim de facilitar o escoamento da produção dos colonos; demarcação de 500 lotes urbanos de 30 hectares, com preço médio de Cr$ 600,00 por unidade; levantamento perimétrico da Colônia pelo processo fotogramétrico; construção de 3 bueiros no rio Brilhante e outros estudos para construção de bueiros em pontilhões; plantio de 100 pés de café pelo regime de sombreamento natural em lotes e no caso experimental; plantio de 100 ha de trigo em terras de campo [16].

Uma lista encontrada no Arquivo Público Estadual de Mato Grosso do Sul (APEMS), sem data, mas também da Administração de Jorge Coutinho Aguirre, descreve novas construções, tais como: galpões para serraria, carpintaria, oficina mecânica e para guardar máquinas; edifício de alvenaria para o Almoxarifado da cidade; escola provisória e fixa; escritório; farmácia; consultórios médico, de dentista e enfermagem de emergência; armazém de gêneros alimentícios; paiol e depósito de milho; olaria e secadora; residências para trabalhadores e funcionários; residência de táboa e cavaco, táboa e telhas, ranchos de sapé e barro, casas de taipa [17].

Na próxima postagem falarei um pouco mais sobre as políticas que envolveram a criação da CAND, entrando mais especificamente nas questões ideológicas do Estado Novo, explicando o que as mesmas ideologias tiveram a ver com as chamadas frentes pioneiras, explicando por fim o que são esses avanços pioneiros do capitalismo.

Dica de livro:
 livro Boa Ventura! - A Corrida do Ouro no Brasil

Boa Ventura!
A Corrida do Ouro no Brasil (1697-1810)
de Lucas Figueiredo


POSTAGENS DA SÉRIE:

1. Os migrantes no sul de MT antes da década de 1930 
2. As políticas de colonização do Estado Novo e a Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND) 
3. As ideologias do Estado Novo e os fatos que motivaram a criação da CAND
4. O Território Federal de Ponta Porã
5. A "Segunda Zona" da CAND
6. Concluindo a série Sul de Mato Grosso no século XX

* Foto do topo: Casa de colono, disponível no site Dourados Agora.

** Originalmente postado em 02/fev/2013.

Referências

[1] OLIVEIRA, Benícia Couto de. A política de colonização do Estado Novo em Mato Grosso (1937-1945). 1999. Dissertação (Mestrado em História) – FCL/UNESP, Assis, p. 128.
[2] Idem, p. 134.
[3] Id., Ibid.
[4] MAZZINI, Adilvo; XAVIER, Cláudio. 50 anos da criação da Colônia Agrícola Nacional de Dourados. Dourados/MS: Funced, 1993. [Datilografado], p. 11-12.
[5] Id., Ibid.
[6] NAGLIS, Suzana G. Batista. "Marquei aquele lugar com o suor do meu rosto": os colonos da Colônia Agrícola Nacional de Dourados - CAND (1943-1960). 2007. Dissertação (Mestrado em História) – UFGD, Dourados.
[7] Ofício 3, do Administrador da CAND ao Chefe do Estabelecimento de Subsistência Militar da 9ª Região Militar, em Campo Grande, sem data).
[8] A maioria dos documentos da Colônia Agrícola Nacional de Dourados citados nesta dissertação estão disponíveis no Acervo “CAND” do Arquivo Público Estadual de Mato Grosso do Sul (APEMS).
[9] Neste mesmo ano o número maior de lotes entregues é devido aos requerimentos dos anos anteriores.
[10] Acredito que “pronto” quisesse dizer “demarcado”.
[11] Ofício s/n “Demonstrativo”, da Administração da CAND ao Chefe da Seção de Colonização do DTC, jan/1947.
[12] NAGLIS, Suzana G. Batista. "Marquei aquele lugar com o suor do meu rosto": os colonos da Colônia Agrícola Nacional de Dourados - CAND (1943-1960). 2007. Dissertação (Mestrado em História) – UFGD, Dourados, p. 60.
[13] Correspondência de Jorge Coutinho Aguirre, Administrador da CAND, a Miguel Antonio Gomes, 20/jun/1952. Citada em NAGLIS, 2007, p. 62.
[14] Ofício 352, do Administrador da CAND, Clodomiro de Albuquerque, ao diretor do Departamento de Terras e Colonização (DTC), 11/dez/1953, grifos meus.
[15] Idem.
[16] Plano de Trabalhos a serem executados na Colônia Agrícola Nacional “Dourados” no exercício 1948, feito pela Administração da CAND no mandato de Jorge Coutinho Aguirre.
[17] Plano de Trabalho, s.d., feito pela Administração no mandato de Jorge Coutinho Aguirre.
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