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1979, o ano em que Mato Grosso do Sul teve 3 governadores | Wagner Cordeiro Chagas

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O retorno ao assombroso Cemitério da Recoleta [2019]

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Rolling Thunder Revue - A Bob Dylan Story [Resenha]

Sobre o Dia D

(incluindo álbum de fotos)

Chile em fotos [Parte 02]

da neve dos Andes ao sol de Valparaíso e Viña del Mar

terça-feira, julho 23, 2019

Amy Winehouse, 8 ano depois de partir | José A. Fernandes

Florianópolis

Parece que foi ontem que parti para Floripa, em 8 de janeiro de 2011, para ver Amy ao vivo. Foi emocionante, mesmo que todas as previsões apontassem "maus tempos" e "instabilidade" de sua parte, afinal ela estava voltando depois de algum tempo sem se apresentar ao vivo. 

Em alguns momento ela acabou "dividindo atenções" com Ronaldinho Gaúcho que, pelo que contaram, estava recebendo "elogios" e moedas de gaúchos gremistas presentes no recinto, ao som de "mercenário, mercenário..." e por aí vai. É que ele acabara de fechar contrato com o Fla. Mas o gaúcho não é o assunto. Ela era... Amy Jade Winehouse

Alguns apostavam em malabarismos e trapalhadas, sem contar os mais "chiitas" que esperavam por baixarias que pudessem render assunto nos happy hours dos dias seguintes. Mas, por outro lado, havia quem esperasse ver apenas Amy, simpática (ao seu estilo), com jeito cativante e encantador... esperavam estes ver o mínimo, apenas o que fosse possível tirar do corpo magro e pequeno da namorada de Reg Traviss.

Depois alguns anos passados do show ainda posso dizer que foi uma experiência única e valeu cada centavo. E nessas horas prefiro nem dar voz às críticas que foram feitas ao show, afinal,  tem muito crítico que deveria também ser criticado, por falar tanta asneira. O mais importante foi o que vi: alguém fazendo o que podia para alegrar outros, mesmo que muitos nem mesmo a conhecessem direito.

À parte as piadas de muitos, posso dizer que esperava que ela se recuperasse e conseguisse estar ainda entre as cantoras vivas que eu pudesse ver em algum pub de Londres que algum dia vou frequentar. Sobre isso, quero contar-lhes o meu sonho definitivo, coisa minha, que é assistir um jogo dos Diabos Vermelhos (de preferência contra algum dos arqui-rivais, Arsenal, Chelsea e tal) e depois ir de Manchester para Lonres, à um pub qualquer, ouvir música e tomar algumas cervejas, ao melhor estilo Carpe Diem. Nesse sonho estava incluída AMY, ela mesma, ao vivo e de pertinho. Mas... quis o destino que uma parte desse sonho não fosse mais possível.

De qualquer forma, deixo aqui minha homenagem à Amy Winehouse... grato que estou pelos momentos agradáveis com amigos que foram embalados por suas músicas.

Se quiserem lembrar o que escrevi na época:
O impagável show de Amy Winehouse



Foto do topo: show de Florianópolis, SC, 8/1/2011. de José A. Fernandes

* Originalmente postado em 23 de julho de 2012.

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domingo, julho 21, 2019

Podemos dar uma chance à paz? | José A. Fernandes




Às vezes fico pensando se toda essa violência do mundo (física ou não) terá algum dia fim; se todo ódio se dissipará; se as pessoas um dia deixarão de se ver como desiguais. São tantas guerras, tanta desgraça, tanta discriminação...

Quando a gente tá saindo da infância (e é verdade que alguns nunca saem dela) e vai crescendo, algumas coisas começam a passar em nossas cabeças - embora em algumas cabeças na adolescência não passe nada além de confusão e revolta sem motivo. Como é "natural" do ser humano, alguns de nós começam a reconhecer o mundo, o espaço em que vivem, ainda que não faça muito sentido o mundo em que até aquele momento era apenas espaço de gente grande, dos nossos pais.

Embora muitos nem queiram se preocupar, parte de nós começa a entender que a vida é mais complicada do que parecia quando apenas brincávamos nos quintais de nossas casas ou nas creches ou escolas primárias enquanto nossos pais iam trabalhar. Parte de nós começa a "ver o mundo", talvez apenas por imagens dispersas que vão surgindo na TV, na internet ou mesmo nos livros, especialmente nos "didáticos" a que somos expostos obrigatoriamente na escola.

Começamos a ver tanta história de gente matando gente, de gente se odiando, de gente fazendo guerra, de gente querendo se distinguir e ter cada vez mais poder. E isso atrai mesmo a atenção. Por alguns momentos nos atemos às muitas cenas, às muitas batalhas, às muitas rivalidades que redundam sempre em novas guerras. Guerras inclusive entre aqueles que, metidos em religiões, deveriam pregar a paz, pregar o amor entre as pessoas, ensinar a "dar a outra face". Mas não. Ao invés disso há tanta separação, tanta intolerância. É tanto ódio, tanta vingança, tanta vontade de "dar o troco"... que nos dá a impressão de que nunca há outra saída possível. 

No mundo cruel em que vivemos, muitos parecem "bestas feras" brigando por tudo: por dinheiro, por poder, por espaço no mundo, para evitar que outros também tenham dinheiro, poder, espaço nesse mesmo mundo. Sempre existe uma desculpa para o que fazem, nunca uma solução que não envolva a guerra, "quente" ou "fria". E muitos, achando que também fazem parte, que também podem ser como os grandes, os dominadores, compram suas histórias, suas escusas, vão pras guerras, se sacrificam em nome de uma "causa", de um ideal, de um mundo que creem será melhor. O que não veem é que, muitas vezes, são apenas ferramenta, ou piões, não os "obreiros" ou os enxadristas dessas disputas todas. O que muitos não veem é que são apenas massa na mão do padeiro; são ovelhas mansas indo pro matadouro; são servos cegos de um lord que não lhes vê como iguais, como igualmente nobres, como cabeças, mas os vê apenas como desiguais, como "mãos" a serem guiadas por cérebros "mais aptos", "mais sábios", "escolhidos", por isso mesmo mais "merecedores".

Mas como eu disse antes, o mundo é muito, mas muito, mais complicado. A "guerra" não é sempre aquela declarada, aquela onde as pessoas morrem de corpo físico com a esperança de salvar a alma. As guerras também são silenciosas, são sorrateiras até, também vão matando a alma, as crenças e as culturas. Quantas culturas e crenças não morreram e continuam morrendo ao longo de todo tempo em que existe ser humano na terra, simplesmente por serem vistas como demoníacas, como pagãs, como "desumanas"? 

Ao mesmo tempo, tem aquele tipo de guerra entre os que tem e os que não tem. Tanta gente morrendo todo dia, silenciosamente, seja por epidemias (por vezes intencionalmente) não combatidas, por sede (sem que se compartilhe a água, que alguns nos dias atuais até tornaram mais um produto gourmet), e, enfim, por fome, em um mundo em que dividir o que se tem vai contra as "leis de mercado", vai contra o todo poderoso capitalismo. Aliás, quando alguém ou algum grupo defende a divisão dos que tem com os que não tem - e aqui não falo apenas de filantropia - logo são estigmatizados, taxados de "comunistas", de "esquerdistas" que querem tomar o que "os outros conquistaram com suor e sangue" (sangue nem sempre seu, diga-se). Para alguns dividir é uma tortura, é um anátema, pois faz com que os outros se tornem menos inferiores, menos distantes dos nossos pedestais, da nossa "glória inata" ou do nosso espaço conquistado. 

Para esses, dividir é perigoso, pois sempre "vai ter gente mal intencionada". Parece sempre se confirmar nessas mentes a crença generalizada de que "basta dar poder a alguém pra essa pessoa se deixar tomar por ele e querer mandar nos outros". Isso é natural dos humanos, eles são egoístas mesmo, então pra que mudar?! Desse ponto de vista dividir não funciona nunca. Por isso, temos, dizem eles, que defender bem o que é nosso, o nosso país, a nossa propriedade, o nosso espaço. 

Daí voltarmos sempre às guerras, ao ódio do outro "naturalmente" perigoso, que biologicamente carrega as características do mal, que já nasceu perigoso, inferior, que nasceu com a religião errada, que nasceu do lado errado da força. Por isso, por sermos "bem nascidos", superiores, temos a divina "missão" de combatê-los; temos que derrubar seus monumentos, eliminar os seus deuses, não deixar pedra sobre pedra; temos que destruir seu mundo, pra fincarmos nossa bandeira e construirmos um novo mundo.

Em meio a tudo isso, pode parecer que não há nenhuma solução afinal. Pode isso nos levar ao conformismo, "o mundo é assim mesmo, fazer o que?". Embora seja forte isso, na minha cabeça sempre vai surgir algum otimismo, alguma esperança... Não sei como, não sei quando, não sei quem, mas fico imaginando que algo vai acontecer de bom para o máximo de pessoas - na verdade sempre está acontecendo -. Algo vai fazer com que as coisas mudem. Quem sabe então poderemos apagar algumas palavras de nosso dicionário, ou apenas lembrar delas como peças de nosso museu de ideias, para nos lembrarmos do quão maus um dia fomos. Custa muito acreditar, mas às vezes me parece possível pensar em máximas do tipo "o amor sempre vence" ou "o bem sempre vencerá o mau" e imaginar, como numa música de John Lennon, em todas as pessoas vivendo em paz...



Bert Hellinger
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sábado, julho 20, 2019

A História da erva-mate em Mato Grosso do Sul



Desde o fim do século XIX a erva-mate foi assumindo papel importante como produto chave da economia do antigo sul de Mato Grosso, quando Tomás Laranjeira conseguiu um arrendamento de terras, criou a Companhia Mate Laranjeira e iniciou a exploração de imensos ervais nativos existentes na região onde surgiria a povoação de Ponta Porã...

A produção de erva-mate semipreparada (cancheada) seguia para Argentina, seu principal mercado consumidor, onde possuía Tomás Laranjeira possuía escritório e beneficiadora para o produto. Ele utilizava milhares de trabalhadores (majoritariamente paraguaios), mantidos em condições de trabalho subumanas. É verdade que realizou grandes investimentos e adquiriu grande poder e prestígio, chegando a ser o maior contribuinte da Fazenda Estadual no início do século XX. Por este motivo tem a presença e atividades dessa grande empresa realçada, possuindo o domínio quase exclusivo sobre a produção e exportação da erva-mate na região.


Mas, apesar de ser o primeiro concessionário legal, ele não era o único, no entanto, é certo que, graças a suas estreitas relações com o poder público, conseguia afastar os concorrentes, uma vez que não possuíam os outros produtores a ‘lei ao seu lado’. Mesmo assim, nesse extremo sul de Mato Grosso, após a Guerra do Paraguai (1864-1870), configurou-se um complexo universo econômico, envolvendo muitos outros atores, incluindo atividades agropecuárias e comerciais, além da extração ervateira. Inúmeros migrantes e imigrantes vieram para a região. E, apesar dos conflitos que sua presença provocou com a Companhia, muitos deles se dedicaram aos trabalhos ervateiros, não sendo desprezível o papel dos produtores independentes.

No século XX, o domínio da Companhia foi diminuindo, especialmente a partir da década de 1930, com as novas políticas desenvolvidas em Mato Grosso pelo governo do presidente Getúlio Vargas e os conflitos relacionados à renovação ou não das concessões de terras à Companhia. Foi quando surgiu o projeto da “Marcha para Oeste”, em 1938, no início do Estado Novo, com as idéias de nacionalização das fronteiras sul-mato-grossenses, especialmente com o Paraguai, adotando o Governo Federal medidas afim de enfraquecer a Companhia. Dentre elas recusou-se a renovar seu contrato de arrendamento, impôs taxas sobre a erva-mate cancheada e apoiou os produtores ervateiros independentes da empresa, com a criação do Instituto Nacional do Mate e de cooperativas de produtores.

Enfim, em 1943, o governo federal criou a Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND) em plena área antes arrendada a Companhia Mate Laranjeira, onde surgiram as cidades da região de Dourados. O Governo afrontava diretamente a empresa e as velhas oligarquias regionais a ela ligadas. A CAND era um projeto de desenvolvimento do capitalismo no campo, para ocupar os espaços geográficos que acreditavam ser semipovoados, com terras férteis em abundância. Uma vez criada a CAND, começaram a distribuição lotes gratuitos a milhares de colonos, sobretudo nordestinos, além de mineiros, paulistas e tantos outros brasileiros, com recursos mais acessíveis e significativos amparos aos colonos no começo, com casa e ajudas da administração. No entanto, na década de 1950 o número de colonos aumentou de forma descontrolada, a situação saiu muito do controle, o que impediu um melhor atendimento das necessidades de todos.


Com a CAND, as pessoas antes vinculadas à economia ervateira e a Companhia Mate Laranjeira se viram tendo que buscar trabalho nos empreendimentos de colonização. Alguns fixaram residência nas terras da CAND, em Dourados, Campo Grande, Ponta Porã, indo morar em colônias particulares ou mesmo se tornaram empregados de colonos que passaram a produzir erva-mate. O mais importante é notar que essas pessoas tinham conhecimento adquirido da vivência no mundo ervateiro e ficaram disponíveis como mão de obra.

Finalmente, no ano de 1965, a Argentina com o aumento da produção interna e sua auto-suficiência no abastecimento de erva-mate, suspendeu as importações do Brasil, especialmente de Mato Grosso, o que para muitos autores teria sido o fim das atividades ervateiras no estado, tendo em vista que seu consumo interno era ínfimo. De importadora a Argentina passaria a exportar erva-mate, como acontece ainda hoje, competindo inclusive com os estados produtores do Brasil em mercados internacionais.

Sabemos que a atividade de produção ervateira teria persistido na região entre os colonos, ainda durante alguns anos, depois de 1965, e mesmo até os dias atuais em condições diferentes. Sobre isso temos exemplos, como relatos de ex-colonos e parentes destes, e ainda outras fontes. Em nossos dias temos visto muitas fábricas de erva-mate em Dourados e região, que compram matéria prima de outras regiões e da Argentina, que empacotam e vendem o produto. É assim que temos erva-mate para o tereré ou para o chimarrão, mais comum entre os descendentes sulinos.



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Publicado originalmente em gostodeler.com.br / aqui no blog em 28/fev/2011.

** Foto no topo: revista "Raído" - UFGD.

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quarta-feira, julho 17, 2019

Elvis no Coliseu ou o show que eu quase fui | Cleveland, 10 de julho de 1975




Quem me conhece sabe que sou muito fã de Elvis; sabe também que coleciono itens sobre ele. Nessa postagem quero usar a minha imaginação e falar um pouco de um show que eu "quase fui": Coliseu de Cleveland, 10 de julho de 1975.

Eu sei, você vai dizer: "como assim, você não poderia ter ido a um show dele, você nasceu em 1985, ele morreu em 1977, o show foi dois anos antes dele partir"... Sim, eu infelizmente sei disso. Mas, eu recentemente comprei um item para a minha coleção que toda vez que eu olho me transporta para aquela noite de 10 de julho. Eu comprei um ingresso, usado por um sortudo para entrar nesse show. 


O ingresso

Juntando ele a algumas coisas que consegui encontrar na internet (salve a internet!), eu me permito imaginar como se eu estivesse lá, talvez com uns vinte e poucos anos na época, vivendo a década tão mágica e fascinante que foi a de 1970. Ao fechar os olhos, posso me ver na fila, esperando e logo em seguida entrando no ginásio, palco de grandes shows, além de ser a casa da equipe de basquete do Cleveland Cavaliers. 


O Coliseu

Mas naquela noite o Coliseu era só de Elvis. É como se eu pudesse sentir a energia, gente nova e gente da velha guarda de fãs chegando aos montes. Fãs fieis e jovens curiosos pra ver o eterno Rei do Rock. Os portões abrem as 19h, mas chego bem cedo pra não ter que esperar tanto. Me vejo em meio a multidão, espero um tempo, aproveito para comprar um poster bem grande pra trazer na mala como souvenir. Entro e vou logo procurando pelo acento 15 da fila K. Não demora muito e passa um vendedor, compro uma pipoca e uma Pepsi bem grande, porque quando sentar, não vou mais sair do meu lugar.



A turnê é ótima e esse show não seria diferente. Depois de esperar ansioso, Elvis sobe ao palco vestido seu macacão branco com uma fênix preta, para o delírio da multidão e sob uma chuva de flashes das câmeras. Depois da introdução da banda com Also Sprach Zarathustra, ele começa a cantar o clássico See See Rider. Continua com I Got Woman/Amen, com o fundo rouco do poderoso baixo de J.D. Summer. Logo em seguida dá uma palavrinha com a plateia, que responde entusiasmadíssima.


 

As próximas músicas ficam entre a paixão e o clamor desesperado: Love Me, If You Love Me Let Me Know e a também clássica Love Me Tender. Segue ele depois com uma mais animada, é a vez de All Shook Up. Para não perder o embalo, faz logo um medley de Teddy Bear e Don't Be Cruel. Depois dele, pra balançar geral manda a poderosa Steamroller Blues. Para mais um pouco para conversar com a plateia, que continua animada, e canta logo em seguida a linda The Wonder Of You. A próxima da lista é Burning Love, que recebe uma versão animada e digna, apesar de alguns erros na letra (mas quem liga?!). 



É hora de dar uma nova pausa e desta vez introduzir o grupo, intercalando com versões de mais ou menos completas de Johnny B. Goode, Hail Hail Rock and Roll e T.R.O.U.B.L.E.. Em seguida, J.D. Summer e os Stamps fazem uma versão linda de Why Me Lord, com Elvis apenas acompanhando. Aliás, por falar em música gospel, Elvis emenda uma versão sublime de How Great Thou Art, que ganha um igualmente lindo bis do refrão. 



O show já se adiantava quando Elvis canta Let Me Be There, seguida de Funny How Times Slips Away. Essa última me faz imediatamente lembrar de Elvis no premiado especial Elvis On Tour, outro momento memorável do senhor Presley. Mas, voltando ao show, ele dá uma animada com Little Darlin' e segue a mesma pegada com Mystery Train/Tiger Man - essa última com a força de James Burton na guitarra, que lembra vagamente as tantas vezes que a executou, ficando registrado especialmente no eletrizante That's The Way It Is



A essa altura todo mundo naquele lugar já havia tido uma experiência maravilhosa, estamos com os olhos marejados, como se tivesse caído uma "chuva de ciscos". Não faltariam memórias. Ninguém queria ir embora, só que como tudo tem um fim, Elvis agradece à platéia, recomenda que todos "tenham cuidado ao voltar pra casa" e canta Can't Help Falling In Love. Anda pelo palco, acena, joga scarfs como de costume e sai, deixando uma multidão maravilhada... 



Voltando à vida real, eis algumas informações sobre esse show são interessantes. A primeira é que todas as fotos dessa postagem são dessa apresentação. Outra coisa é que, infelizmente, a RCA, gravadora de Elvis, não fez registro dessa noite, como fez de tantos outros shows, restando apenas uma gravação de plateia lançada em bootleg (disco pirata), com som muito ruim, alguns anos atrás. 

A capa do bootleg lançado pela PA

Uma filmagem curta do show pode ser vista no vídeo abaixo.


Outra coisa é que, também infelizmente, o Coliseu já não existe mais. Ele foi demolido em 1999, o que nos deixa sem qualquer possibilidade de ir até lá algum dia conhecer o local do show, onde não restou nem uma placa indicando que ali foi palco de grandes espetáculos, como esse nosso. Imagens da demolição podem ser vistas no vídeo abaixo.


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terça-feira, julho 16, 2019

VÍDEO: Como ir bem na Redação do ENEM




Nesse vídeo voltamos a falar sobre REDAÇÃO, especificamente para o ENEM, onde procurarei mostrar de que forma vocês podem melhorar ainda mais seu desempenho.



Se estiver recebendo esse vídeo por e-mail, clique aqui para assistir.

TEMAS ANTERIORES DA REDAÇÃO DO ENEM: 

2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
2016 - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
2015 - Violência contra a mulher, 
2014 - Publicidade Infantil, 
2013 - Lei Seca, 
2012 - O movimento imigratório para o Brasil no século XXI, 2011 - Viver em rede no século 21, 
2010 - O trabalho na construção da dignidade humana, 
2009 - O indivíduo frente à ética nacional, 
2008 - Como preservar a floresta Amazônica, 
2007 - O desafio de se conviver com as diferenças, 
2006 - O Poder de Transformação da Leitura, 
2005 - Trabalho infantil no Brasil

DICAS DE LIVROS:

- Escrever Melhor - acesse.vc/s/3943a46a

- Como Escrever para o Enem - acesse.vc/s/1101b245

- Descomplicando A Redação - acesse.vc/s/a087c773

- Redação Excelente! - acesse.vc/s/2f8ac2cf

- Redação e Edição de Textos Para Enem, Vestibulares, Concursos e Cotidiano Profissional - acesse.vc/s/c17d9157

* Originalmente postado em 10/out/2016

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domingo, julho 14, 2019

1979, o ano em que Mato Grosso do Sul teve 3 governadores | Wagner Cordeiro Chagas




Há 40 anos o estado de Mato Grosso do Sul foi implantado, depois de ter se separado do resto do então estado Mato Grosso. Naquele mesmo ano o novo estado teria 3 governadores. Quem conta um pouco dessa história para nós é o historiador Wagner Cordeiro Chagas.

A separação oficial aconteceu após sessão solene ocorrida em Campo Grande, que contou com a presença do então presidente da República general Ernesto Geisel, alguns ministros, representantes de outros países, da sociedade sul-mato-grossense e, claro, do primeiro governador do estado, nomeado, Harry Amorim Costa.

Mas, a esperança que certamente contagiava muitas pessoas naquele início de ano (não é possível saber se contagiava a todos os habitantes, pois a criação do estado, em 1977, não se deu por meio de uma consulta popular), possivelmente diminuiu ao final de 1979, pois logo no início de seu funcionamento, Mato Grosso do Sul viu a cadeira de governador ser ocupada por 3 dirigentes: Harry Amorim Costa, Londres Machado e Marcelo Miranda Soares.

O engenheiro civil Harry Amorim foi a solução encontrada pelo presidente Ernesto Geisel, após os líderes do partido governista, a Arena, não chegarem a um consenso sobre o nome do ex-governador de Mato Grosso uno e então senador Pedro Pedrossian para ser o primeiro chefe do Executivo. Natural do Rio Grande do Sul, Harry Amorim era chefe do DNOS (Departamento Nacional de Obras de Saneamento) e havia realizado diversos serviços no então Sul de Mato Grosso, portanto, conhecia a região.

No comando Harry Amorim implantou um modelo técnico de administração, considerado pelo autor Jardel Barcellos como algo inédito no Brasil, deixando de lado muitos líderes que estavam acostumados com o modo de fazer política que vinha do antigo Mato Grosso. A historiografia política de Mato Grosso do Sul demonstra que este foi um dos fatores que levaram a sua queda, pouco mais de 5 meses depois. 

Assim, nesse curto tempo, pouca coisa pode ser realizada, mas cabe destacar algumas. Na área de infraestrutura, por exemplo, a primeira obra de saneamento da SANESUL, em Rio Negro; o início do asfaltamento da rodovia entre Campo Grande e Sidrolândia; a conclusão da pavimentação da rodovia MS 376, no trecho Dourados-Fátima do Sul-Vicentina. Na área da Segurança Pública houve a criação da Polícia Militar Rodoviária Estadual e na Educação a reforma de diversas escolas, bem como o início da elaboração do Estatuto do Magistério Público.

No entanto, o desejo do então senador Pedro Pedrossian de se tornar governador continuava vivo, e, poucos meses após a posse do novo presidente da República, general João Figueiredo, o último da ditadura militar, Pedro Pedrossian se articulou juntamente com o presidente e com os senadores Antônio Mendes Canale e Rachid Saldanha Derzi para depor o governador. Mais uma vez, o nome de Pedrossian não seria unanimidade e coube a ele indicar um de seus afilhados políticos, o então prefeito de Campo Grande, Marcelo Miranda Soares.

Harry Amorim Costa caiu no dia 12 de junho de 1979, e, como o estado não tinha a figura do vice-governador, coube ao presidente da Assembleia Legislativa deputado estadual Londres Machado (Arena) governar o estado interinamente até a posse de Marcelo Miranda.

Londres Machado, natural de Rio Brilhante, mas com base política em Fátima do Sul, desde 1966, exerceu a função de governador de 13 a 29 de junho daquele ano, e deixou uma marca ao assinar o Decreto 174 que criou o Plano Salarial do Magistério de Mato Grosso do Sul.

Com seu nome aprovado pelo Senado Federal para exercer o cargo de governador, Marcelo Miranda Soares, natural de Minas Gerais, mas residente no então Sul de Mato Grosso desde 1966, foi empossado no dia 30 de junho de 1979.


Marcelo Miranda Soares

Seu governo retomou o modelo considerado tradicional de administração, onde se buscou acomodar em cargos líderes políticos e não técnicos como fizera Harry Amorim. Logo de início o novo governador teve que enfrentar um teste político, já que parlamentares da oposição, filiados ao PMDB, protocolaram um pedido de impeachment na Assembleia Legislativa, tendo como justificativa o fato de estar administrando por Decreto, sem consultar o Legislativo. 

Encerrado o ano de 1979, a população sul-mato-grossense havia experimentado 3 governadores em apenas 1 ano de implantação. Contudo, a surpresa maior estava reservada para o final de 1980. Após romper politicamente com o senador Pedro Pedrossian, Marcelo Miranda seria demitido e, finalmente, o senador assumiria o tão desejado cargo de governador. Foi dessa forma, entre disputas pelo poder, que nosso estado começou a caminhar com as próprias pernas

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Wagner Cordeiro Chagas é Mestre em História pela FCH-UFGD onde também se graduou. Além disso, tem Pós-graduação (Especialização) em Formação de Profissionais da Educação pela FAED/UFGD (2009-2010) e é Bacharel em História pela FCH/UFGD (2011). Possui pesquisas na área de História Política de Mato Grosso do Sul. Autor de diversos artigos publicados em mídia impressa e eletrônica. É colaborador do site Fatimanews e Fátimainforma (Fátima do Sul-MS), jornal Diário MS (Dourados-MS) e Correio do Estado (Campo Grande-MS). Coordenador-geral do Informativo Momento Histórico. Publicou em outubro de 2013 seu primeiro livro, intitulado: Política, História e alguns desabafos. Atualmente é tutor à distância nos cursos de Licenciatura em Computação e Pedagogia da EaD/FACED-UFGD.

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