Identidade 85 ::

Especial Primeira Guerra (parte 04)

A hecatombe do século XX

Chimarrão

por Glaucus Saraiva

Historiadores em Perfil

Mary del Priore

Cantar con Sentido

Uma biografia de Violeta Parra

sábado, junho 06, 2020

CHAMADAS DE ARTIGOS EM REVISTAS - 1º semestre de 2020



Segue algumas revistas que estão recebendo artigos.

REVISTA ESCRIPTURAS
Até 15/07/2020
Tema: Livre 
Site: https://www.revistaescripturas.com/

REVISTA ANGELUS NOVOS 
Até 30/07/2020
Tema: Autonomia universitária no Brasil, 30 anos (1988-2018): ): história, projetos e impasses
Site: http://www.revistas.usp.br/ran

PERCURSOS 
até 04/07/2020
Tema: Utopia e distopias na contemporaneidade
Site: http://www.revistas.udesc.br/index.php/percursos

ESBOÇOS: HISTÓRIAS EM CONTEXTOS GLOBAIS 
Até 01 de julho de 2020
Tema: História urbana global
Site: https://periodicos.ufsc.br/index.php/esbocos/announcement/view/1555

MUNDOS DO TRABALHO 
até 01/07/2020
Tema: Trabalhadores de construção: por estradas, ferrovias, açudes e outras obras
Site: https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho

FONTE: anpuh.org.br

Caso queira, temos um outro texto sobre o Dia D, com fotos dos desembarques, é só clicar aqui.

Dica de livro:

 o dia d livro
Antony Beevor
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A importância do Dia D na história na Segunda Guerra Mundial | Heitor Henrique




Hoje é seis de junho de 2020: há exatamente 76 anos atrás, no ano de 1944, acontecia uma das maiores manobras militares da História da humanidade: o desembarque na Normandia (costa Norte da França) dos Aliados (E.U.A., Inglaterra e França) para combater os exércitos de Hitler na Segunda Guerra Mundial.

A Segunda Guerra Mundial é o maior conflito bélico da História humana e teve como consequência um saldo de mais de 55 milhões de mortos. Nesta guerra os Aliados, formados pela Inglaterra, França, Estados Unidos e União Soviética, combatiam as forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), que representavam sistemas políticos totalitários de extrema direita.

Desde o início da guerra em 1939 até meados de 1942, os exércitos de Hitler acumulavam vitórias e sucessos. Na frente leste, a partir deste ano, os exércitos de Hitler começaram a sofrer as primeiras derrotas diante do exército vermelho de Stálin. A cidade de Stalingrado representou um ponto de virada e a partir de então a marcha dos alemães, rumo ao leste europeu, foi interrompida e os mesmos começaram a ser empurrados de volta, rumo a oeste. Com o passar dos meses os alemães iam sendo derrotados pelos soviéticos, mas a duras penas para a U.R.S.S, que desgastava sozinha suas forças armadas na batalha contra Hitler.

Em novembro de 1943, depois de um ano e meio de guerra na frente leste, Stálin pressionou os demais líderes aliados (Roosevelt e Churchill) na Conferência do Teerã para a abertura de uma segunda frente de batalha no Oeste, para que o fardo da luta contra os alemães não ficasse apenas a cargo de seus exércitos. E dessa reunião ficou acertada a operação do Dia D.

A Operação Overlord que abriu a segunda frente de batalha contra os alemães no oeste ocorreu no dia 6 de junho de 1944, com o desembarque de uma grande força conjunta aliada no Norte da França. Devido à grande importância da operação, a mesma recebeu o nome de Dia D e foi liderada pelo General norte-americano Dwigth D. Eisenhower, que seria depois presidente dos Estados Unidos entre 1953 e 1961. 



A invasão foi um sucesso, abrindo uma segunda frente de batalha e ajudando a empurrar parte do já cansado exército alemão em retirada para seu território original. Pra se ter uma ideia, até agosto do mesmo ano de 1944, os Aliados libertaram Paris e, consequentemente a França; nos primeiros meses do ano seguinte venceriam finalmente a Alemanha, decretando o fim da guerra no ocidente. Claro que não se deve dar todos os créditos ao Dia D, afinal, a U.R.S.S. já vinham sacrificando um grande contingente para vencer Hitler, mas, sem dúvida, a invasão da Normandia foi uma soma decisiva nos esforços para vencer o Eixo. 

A título de curiosidade, a operação é bem retratada nos filmes hollywoodianos, como, por exemplo, no muito famoso filme O Resgate do Soldado Ryan, de 1998, dirigido por Steven Spielberg; também é assunto de seriados como Band of Brothers, ou ainda de jogos de vídeo game, como Call of Duty (WWII).



Após isso a expressão “Dia D” se tornou tão representativa que passou a ser utilizada de diferentes maneiras, em diferentes locais e épocas mundo afora em relação a datas de grande importância. Sempre que se tem um grande evento, logo usam o genericamente slogan Dia D – desde finais de eventos esportivos a grandes dias de combate a algum “inimigo”, como ocorre em dias de vacinações em massa.

Caso queira, temos um outro texto sobre o Dia D, com fotos dos desembarques, é só clicar aqui.


Dica de livro:

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sexta-feira, junho 05, 2020

Historiadores em Perfil: Joel Rufino dos Santos




Ele foi literato e historiador, falou da África e dos negros no Brasil, combatendo por toda sua vida o grande mal que é o racismo. 

Joel Rufino dos Santos nasceu no Rio de Janeiro, em 1941, e no mesmo Rio morreria em 4 de setembro de 2015. Mas não sem deixar um rico trabalho dividido entre História e Literatura. Influenciado pela vó que lia pra ele, pelo pai operário-leitor e pelos gibis que adorava folear, ele traçaria uma trajetória premiada e amplamente reconhecida entre seus pares e tantos outros seus leitores e alunos.

Na década de 1950, depois de ler Introdução à Revolução Brasileira, de Nelson Werneck Sodré, decidiu estudar História. Aliás, ainda quando fazia o curso, foi convidado pelo mesmo Sodré para ser seu assistente no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Começava aí a sua carreira de historiador.



Foi no ISEB que, durante o governo João Goulart, se ligou ao movimento da História Nova, que ele mesmo chamava de "reforma de base da história". Parte de um movimento que tinha forte base política, esperava-se fazer uma "história crítica, que não fosse meramente factual". Estava inserida nesse contexto a proposta de escrita de dez livros, dos quais apenas 6 foram realmente escritos. Isso porque logo em seguida veio a Ditadura Militar no Brasil e Joel Rufino, como muitos outros teve que se exilar.

Em sua "peregrinação" no exterior passou pela Bolívia e pelo Chile. Voltou em 1966 ao Brasil e foi preso pelos militares, o que ocorreu, aliás, várias vezes nos anos seguintes. Tais prisões ocorreria por seu envolvimento com a luta armada contra a Ditadura - embora não tenha ele próprio pego em armas, antes apoiando o movimento, participando da "logística da Ação Libertadora Nacional (ALN)". 



O maior período em que esteve preso nos anos 1970 renderia inclusive um livro anos depois, Quando Eu Voltei, Eu Tive uma Surpresa. Livro esse que foi premiado com o Orígenes Lessa em 2000. Trata-se de uma série de cartas que enviava ao filho Nelson, na época com 8 anos, onde descrevia o dia a dia na prisão, mas procurava mostrar otimismo em relação a sua situação e à situação do país. Não é um livro de história, propriamente, mas tem muito de história, pois nele Joel, desenhando, brincando, dialogando, tenta  explicar que, precisamente pelo "pecado" de amar o Brasil e de fazer parte de sua história, estava preso ao cárcere, à saudade e à vontade de continuar lutando pelo povo brasileiro.

Com a anistia, a Joel Rufino foi permitido retornar à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Passou então a trabalhar em dois espaços, na Faculdade de Letras e na Escola de Comunicação, tendo depois se dedicado apenas à primeira. Ele escreveu muito em literatura, especialmente infantil, recebendo prêmios importantes por isso - dois Jabutis, com Uma Estranha Aventura em Talalai (1979) e O Barbeiro e o judeu da prestação contra o Sargento da Motocicleta (2008), além de ter sido duas vezes finalista do Prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infanto-juvenil. Mas, embora tenha feito uma escolha, uma predileção, sempre defendia a interdisciplinaridade, não abandonando a História, pelo contrário, contribuindo para o entendimento de temas importantes. 

Muitos de seus livros de ficção tem fundos, personagens e paisagens da História. O Dia Que o Povo Ganhou, por exemplo, é baseado no 2 de julho na Bahia - dia em que o povo foi às ruas festejar a independência do Brasil; Crônica de Indomáveis Delírios, quando da Revolução Pernambucana de 1817, a facção “francesa” teria acalentado o sonho de trazer Napoleão, então prisioneiro dos ingleses, para comandar seu exército; e Quatro Dias de Rebelião, baseado na Revolta da Vacina. Ou seja, ao escrever ficção ele estava impregnado de História.



De seus livros não ficcionais, especialmente de história, ele se preocupou com temas gerais, a começar pelo curto trajeto da História Nova, abarcando assuntos como o "descobrimento", a ocupação do território (por portuguese ou não), o uso da mão de obra - especialmente a africana -, a independência, o advento da República - inclusive, claro, a abolição. Ele também se interessou por personagens da nossa história, tendo feito biografia de Zumbi dos Palmares e da improvável escritora Carolina Maria de Jesus. Nesse contexto todo, a África e a presença negra no Brasil é corrente, sendo através da escravidão, das revoltas internas, do futebol ou seja ainda do teatro.

Ele foi um combatente contra uma das grandes mazelas de nosso país, o racismo. Para ele - como Silvio Almeida e outros ajudariam a desenvolver -, no caso do racismo, trata-se de um "preconceito estruturado"; um "preconceito quando casa com as distinções de classes, com as separações de classe". Para Joel Rufino "nunca houve democracia racional", como queriam fazer crer Gilberto Freyre e seus seguidores, por exemplo. Como outros que já pensaram a condição do negro no Brasil, antes e depois dele, Joel Rufino resumiria em parte a sua visão dizendo que "o negro, historicamente, durante a maior parte do tempo, foi trabalhador, foi subalterno. E o branco, na maior parte do tempo foi senhor, foi patrão". Por isso, "encarar a questão do racismo é encarar a questão do Brasil" (Entrevista para Umas Palavras, 2003, do canal Futura).



Dada a sua compreensão interdisciplinar, ele via como algo ruim o fato de muitos terem a História como uma "baia", como um "cabresto"; não podendo o historiador transitar por outras áreas, realizar outros diálogos.

Caso queira conhecer mais sobre esse autor, existem muitas entrevistas no Youtube ou em texto em diversos sites. Há um site dedicado a ele (joelrufinodossantos.com.br). Assim como há, claro, sua extensa bibliografia, que segue logo abaixo.


Os livros desse autor:

Como romancista

Crônica de Indomáveis Delírios (1991)


Como literato infanto-juvenil


Marinho, o Marinheiro, e Outras Histórias (1976)

Aventuras no Pais do Pinta-aparece e Outras Histórias (1977)

O Curupira e o Espantalho (1978)








Dudu Calunga (1986)


Ipupiara, o Devorador de Índios (1990)

Uma Festa no Céu (1995)






O Grande Pecado de Lampião e Sua Terrível Peleja Para Entrar no Céu (2005) 



Na Rota dos Tubarões (2008)

Robin Hood (2001)








Como não-ficcionista

História Nova do Brasil (co-autoria, 1963)

História Nova do Brasil IV (1964)

O Descobrimento do Brasil (Coleção História Nova 1, 1964)

As Invasões Holandesas (Coleção História Nova 3, 1964)

A Expansão Territorial (Coleção História Nova 4, 1964)

Independência de 1822 (Coleção História Nova 6, 1964)

Da Independência à República (Coleção História Nova 7, 1964)

O Renascimento, a Reforma e a Guerra dos Trinta Anos (1970)

República: Campanha e Proclamação (1970)

Mataram o Presidente (co-autoria, 1976)

História do Brasil (1979)



Constituições de Ontem, Constituinte de Hoje (1987)

Zumbi (1985)

Abolição (1988)

Afinal Quem Fez a República? (1989)

História, Histórias (1992)

Atrás do Muro da Noite: Dinâmica das Culturas Afro-brasileiras (com Wilson dos Santos Barbosa, 1994)

História Política do Futebol Brasileiro (1981)

Quando eu Voltei, Tive Uma Surpresa (2000)






A História do Negro no Teatro Brasileiro (2014)








Livro destaque desse autor:
 livro zumbi
Zumbi
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* Essa postagem é só um guia rápido desse historiador. Se você souber de alguma incorreção ou tiver algum acréscimo de conteúdo a essa postagem, mande-nos nos comentários. Muito obrigado!


Assista a um vídeo nosso sobre os negros no Brasil!

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Historiadores em Perfil: Marc Bloch




Marc Bloch é o estreante de uma série de perfis de historiadores que faremos no blog. Ele é um dos mais importantes historiadores do século XX, tendo sido fundamental para a mudança que se realizou no ofício do Historiador, a partir sobretudo da criação da Escola dos Annales, da qual foi co-fundador. 

Seu nome completo é Marc Léopold Benjamim Bloch, nascido em Lyon, 6 de julho de 1886. Era filho de Gustave Bloch. Professor de História Medieval, Marc Bloch estudou na Escola Normal Superior de Paris, estudou em Berlim e também em Leipzig antes de ser bolseiro (bolsista) da Fundação Thiers (1909-1912, onde escreveu sua tese de doutorado sobre o fim da servidão dos camponeses na ilha da França, cujo título era Reis e servos: um capítulo da história capetiana (clique aqui para baixá-la).

Ele participou da Primeira Guerra Mundial, na arma de infantaria, sendo ferido e recebendo uma condecoração militar por mérito.



Após a guerra ingressou na Universidade de Estrasburgo, instituição onde conheceu e conviveu com Lucien Febvre. Os dois fundariam em 1929 a Revue des Annales (Revista dos Annales). Em 1936, sucedeu a Henri Hauser na cadeira de História Econômica da Sorbonne. A revista e o seu conteúdo conheceram então um sucesso mundial, dando origem à chamada Escola dos Annales.



Desde que publicou seu livro Os Reis Taumaturgos pela primeira vez em 1926, ele produziu outras obras importantes, como A Sociedade Feudal, A Estranha Derrota (esse sobre a derrota da França na Segunda Guerra, lançado postumamente) e aquele que é considerado por muitos como um "manual de cabeceira", que todo historiador deveria ler um dia, Apologia da História. Esse último também lançado pela primeira vez após sua morte - aliás, livro que não conseguiu terminar, o que deixa uma angústia na sua parte final.  


Essas obras póstumas tem a ver com sua condição trágica nos anos 1940. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, e a ocupação nazista da França, Bloch, por ser judeu, teve que deixar a direção da Revista dos Annales, que passou a ser orientada apenas pelo seu colega Lucien Febvre. Somado a isso, sendo militante da resistência francesa em tempos de domínio nazista, ele foi preso pela Gestapo, torturado e fuzilado em Saint-Didier-de-Formans, em 16 de junho de 1944. 

Caso queira conhecer mais sobre esse autor, existe, entre outros a coleção de textos biográficos intitulada Marc Bloch, organizados por Julio Bentivoglio e Josemar Machado de Oliveira. Além dessa, um ótimo livro para entender um pouco sobre os Annales é o A Escola dos Annales (1929-1989): a Revolução Francesa da Historiografia, de Peter Burke. 


Os livros desse autor:


Les Caractères originaux de l’histoire rurale française (1926; título em inglês: French Rural History: An Essay on Its Basic Characteristics

The Ile-de-France

Réflexions d'un historien sur les fausses nouvelles


A Estranha Derrota (póstumo, 1946)

Apologia da História (póstumo, 1949)

Esboço de uma História Monetária da Europa (póstumo, 1954) / título original Esquisse d'une Histoire Monétaire de l'Europe

O Que Pedir aos Historiadores (2019, coleção de textos inéditos publicados entre 1914 e 1940)

Livro destaque desse autor:
 livro a sociedade feudal
A Sociedade Medieval
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* Essa postagem é só um guia rápido desse historiador. Se você souber de alguma incorreção ou tiver algum acréscimo de conteúdo a essa postagem, mande-nos nos comentários. Muito obrigado!


Assista a um vídeo nosso sobre o Peronismo Argentino!

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* Originalmente postado em 11/mar/2020.

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quarta-feira, junho 03, 2020

VÍDEO: Os Negros no Brasil | José A. Fernandes #VidasNegrasImportam




Existem temas que deveriam já estar superados, mas não estão. Esses são os casos do racismo, da discriminação e do preconceito contra os negros no Brasil. Por isso cremos que esse seja um assunto sempre urgente, cujo debate é fundamental e a busca de soluções urgente!


Assista:
Se estiver recebendo no e-mail e não conseguir ver o vídeo, clique aqui.


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Dica do blog:
 livro a enxada e a lanca
de Alberto da Costa e Silva
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terça-feira, junho 02, 2020

Direita e Esquerda | Heitor Henrique



Caro leitor, percebeste a grande facilidade ou mesmo a futilidade com que se têm usado termos tão importantes da história política mundial como direita e esquerda ultimamente? Será que estes termos têm sido utilizados de maneira adequada? 

Posso lhe garantir que na maioria esmagadora dos casos os termos mencionados têm sido usados de maneira errônea. Porém, nem sempre este uso tem sido de maneira inocente ou inconsciente. Em muitos casos, na origem do fato eles têm sido usados desta forma propositalmente, com uma intenção política de desinformação. Esta ação é sim consciente e as demais pessoas, que não possuem um conhecimento adequando destes termos, os repassam desta mesma forma sem ao menos perceberem os erros e usos políticos no caso e ainda acreditam estar repassando informações verídicas.

Antes de continuar a discussão sobre estes dois termos, gostaria de salientar algo: a diferença de fato e opinião. Fatos são comprovados e não possuem alterações, a menos que comprovados cientificamente, tal como dois mais dois são quatro. As opiniões são expressões pessoais e diversas sobre os fatos, mas não alteram a veracidade do mesmo, dito isso podemos continuar a nossa discussão.

Direita e Esquerda são espectros políticos e econômicos antagônicos aos quais podemos classificar diferentes governos, em diferentes épocas e lugares. Podemos sim ter opiniões sobre esses espectros e sobre quem os adotam, mas as suas definições já estão estabelecidas de maneira científica. Um rápido exemplo: o Nazismo foi um governo de direita e ponto final; isso já é uma verdade absoluta dentro de toda a comunidade científica internacional, e de nada adianta dizer: “Na minha opinião o Nazismo foi de esquerda.” Contra fatos não há opinião que se sustente. Podemos ter opiniões sobre o fato, isso sim.

Os termos direita e esquerda surgiram durante a Revolução Francesa, no fim do século XVIII, para designar grupos de posturas opostas naquela realidade francesa e estes termos foram amadurecendo em sua definição nos séculos seguintes até os dias atuais. As aulas de História e Geografia são importantes para aprendermos sobre estes aspectos e não ficarmos repetindo mentiras a respeito. E o que vem a ser direta e esquerda, afinal?

A esquerda desde a Revolução Francesa foi associada à luta pelos direitos dos trabalhadores e a população mais pobre, ressaltando a importância de assistências governamentais no auxílio a diminuição das desigualdades sociais. Já a direita está ligada a uma visão mais conservadora, ligada a um comportamento tradicional, que busca manter o poder da elite e promover o bem estar individual, sendo contra interferências estatais na regulamentação econômica em qualquer nível. Bem resumidamente, respeitando a limitação de espaço para a discussão essas são definições bem amplas dos termos, mas cada um dos lados podem sim ter a sua versão extremada. De qualquer forma não há nenhum problema em um indivíduo se identificar com um ou outro lado, contanto que se mantenha o respeito mútuo entre ambos.

E é assim que os termos tem sido categorizados no nosso país? Óbvio que não.

No nosso país houve uma deturpação proposital em relação aos termos. Aqui esquerda tem se tornado sinônimo de espera por ajuda estatal, comodismo, desapreço por valores familiares tradicionais e pela religião, vagabundismo e de maneira mais incisiva se tornou sinônimo de crime e antipatriotismo. Qualquer atitude de discordância em relação ao atual governo já são taxados de atitudes de esquerda, hoje se escuta que partidos políticos como o PSBD e veículos da grande imprensa mundial (The Economist, Financial Times) são de esquerda. Enquanto isso a direita no Brasil seria sinônimo de patriotismo, dedicação ao trabalho e apreço a valores familiares e cristãos, ou seja, o “cidadão de bem”. Caro leitor, se você acredita que essa é a diferença entre os espectros políticos, lamento dizer que está redondamente enganado.

Realmente este é um assunto muito polêmico e que gera amplas discussões, estou disposto a elas, mas com uma condição, que a mesma seja feita com respeito e o uso de argumentos científicos sérios e fontes confiáveis e sem o uso de senso comum e achismos.

Dica de livro:

 livro direita e esquerda
Norberto Bobbio
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HEITOR ESPERANÇA HENRIQUE: É formado em História pela Universidade Estadual de Maringá, possui Mestrado pela mesma instituição. Inicia o seu doutorado pela Universidade Federal do Paraná em fevereiro de 2018. Atualmente atua como professor no departamento de História da Fafiman.

Antes de sair, assista ao nosso vídeo O que foi a Guerra Fria? Clique aqui ou na imagem abaixo!

 Guerra Fria segredos

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