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Sérgio Buarque de Holanda

Amy Winehouse

Micro-Bios # 6

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Conversa com Carlo Ginzburg!

quinta-feira, setembro 17, 2020

LANÇAMENTO! A Educação Democrática e as Contribuições dos Projetos Escolares, Jussara Prates



Acaba de ser lançado pela Dialética o livro A Educação Democrática e as Contribuições dos Projetos Escolares, de Jussara Prates. 

O livro tem o objetivo de contribuir com o debate acerca da gestão democrática, assunto que está continuamente em pauta nas instituições educacionais.

As mudanças na sociedade exigem constantes inovações e adaptações nas práticas educativas. Os estudantes precisam exercitar múltiplas perspectivas e pontos de vistas interessantes sobre assuntos importantes que afetam as suas vidas. Às vezes, esses assuntos podem ser controversos e divergentes. 

Porém, aperfeiçoar a sociedade requer acolher as controvérsias, em busca do bem comum e do consenso, para que os cidadãos consigam se engajar em um diálogo democrático e trabalhar juntos rumo à compressão e promulgação das decisões políticas o mais sensatas e democráticas possível.

Este livro foi idealizado, a partir da análise de dados, de estudos, pesquisas realizadas sobre gestão democrática e sobre as possibilidades de ensino através do desenvolvimento de projetos pedagógicos. Objetiva contribuir com o debate acerca da gestão democrática, assunto que está continuamente em pauta nas instituições educacionais. Direcionando ao desenvolvimento de projetos pedagógicos como uma alternativa de aproximação entre o desejo de uma educação/gestão democráticas com as ações conjuntas de professores, alunos, gestores, comunidade escolar e transformação social. 

Espera-se que os leitores possam encontrar nas suas páginas inspiração para desenvolver suas atividades de forma transformadora..

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quarta-feira, setembro 16, 2020

O que você precisa saber para entrar na Pós-Graduação pública! | José A. Fernandes




Você pensa em fazer pós-graduação em instituição pública no Brasil? Quer entrar no mestrado ou doutorado, mas tem dúvidas ou não sabe o que fazer? Sabe de alguém que pretende fazer? Com algumas dicas e orientações gerais, espero que essa postagem ajude! 

Eu tenho alguns amigos que sempre dizem, "eu vou fazer mestrado José, o que eu faço?", "não sei por onde começar", ou "preciso saber o que devo fazer pra entrar num mestrado público"... Bom, as respostas que sempre dou e que seguem nessa postagem talvez não sejam de todo novidade, ainda mais se você fez universidade pública ou algum tipo de iniciação científica. Também não devem ser tão novas para quem fez bacharelado. Ainda, para quem já fez mestrado em uma instituição do tipo... Mas, espero que ajude especialmente nos demais casos: de quem estudou em instituições particulares; de quem nunca fez iniciação científica; ou mesmo de quem fez licenciatura. 

Enfim, seguem algumas dicas e passos que quem quer fazer mestrado/doutorado precisa saber para entrar na pós-graduação em universidades e demais instituições de pesquisa públicas. Ah, antes que eu esqueça, quando se fala em mestrado e doutorado, falamos em pós-graduação Stricto sensu, ok!? Pós do tipo que chamamos de "especialização" é Lato sensu. Nos dedicamos aqui ao primeiro caso. Deixemos a especialização para uma outra postagem.

Projeto. Primeiramente, ninguém vai a lugar nenhum quando se trata de pesquisa sem um projeto. Na pós-graduação ele é tão fundamental quanto ter que planejar as contas de casa todo mês, por exemplo, ou ainda bolar um roteiro de viagem. Quando você pensar em entrar no mestrado/doutorado vai precisar de um projeto. E é aí que você vai ter que estar atento ao ponto seguinte, orientador. Mas, ainda em relação ao projeto, você tem que entender que isso depende da região que se queira fazer, das limitas de pesquisa dos programas que mudam de acordo com o estado da Federação ou ainda com os limites impostos pelo acesso às fontes. Inclusive limites financeiros do pretendente, que deve ter em mente que não poderá estudar história da Grécia, por exemplo, sem ter dinheiro para ir para a Europa. Não adianta querer estudar história medieval numa universidade da Amazônia, se não tiver como conseguir as fontes para isso - mesmo com toda facilidade que a internet oferece, ainda há a necessidade de se deslocar em muitos casos.

Orientador. Ninguém faz pós-graduação sem orientador. Isso é uma regra geral em todos os programas de pesquisa. Daí as formas de conseguir um variam, mas geralmente pode-se participar de eventos científicos e tentar descobrir professores/pesquisadores que tenham afinidade com o que você pretende estudar e que estejam credenciados no programa que você quer ingressar. Em alguns casos, felizmente ou infelizmente, será preciso se "sujeitar" aos temas que ele oferecer ou sugerir. Identificado o "alvo", cabe ao pretendente tentar uma aproximação, mandar e-mail, pedir alguma opinião e, claro, sugerir que ele te de orientações prévias (inclusive na elaboração do projeto de pesquisa) e que se comprometa, se passar na seleção de mestrado/doutorado, ele te oriente. 

Em alguns programas o orientador só é conhecido depois de algumas fases terem sido passadas (ex.: prova escrita, de línguas, etc.). Em outros - como o que eu fiz na USP -, o orientador é a parte mais importante do processo e precisa estar definido e de acordo mesmo antes das outras fases. Aqui ele precisa estar ciente que você está fazendo a seleção e o seu ingresso depende dele aceitar a orientação.

Prova escrita. Além dos pontos anteriores, evidentemente, se espera que o aluno tenha conhecimento geral da bibliografia da área ou linha de pesquisa em que queira entrar. Por isso, quase sempre, é feita uma prova para aferir os conhecimentos do pretendente, sobre métodos e fontes; como ele lida com a escrita dos temas próximos à linha pretendida e quais os argumentos ele usa. 

Nesse caso, há sempre uma bibliografia sugerida, com base na qual deverá o pretendente dissertar.

Prova de línguas. Além da prova escrita de conhecimentos, o aluno se submeterá à uma prova de língua estrangeira. Trata-se nesse caso de uma segunda língua, que geralmente é o inglês ou o espanhol, mas que pode também ser o francês, o alemão ou qualquer outra que tenha a ver com o programa pretendido - em alguns programas de Letras, por exemplo, a prova pode ser em latim. 

Interessante dizer que se o aluno tiver mestrado, quando fez prova em uma segunda língua, para a seleção do doutorado deverá fazer em uma terceira. Ou seja, se fez em inglês no mestrado, poderá optar pelo espanhol ou outra qualquer na seleção do doutorado.

Outra coisa é que a forma da prova de línguas geralmente varia. O conhecimento não tem que ser relacionado com a fluência, mas sim com a proficiência, ou seja, como o futuro aluno será capaz de ler na segunda língua escolhida. Por isso, as provas geralmente são com um texto em língua estrangeira a ser traduzido ou interpretado. Essa prova objetiva mostrar que o aluno será capaz de ler fontes nessa língua.


Currículo. Outro ponto fundamental para quem quer entrar na pós-graduação é o currículo. Ter produção na sua área é fundamental para que o futuro orientador e os avaliadores saibam qual a sua afinidade e o quão você está habituado/preparado para fazer o que se propõe. Dá um indício de que você levará sua pesquisa até o fim. No Brasil, como muitos de vocês devem saber, isso acontece por meio da Plataforma Lattes, do CNPq, onde constam eventos participados, apresentações de trabalhos, publicações em geral e por aí vai. Quanto melhor o currículo, melhor a classificação no processo seletivo - mas, claro, depende também da soma com os demais fatores.

Enfim, tendo orientador, aprovado na prova escrita e na de línguas, com o currículo em dia, só precisa ver a colocação entre os candidatos participantes. Se estiver dentro do limite de vagas, pronto, você fará pós-graduação em uma instituição pública. 

Claro que depois de passar haverão outras preocupações: tais como o incentivo à ciência e à pesquisa no país; se vai ter bolsa ou não; se seu orientador vai corresponder às expectativas e por aí vai... Mas aí já são "outros quinhentos"! Aliás, por falar nisso, se quiser um desabafo de um pós-graduando no Brasil, clique aqui e leia nosso texto.

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Assista ao nosso vídeo sobre Guerra Fria!
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* Originalmente postado em 23/jan/2020

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terça-feira, setembro 15, 2020

Micro-Bios # 6 - Amy Winehouse | José A. Fernandes




Dona de uma voz incrível, Amy Winehouse deixou uma marca inegável na música do século XXI. Aqui apresento pra vocês uma biografia sincera, com seus altos e baixos, do início ao fim!


Assista:
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Amy, minha filha
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segunda-feira, setembro 14, 2020

DOCUMENTÁRIO: "Os Caipiras", Antonio Candido



Se tinha um intelectual que entendia do assunto, esse era Antonio Candido. Nesse vídeo exibido pela TV Cultura ele fala do campo, dos costumes, dos aspectos da língua e demais elementos culturais que constituem o caipira!


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Caso queira ler o principal livro escrito por Antonio Candido sobre os caipiras, recomendo o livro Os Parceiros do Rio Bonito, que aliás foi sua tese de doutorado de 1954.

Ao pesquisar o cururu, dança cantada típica do estado de São Paulo, Antonio Candido percebeu que suas diferentes versões correspondiam a tempos sociais distintos, além de observar os problemas normalmente enfrentados na vida rural. 

Entre 1947 e 1954, trabalhou por curtos períodos em diferentes municípios paulistas, chegando a morar em um agrupamento rural em Bofete, chamado Rio Bonito. Interessado nas transformações que fatores como o latifúndio e a crescente urbanização provocavam na sociabilidade e na cultura caipiras, Candido estendeu o estudo da teoria literária e do folclore para a sociologia, concentrando-se nos parceiros rurais, que representam um aspecto menos estabilizado e íntegro na vida social e econômica do homem do campo, mas ainda se prendem à cultura tradicional, a fim de através deles analisar a ação exercida pelas novas condições de vida.

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Conheça também nossa série de contos sobre o Zé Butina, o caipira paulista!



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sábado, setembro 12, 2020

Conversa com SIDNEY CHALHOUB - Tráfico ilegal de africanos e a formação do Estado no Brasil - Salvador Escravista




Em conversa transmitida em 11 de setembro, Cândido Domingues recebeu o professor Sidney Chalhoub para falar sobre O tráfico ilegal de africanos escravizados e a formação do Estado no Brasil. Nessa postagem você pode assisti-la na íntegra!

Salvador Escravista é um projeto colaborativo que busca mapear referências ao passado escravista de Salvador em seus monumentos e espaços públicos. 

Visite o site deles em: www.salvadorescravista.com


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quinta-feira, setembro 10, 2020

Mocambos, quilombos e quilombolas | José A. Fernandes




Um vídeo curto pra falar sobre mocambos e quilombos, as formas que eles assumiram ao longo da história, as fugas, as lutas e a resistência de escravos, assim como também sobre as comunidades remanescentes atuais!


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quarta-feira, setembro 09, 2020

LANÇAMENTO! Trajetórias Acadêmicas de Historiadoras e Historiadores




Acaba de ser lançado o livro Trajetórias Acadêmicas de Historiadoras e Historiadores, compilado por Luciana R. F. Klanovicz.

Este livro apresenta entrevistas com historiadoras e historiadores de renome nacional sobre suas trajetórias acadêmicas. Essas entrevistas foram realizadas por estudantes do Programa de Educação Tutorial (PET-História) da Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), em Guarapuava, Paraná. 

Ao mesmo tempo, é mais do que um livro de entrevistas. Falamos de experiências compartilhadas pelos encontros que fazemos em nossas vidas. Nesses encontros, o contato entre gerações é, sem dúvida, seu maior tesouro. Há corações inseguros e pulsantes que vibraram com a antecipação desse momento e se aliviaram com o término do mesmo. Uma mistura de sentidos, como quem entra em outra esfera de pensamento, o outro, aquele a quem se admira, e que fatalmente mudará a si mesma/o no processo.

São parte desse livro Eudes Fernando Leite, Joana Maria Pedro, Ana Paula Vosne Martins, Robson Laverdi, Tânia Regina de Luca, Yonissa Marmitt Wadi, Felipe Fernandes, Dominichi Miranda de Sá, Adriana Setemy, André Felipe Cândido da Silva, Bibiana Werle, Diego Machado, Eunice Nodari, Geyso Germinari, Josiane Roza de Oliveira, Juliano Martins Doberstein, Marcos Bretas, Maria De Fátima da Cunha, Maria Martha de Luna Freire, Silvia Maria Fávero Arend, Wagner da Silva Teixeira.


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Você conhece a história da erva-mate? Assista esse vídeo!

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ABPHE promove "Conversas Virtuais Regionais", com Jocimar Lomba Albanez!




No dia 15 de setembro ocorrerá a palestra do Prof. Jocimar Lomba Albanez (UEMS) no ciclo Conversas virtuais regionais, promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica (ABPHE).

Tema: A "passagem da boiada" e o ciclo madeireiro no Cone Sul de Mato Grosso do Sul (1970-1990)

Com mediação de Fabio Farias de Moraes, ela será realizada na próxima terça-feira, dia 15, às 19 h (horário de Brasília), no canal da ABPHE no YouTube (link abaixo)


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Dica de música...
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Vozes d'África, de Castro Alves





Em plena escravidão e num momento de intensificação do movimento abolicionista, temos esse poema de Castro Alves, autor de clássicos como Navio Negreiro, Os Escravos e Espumas Flutuantes. 

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...

Qual Prometeu tu me amarraste um dia
Do deserto na rubra penedia
— Infinito: galé! ...
Por abutre — me deste o sol candente,
E a terra de Suez — foi a corrente
Que me ligaste ao pé...

O cavalo estafado do Beduíno
Sob a vergasta tomba ressupino
E morre no areal.
Minha garupa sangra, a dor poreja,
Quando o chicote do simoun dardeja
O teu braço eternal.

Minhas irmãs são belas, são ditosas...
Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas
Dos haréns do Sultão.
Ou no dorso dos brancos elefantes
Embala-se coberta de brilhantes
Nas plagas do Hindustão.

Por tenda tem os cimos do Himalaia...
Ganges amoroso beija a praia
Coberta de corais ...
A brisa de Misora o céu inflama;
E ela dorme nos templos do Deus Brama,
— Pagodes colossais...

A Europa é sempre Europa, a gloriosa! ...
A mulher deslumbrante e caprichosa,
Rainha e cortesã.
Artista — corta o mármor de Carrara;
Poetisa — tange os hinos de Ferrara,
No glorioso afã! ...

Sempre a láurea lhe cabe no litígio...
Ora uma c'roa, ora o barrete frígio
Enflora-lhe a cerviz.
Universo após ela — doudo amante
Segue cativo o passo delirante
Da grande meretriz.

....................................

Mas eu, Senhor!... Eu triste abandonada
Em meio das areias esgarrada,
Perdida marcho em vão!
Se choro... bebe o pranto a areia ardente;
talvez... p'ra que meu pranto, ó Deus clemente!
Não descubras no chão...

E nem tenho uma sombra de floresta...
Para cobrir-me nem um templo resta
No solo abrasador...
Quando subo às Pirâmides do Egito
Embalde aos quatro céus chorando grito:
"Abriga-me, Senhor!..."

Como o profeta em cinza a fronte envolve,
Velo a cabeça no areal que volve
O siroco feroz...
Quando eu passo no Saara amortalhada...
Ai! dizem: "Lá vai África embuçada
No seu branco albornoz. . . "

Nem vêem que o deserto é meu sudário,
Que o silêncio campeia solitário
Por sobre o peito meu.
Lá no solo onde o cardo apenas medra
Boceja a Esfinge colossal de pedra
Fitando o morno céu.

De Tebas nas colunas derrocadas
As cegonhas espiam debruçadas
O horizonte sem fim ...
Onde branqueia a caravana errante,
E o camelo monótono, arquejante
Que desce de Efraim

.......................................

Não basta inda de dor, ó Deus terrível?!
É, pois, teu peito eterno, inexaurível
De vingança e rancor?...
E que é que fiz, Senhor? que torvo crime
Eu cometi jamais que assim me oprime
Teu gládio vingador?!

........................................

Foi depois do dilúvio... um viadante,
Negro, sombrio, pálido, arquejante,
Descia do Arará...
E eu disse ao peregrino fulminado:
"Cam! ... serás meu esposo bem-amado...
— Serei tua Eloá. . . "

Desde este dia o vento da desgraça
Por meus cabelos ululando passa
O anátema cruel.
As tribos erram do areal nas vagas,
E o nômade faminto corta as plagas
No rápido corcel.

Vi a ciência desertar do Egito...
Vi meu povo seguir — Judeu maldito —
Trilho de perdição.
Depois vi minha prole desgraçada
Pelas garras d'Europa — arrebatada —
Amestrado falcão! ...

Cristo! embalde morreste sobre um monte
Teu sangue não lavou de minha fronte
A mancha original.
Ainda hoje são, por fado adverso,
Meus filhos — alimária do universo,
Eu — pasto universal...

Hoje em meu sangue a América se nutre
Condor que transformara-se em abutre,
Ave da escravidão,
Ela juntou-se às mais... irmã traidora
Qual de José os vis irmãos outrora
Venderam seu irmão.

Basta, Senhor! De teu potente braço
Role através dos astros e do espaço
Perdão p'ra os crimes meus!
Há dois mil anos eu soluço um grito...
escuta o brado meu lá no infinito,
Meu Deus! Senhor, meu Deus!!...

São Paulo, 11 de junho de 1868.

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