Identidade 85 ::

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COM Cristiana Poltronieri e Fernando Alflen

Historiadores em Perfil

Fernand Braudel

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IDENTIDADES BRASILEIRAS

José A. Fernandes [com Cristiano Gress e Samir Victor]

domingo, novembro 22, 2020

VÍDEO: O que é Golpe de Estado? | José A. Fernandes




Eles são eventos marcantes nas sociedades contemporâneas, especialmente na América Latina. Por isso, é interessante saber o que são e de que forma incidem sobre os diferentes países marcados pela instabilidade política e pelas trocas mais ou menos frequentes de governos e regimes políticos.


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Estado, Governo, Sociedade
Norberto Bobbio
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Importante obra do italiano Norberto Bobbio retorna às livrarias em edição revista, ampliada e com nova capa Estado, governo, sociedade é um livro para quem deseja pensar a crise de nossa época sem dogmatismos, buscando reorganizar as bases da convivência social por meio da reforma do Estado e da própria política. 

Escrito de maneira acessível a todos os tipos de leitores, reúne verbetes publicados em volumes da renomada Enciclopédia Einaudi, entre 1978 e 1981: “Democracia/Ditadura”, “Público/Privado”, “Sociedade civil” e “Estado”. Estabelece, assim, o que o autor denominou “fragmentos de uma teoria geral da política”, discutindo, entre outros temas, as diferentes formas de governo e de Estado, a ideia de sociedade civil na interpretação da tradição do direito natural e do debate atual e os critérios de legitimidade da democracia, da paz e da ordem universal. 

Lançado originalmente em 1985 na Itália e em 1986 no Brasil, com prestigiada tradução de Marco Aurélio Nogueira, este importante título retorna às livrarias brasileiras em edição revista e ampliada, que tem como base a 2ª edição italiana, de 1995. Inclui posfácio de Celso Lafer 


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Historiadores em Perfil: Fernand Braudel




Braudel foi herdeiro da Escola dos Annales, nos ensinou sobre os tempos da História, deu aulas no Brasil e deixou uma rica produção acadêmica. Ele é o segundo personagem da nossa série com perfis de Historiadores. 

Fernand Braudel nasceu em Luméville-en-Ornois, na França, em 24 de agosto de 1902, e morreu na comuna francesa de Cluses, do Departamento de Alta Saboia, em 27 de novembro de 1985. Filho de um matemático, recebeu suporte para uma boa formação, tendo estudado latim e um pouco de grego. Mas, foi na História que se encontrou e se destacou, deixando uma marca fundamental na historiografia do século XX.

Num meio tempo, antes de se tornar o famoso Braudel, ele deu aulas em uma escola secundária na Argélia entre os anos 1923–1932), onde surgiu sua fascinação pelo mar Mediterrâneo, que viria a ser - juntamente com o Capitalismo, a "civilização" e a França - um dos objetos de estudos que o destacariam nas décadas seguintes.



No começo dos anos 1930, enquanto dava aulas nos liceus Pasteur, Condorcet e Henri-IV em Paris, ele conheceu Lucien Febvre, que havia sido co-fundador da já famosa revista Annales. Algum tempo depois ele se tornaria o herdeiro, diretor e representante mais destacado da segunda geração dessa revista e da escola historiográfica que a envolvia.  

Mas antes disso, sua história se ligaria ao Brasil, mais especificamente à história da criação da Universidade de São Paulo (USP). A pedido do então governador Armando de Salles Oliveira, foram recrutados na França e na Alemanha professores e pesquisadores das várias áreas do conhecimento, dentre os quais, para as Ciências Humanas, veio Braudel, além do antropólogo Claude Lévi-Strauss, do sociólogo Roger Bastide e do geógrafo Pierre Deffontaines. Braudel por aqui ficaria entre os anos 1934 e 1937, tendo retornado devido ao início de sua pesquisa de doutorado sobre o Mediterrâneo, deixando contudo sua feliz contribuição para a formação de uma das universidades mais destacadas da América Latina. 



Como Marc Bloch, que falamos no primeiro episódio, Fernand Braudel também esteve envolvido na Segunda Guerra Mundial. Também foi preso pelos nazistas, em Lübeck, na Alemanha, mas, diferente daquele, não teve um fim trágico. Foi enquanto esteve prisioneiro que Braudel elaborou seu trabalho mais famoso: O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico à Época de Filipe II.

A direção da revista Annales ele assumiu depois de 1945. Mas seus esforços foram muito além da mesma. Com recursos da Fundação Rockefeller, em Nova York, ele fundou a prestigiosa Sixième Section, para "Economia e Ciências Sociais" na "École pratique des hautes études", e, em 1962, em parceria com Gaston Berger criou uma nova fundação independente, a Fondation Maison des Sciences de l'Homme (FMSH). O foco da FMSH era promover networking internacional para disseminar a abordagem da escola dos Annales na Europa e no mundo, o que deu muito certo, aliás.


 escritos sobre a história braudel

Mas, não para por aí. Ao longo de sua trajetória podemos ainda destacar que em 1949, Braudel foi eleito para o famoso Collège de France, devido à aposentadoria de Lucien Febvre. Depois, em 1950, ele co-fundou o jornal acadêmico Revue économique (Revista Econômica). Isso é interessante de se destacar, já que na Escola dos Annales e na revista, ao menos até meados do século XX, havia farto espaço para os estudos histórico-econômicos, que, claro, faziam uso das novas fontes e abordagens já reclamadas desde Bloch e Febvre. Ainda não era o tempo de domínio dos estudos culturais e sociais na História, o que ganharia força especialmente a partir das décadas de 1960 e 1970.

Em termos de ideias, como dissemos ele foi muito importante no estudo dos tempos históricos, que com ele ganharam corpo (e teoria). Entre esses tempos, temos o de curta duração, que diria respeito ao “tempo breve, ao indivíduo, ao evento”; o tempo médio (ou de média duração) diria respeito à conjuntura, expressa em uma ou algumas décadas; e, enfim, o tempo longo (ou de longa duração), que deve ser de medida mais amplas, contando os séculos, por exemplo. Nesse último caso, para além dos fatos cotidianos que nós vivemos, há estruturas mais profundas, que são quase permanentes, que regem a nossa vida sem que nós tenhamos consciência disso. 



Caso queira conhecer mais sobre esse autor ou ir mais a fundo nas suas ideias, existe, entre tantos outros, o livro A Constituição da História como Ciência: De Ranke a Braudel, organizado por por Marcos Antônio Lopes e Julio Bentivoglio. Há também um livro dedicado exclusivamente a ele, Fernand Braudel - Tempo e História, de Marcos Antônio Lopes. Existe ainda o livro de Guilherme Ribeiro, Fernand Braudel, Geohistória e Longa Duração. E especificamente sobre sua relação com o Brasil, existe o livro Fernand Braudel e o Brasil - Vivência e Brasilianismo (1935-1945), de Luís Corrêa Lima.


Os livros desse autor:






La Dynamique du Capitalisme (1985) / edição em português A Dinâmica do Capitalismo / edição em espanhol La dinamica del capitalismo

A Identidade da França (1986) / edição em espanhol La Identidad de Francia



Memory and the Mediterranean (1998) / edição em português Memórias do Mediterrâneo: Pré-história e Antiguidade / edição em espanhol Memorias del Mediterraneo



Carlo V

La historia y las ciencias sociales / The history and social sciences / edição em português História e Ciências Sociais


Livro destaque desse autor:

 o mediterraneo braudel
O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrâneo na Época de Filipe II
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* Essa postagem é só um guia rápido desse historiador. Se você souber de alguma incorreção ou tiver algum acréscimo de conteúdo a essa postagem, mande-nos nos comentários. Muito obrigado!


Assista a um vídeo nosso sobre o Iluminismo e, se gostar, indique pro seu amigo!

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Legião Urbana - Vamos Fazer um Filme (letra e música)




Parte do disco "Descobrimento do Brasil", de 1993, a música vale muito a pena ser ouvida. Tanto que já usei em minhas aulas, como forma de pensar os sentimentos e a maneira de expressá-los.

Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um bom exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo,
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um

O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme

O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?

Sem essa de que: "Estou sozinho."
Somos muito mais que isso
Somos pingüim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão:
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve de ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia.

E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, vamos Fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo


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legião descobrimento do brasil
Descobrimento Do Brasil
Legião Urbana

* Originalmente postado em 4/out/2013.

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sábado, novembro 21, 2020

Os irmãos Rebouças, o Paraná e a erva-mate | José A. Fernandes

 


Muitos já sabem sobre os negros que fizeram história no Brasil, como os irmãos Rebouças. Nesse post vamos conhecer um pouco sobre a relação deles com o Paraná e com a erva-mate!

Os irmãos Antônio e André Rebouças, eram negros, filhos de um advogado e conselheiro de Dom Pedro II; eles eram netos de ex-escravos alforriados e portugueses, nasceram na Bahia, mas foram radicados no Paraná. Eles se tornaram na segunda metade do século XIX destacadas figuras paranaenses, em um tempo em que ainda vigorava o regime escravista no Brasil. Eles são partes de uma história de sucesso, de talento, exceção em um tempo em que a regra era ter brancos em destaque. 

Sua ligação com as terras paranaenses são muitas, destacando-se seu papel na transformação “de uma província ainda em construção”, na escolha de Curitiba como capital, na construção do chafariz na Praça Zacarias, em Curitiba, da Estrada da Graciosa, da Ferrovia Paranaguá-Curitiba (considerada a maior obra da engenharia férrea nacional) e do Parque Nacional do Iguaçu. 

Em meio a isso tudo isso, contamos ainda as suas participações em questões envolvendo a erva-mate, que então era o principal produto provincial, o “ouro verde” do Paraná. Dentre as obras apontadas acima, as construções da Estrada da Graciosa e da Ferrovia Paranaguá-Curitiba foram muito importantes para a circulação e o escoamento do mate. Além disso, como representante paranaense, Antônio Rebouças esteve em feiras nacionais e internacionais, onde levou especialmente o mate. Da mesma forma, o outro irmão, André, também esteve envolvido nessas feiras, onde fez observações que contribuíram para repensar a maneira como se apresentava o mate ao público e que marcariam sua história desde então.

Especificamente em relação a essa última questão, o mercado do mate vinha crescendo e ganhando cada vez mais importância em meados do século XIX, mas seu consumo era restrito quase que exclusivamente à Argentina, ao Uruguai e ao Chile, os chamados mercados tradicionais. Os governos paranaenses já começavam a projetar então a expansão de seu consumo em novos mercados. Acontece que imperavam o uso dos surrões de couro no transporte, acondicionamento e apresentação do mate. Nesse sentido, André Rebouças passou a criticar tal uso, imputando-lhe boa parte da responsabilidade pelo insucesso na conquista de novos mercados, especialmente naquele momento o mercado europeu. 

De André é a famosa frase, reproduzida pelo grande Temístocles Linhares, de que “Não se vai a um baile com a mesma roupa que se vai ao campo”. Sim, para André Rebouças, por mais que se quisesse preservar os aspectos “culturais” e “tradicionais” de acondicionamento do mate, não se podia fazer isso em mercados tão exigentes como o europeu, portanto, deviam lhe “trocar a roupa”.

E há que se dar razão a ele. Mesmo que não se concorde com o eurocentrismo e se questione o sentido de superioridade dos europeus, então em voga e tão influente no Brasil, as grandes potências daquelas bandas, que compravam café, por exemplo, e que poderiam comprar mate, não o faziam, por não terem o costume, por não se sentirem atraídas, por lhes faltar apelo, inclusive visual.

No velho continente o mate era pouquíssimo conhecido, quando muito de se ouvir falar. Ainda assim, quase sempre como planta medicinal, vendida em boticas. Quando aparecia em feiras internacionais, “vestido” em surrões de couro, o mate era visto com espanto, como algo exótico, ou como diz Rebouças, como algo “bárbaro”. A solução seria então, dizia ele, pensar-se em novas formas de apresentação, caso se quisesse ter sucesso na expansão de seu consumo. É nesse sentido que se liga aos irmãos Rebouças, especialmente André, a adoção das barricas de madeira no Paraná, que foram acompanhadas pelas ricas obras litográficas que se difundiram grandemente nas décadas finais do século XIX. 

Concordamos então com ele, com a necessidade de se apresentar melhor o mate. Mas, nesse ponto, devemos relativizar a afirmação da responsabilidade exclusiva de Rebouças para a adoção das barricas, pois segundo Linhares, para isso concorreu também o aumento do preço do couro, comparado com o preço da madeira. Por outro lado, é claro que não podemos fazer como o mesmo Linhares e tirar todo mérito de André Rebouças. O que devemos fazer é entender que uma coisa “casou” com a outra: a necessidade de mudança com a conjuntura favorável apresentada por um preço menor da madeira em relação ao couro.


O certo, para não nos delongarmos muito mais, é que os irmãos Rebouças, além de inúmeras contribuições para a formação do Paraná de forma geral – que inclusive rendeu nome de bairro em Curitiba, o nome de uma cidade do estado e muitas outras homenagens em grandes cidades brasileiras –, eles também contribuíram para melhor pensar o mate, o seu trato, os cuidados, e sem dúvida a forma como ele passaria a ser apresentado ao público. Melhor apresentado nos mercados tradicionais da América do Sul (Argentina, Uruguai e Chile) e nas tentativas de propaganda que seriam feitas ao longo do século XX na Europa e nos Estados Unidos – que, nestes últimos casos, se não deram certo, já envolve uma série de outras questões. 

Os irmãos Rebouças nos deixaram um legado, com questões importantes que foram pensadas ao longo das décadas passadas e ainda devem ser mais bem estudadas por nós no presente, caso queiramos ter sucesso no enriquecimento da apresentação do nosso mate.

Mas, já que mencionamos no início o fato deles serem afrodescendentes, podemos completar esse passeio lembrando o papel especialmente de André Rebouças no movimento abolicionista. Após a morte do irmão Antônio em 1874, muito abalado, ele resolveu tomar parte em sociedades empenhadas na luta contra o trabalho escravo no país, ajudando a fundar algumas delas. Nesse movimento esteve lado a lado com outras figuras de destaque, como Machado de Assis e Olavo Bilac. André Rebouças, uma exceção em meio à regra de exclusão dos negros, foi um dos representantes da classe média brasileira com ascendência africana e uma das vozes mais importantes em prol da abolição, que só viria, finalmente, em maio de 1888...

Assista ao nosso vídeo sobre a história da erva-mate!
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Aproveite para conhecer os projetos da exposição Matte Cultural e do Matte'n'Roll, clicando nos banner abaixo!


El mate
Javier Ricca
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Se desejar usar esse texto de alguma forma, cite a fonte. Plágio é crime!

* As fotos dessa postagem foram retiradas da internet: as fotos dos irmãos Rebouças não tem sua autoria reconhecida por nós (caso saiba a autoria, favor nos avisar); a imagem das folhas de mate usada no banner é de autoria do Baldo; as imagens históricas de mate são do blog Caetano José Munhoz.

** Foto no topo: revista "Raído" - UFGD.

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