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Cantigas medievais - Nova!

Vós que soedes em corte morar

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por Conceição A. Pereira | Terças Poéticas

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Fantasia da existência...

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segunda-feira, outubro 15, 2018

Dos professores: entre orquídeas e percevejos [por José A. Fernandes]





Já fui aluno, todos de alguma maneira fomos. Nessa fase passei por momentos vários, alternando entre a euforia de descobertas e o desânimo diante dos adversos irresolvíveis. E eis-me hoje, como professor também. E o que colher no caminho que escolhi?

Como observador por prazer que sou já vi muita coisa, apesar de não ser velho. Entendi muito e me confundi demais também. Não sei de tudo, aliás sei pouco, mas parece que quase tudo me provoca e atrai no mundo dos homens primatas. A atração nesse caso não é sempre fascinação, pois muito do que vejo me dá desgosto, às vezes, ainda mais por dizermos que somos os mais pensantes dos animais. 

De qualquer forma, vivo entre aprender e ensinar, mesmo que essa tentativa de ensinar me tire o folego, me aumente a pressão, por vezes me exalte o sistema nervoso. É, professor se exalta, e como! Vivendo em alguns momentos em alta tensão.  

Mas, sem demagogia, me parece que continuo num processo de troca, como naquela frase famosa atribuída a Cora Coralina, onde "feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina". Claro que não vemos só orquídeas na estrada do professorado, também há pulgas e percevejos. 

Não se espante com o que acabou de ler. Com asseio e paciência podemos drenar, limpar e florar alguns antigos lamaçais, onde só se via mato e pragas. Há também, claro, aqueles floridos campos, onde basta regar que nasce, esses são os que nos dão mais prazer.

Enfim, o que quero dizer nesse momento é que ser professor é seguir o caminho, entre orquídeas e percevejos. Quem dera as flores apareçam, os campos se colorem e os percevejos... ah, que subvertam a lei da natureza e se transformem também!


Dica de livro:

de Augusto Cury
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* Originalmente postado em 15/out/2014.

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quinta-feira, outubro 11, 2018

Documentário: Soy del Pueblo - Carlos Gardel



Quando se visita a Argentina e se conhece um pouco sobre a história dos argentinos, logo se percebe como elas tem sempre um toque dramático. Muitos de seus personagens históricos, ao menos para mim, passam uma imagem que coteja com frequência com o trágico. De certa forma, essa também é a fascinante história de Carlos Gardel, o rei to Tango!

Cada vez mais eu me fascino com a história do nosso país vizinho. Isso começou a ficar mais intenso depois que fui pra lá em 2015. Tive contato com monumentos e referências sobre figuras nacionais que estão presentes em cada canto da capital Buenos Aires, desde José de San Martin, o libertador, passando por Evita Perón, até chegar naquele que é um dos patrimônios mais ricos do país, cujo nome de registro era Charles Romuald Gardés, mas ficou mundialmente conhecido Carlos Gardel.

O documentário do canal Encuentro que compartilho com vocês, conta a história desse lendário cantante platense, que gravou mais de 900 músicas - entre as quais as obras primas Mi Buenos Aires querido, Por una cabeza, Volver e El día que me quieras -, fez 11 filmes pela Paramount e virou patrimônio argentino e uruguaio.

Assista ao documentário completo
(duas partes, em espanhol, mas possui legenda automática)




Se estiver recebendo pelo e-mail, acesse aqui.

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quarta-feira, outubro 10, 2018

Cantigas medievais - Vós que soedes em corte morar




Esta cantiga foi feita no tempo do rei Dom Afonso, a seus privados. Trata-se de um diálogo muito crítico sobre os conselheiros reais.

Vós que soedes em corte morar,
desses privados queria saber
se lhes há privança muit'a durar:
ca os nom vejo dar nem despender,
ante os vejo tomar e pedir;
e o que lhes nom quer dar ou servir
nom pode rem com el-rei adubar.
  
Destes privados nom sei novelar
senom que lhes vejo mui gram poder
e grandes rendas e casas ganhar;
e vejo as gentes muito emprobecer
e com probeza, da terra sair;
e há el-rei sabor de os ouvir,
mais eu nom sei que lhe vam conselhar.
  
Sodes de cort'e nom sabedes rem;
ca mester faz a tod'homem que dé,
pois à corte por livrar algo vem;
ca, se dar nom quer, por end'escass'é;
pense de dar, nom se trabalhe d'al;
e se nom der, nom pod'adubar al,
ca os privados querem que lhes dem.

Sobre a cantiga:

Diálogo muito crítico sobre os conselheiros reais, travado entre dois interlocutores que, ao contrário do que é norma nas tenções, não são nunca nomeados. Até por este motivo, a cantiga levanta alguns problemas de autoria, não completamente elucidados.

De facto, a composição surge duas vezes nos apógrafos italianos: uma primeira vez, na secção das cantigas de amigo de ambos os cancioneiros (B e V), aí sendo atribuída a Martim Moxa; uma segunda vez, só em V (na secção das cantigas de escárnio), aí sendo atribuída a Lourenço (e acompanhada da rubrica que transcrevemos). 

Procurando solucionar este problema, e uma vez que a composição é claramente um diálogo, Carolina Michaelis sugeriu que se trataria de uma tenção entre Martim Moxa e Lourenço, opinião que foi sendo seguida por todos os editores posteriores (o rei citado na rubrica podendo ser, neste caso Afonso III ou mesmo Afonso X). 

Mais recentemente Resende de Oliveira, baseado em razões com algum peso (entre as quais se pode destacar o facto de a composição vir, na segunda transcrição de V, imediatamente antes da obra do conde D. Pedro de Barcelos, e haver, neste passo do cancioneiro, alguma flutuação nas rubricas atributivas), sugere que ela deveria, de facto, incluir-se na obra do Conde. 

A crítica aos privados reais é, na verdade, um tema não só retomado por D. Pedro e pelos trovadores e jograis do seu círculo, como é um tema que, nos Cancioneiros, parece ser exclusivo desta época mais tardia da poesia trovadoresca. Tavani, no entanto, discorda desta opinião e crê que a atribuição a Martim Moxa, indicada pelos Cancioneiros, deverá continuar a prevalecer. A notória preferência deste trovador pelos temas morais, muito coincidente com o tom que encontramos nesta composição parece, de facto, um ponto a favor desta opinião. 

Já o facto de ser eventualmente Lourenço o interlocutor de Martim Moxa parece pouco consentâneo com o perfil da restante obra que nos chegou deste jogral. Assim sendo, tendo em conta a longevidade atribuída a Martim Moxa por uma cantiga do nosso corpus e também a alusão a este trovador que encontramos numa cantiga de João de Gaia (trovador do círculo de D. Pedro), uma hipótese intermédia a considerar seria a de considerarmos exatamente D. Pedro o interlocutor de Martim Moxa (neste caso, sendo o rei citado na rubrica D. Afonso IV). O problema permanece, no entanto, em aberto. 

Com todas estas reservas e incertezas, incluímo-la, pois, na obra de Martim Moxa, mas dando o estatuto de "anónimo" ao seu interlocutor. 


Acrescente-se ainda que, para além de não ser igualmente seguida outra das regras da tenção (o mesmo número de estrofes a cada interlocutor), também não é claro quem inicia o diálogo e quem responde. Note-se finalmente que a cantiga apresenta algumas variantes nas três versões (que indicamos nas notas).


Pauta da recriação moderna


Manuscrito da canção e sobre ela



Fonte: Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 888, V 472=1036


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terça-feira, outubro 09, 2018

Um lugar especial... | por Conceição A. Pereira | Terças Poéticas


Como é gostoso...
saber que ainda existe um lugar 
onde se pode ser feliz sem preocupações...
viver por um instante
momentos que poderiam se perpetuar para sempre...

Sentir de perto a natureza...
olhar para o alto e ver o sol iluminar o rosto, 
observar a água e ver este mesmo sol refletido 
em gesto simples de doação.

Como é gostoso...
observar com emoção um pássaro despreocupado 
deslizando no azul do céu, 
passando-nos uma lição importante de paz.

Ter a certeza que existem animais lindos, 
e mais ainda: vê-los caminhar sobre vegetações, 
simples como a esperança, 
belos como as pétalas de uma flor 
e importantes como o amor.

Como é gostoso...
saber que entre tantas maravilhas, 
existe ao meu lado uma pessoa muito importante:
Você...




Conceição Aparecida Pereira é professora de Língua Portuguesa e Literatura, formada em Letras pela UNIJUÍ, mestre em Educação e Cultura pela UDESC, membro da ALBSC - Seccional Barra Velha, poeta, cronista, contista, mas antes de tudo uma recolhedora das suas próprias histórias de vida, arte e amor.

Este poema compõe o livro Depois daquela noite...

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segunda-feira, outubro 08, 2018

Cantigas medievais no projeto Littera!


 

As vezes fico procurando coisas "pitorescas" na internet, coisas que não se vêem todo dia. Daí, tempos atrás recebi um informativo a respeito de um projeto interessantíssimo chamado Littera, que tem por objetivo maior a edição, atualização e preservação do patrimônio literário medieval português, sobretudo cantigas medievais. Vale muito a pena conhecer!

Tais cantigas trovadorescas galego-portuguesas são um dos patrimônios mais ricos da Idade Média peninsular. Elas tratam de assuntos os mais variados, desde o amor até escárnio, desde a religião até as relações conjugais, o que afinal não deixa de ter uma íntima relação no período.

Elas são produzidas durante um período de cerca de 150 anos, que vai, genericamente, de finais do século XII a meados do século XIV, situando-se, historicamente, nas alvores das nacionalidades ibéricas, sendo, em grande parte contemporâneas da chamada Reconquista cristã, que nelas deixa, aliás, numerosas marcas. 

Em relação à língua, o Galego-Português era a língua falada na faixa ocidental da Península Ibérica até meados do XIV. Derivado do Latim, surgiu progressivamente como uma língua distinta anteriormente ao século IX, no noroeste peninsular. Neste sentido, poderemos dizer que, mais do que designar uma língua, a expressão Galego-Português designa concretamente uma fase dessa evolução, cujo posterior desenvolvimento irá conduzir à diferenciação entre o Galego e o Português atuais. 

Mais informações sobre as cantigas, as línguas peninsulares e as pesquisas em geral sobre o assunto podem ser encontradas no site.

Littera é um projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e sediado no Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Em seu site, que conta com uma coleção gigantesca, é possível ler letras, partituras e ouvir diversas faixas gravadas por músicos modernos. 

Mas para não ficarmos só na apresentação, seguem algumas cantigas com letra e áudio escolhidas por mim:
Em breve mais cantigas!


* postado originalmente em 29/dez/2013.

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sexta-feira, outubro 05, 2018

VÍDEO: Intolerância [José A Fernandes]




Viver em sociedade é sempre um desafio, nós sofremos com intolerância e impingimos intolerância aos outros o tempo todo. Entender o outro e suas diferenças nos impedem de viver melhor, pois muitos não estão preparados pra aceitar que as pessoas NÃO SÃO IGUAIS. 

Alguns se tornam melhores ao longo da vida, outros simplesmente se prendem à ideias e conceitos e nunca mudam.


Caso esteja recebendo esse post por e-mail, clique aqui para assistir.



📖 Livros sobre Tolerância ::

Tratado Sobre a Tolerância, de Voltaire amzn.to/2vww5Gr

Carta Sobre a Tolerância, de John Locke amzn.to/2vxqJe5

Pedagogia da Tolerância, de Paulo Freire amzn.to/2KLdbAs

Virtudes para um Outro Mundo Possível: Convivência, Respeito e Tolerância, de Leonardo Boff amzn.to/2OWxSMN


* Postado originalmente em 17/mar/2018.

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