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Raul Seixas | Micro-bios # 8

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José A. Fernandes

sexta-feira, março 05, 2021

Filme: "Stalingrado" (2013) [resenha]



Quando se vê um filme que tenha um título como esse, de uma batalha fundamental da Segunda Guerra, o que se espera é que ela conte de forma "verídica". Mas, não é bem esse o caso.

O drama de guerra lançado em 2013, sucesso de público, a mais rendosa bilheteria russa até o momento, usa a famosa batalha de Stalingrado, de novembro de 1942, mais como pano de fundo do que estivesse preocupada em uma reconstrução histórica, se bem que conte com todos os acompanhamentos que ela teria trazido da realidade, como: armas, fardas, cenários e mortes (embora não se veja corpos em parte, só inteiros)

Há que se dizer que este é um excelente filme de ação, com direito a estreia do cinema russo no formato IMax 3D, com qualidade superior das imagens, com muitos combates, tiros, demonstrações de força e etc.. 

Claro que os russos são vistos como heróis que enfrentam a ameaça de invasão alemã bravamente até o final. Se bem que também os alemães não apareçam tão caricaturados como se costuma ver por aí.

O enredo principal trata de seis soldados que recebem a incumbência de defender um prédio que ficava na entrada, de Stalingrado, no caminho das tropas que quisessem tomar a cidade. Ali eles encontram uma moça, única sobrevivente entre os morados daquela construção, que acaba lhes afetando diretamente e que compõe um dos lados da história; história que tem ainda uma outra moradora de Stalingrado que recebia (à princípio de forma indesejada) um oficial alemão em seu abrigo. De qualquer forma os personagens aparecem como lembranças contadas por um bombeiro enquanto socorre um grupo de alemães soterrados em um terremoto.

O idioma original do filme é russo, afinal, ele foi feito por russos, mas a versão de áudio que assisti é dublada em inglês. Nesse caso o engraçado é que o único áudio que permaneceu original é o alemão falado pelos nazistas que ocupam parte da cidade, sendo que as demais falas estão todas em inglês. Isso cria um embaraço, como em um diálogo em inglês por parte dos soldados nazistas, com direito a guia de conversação em mãos, para descobrir se uma moradora (russa) da cidade é judia.

Algumas outras coisas me chamaram a atenção no filme, nem sempre positivamente. É o caso dos soldados russos flamejantes que aparecem no desembarque que abre as memórias do bombeiro sobre a experiência de sua mãe na época da Guerra. Fiquei me imaginando pegando fogo, com olhar heroico, procurando o primeiro inimigo que eu visse pela frente para dividir minhas chamas mortais. Há controvérsias.

Uma outra situação que achei meio no sense no filme foram os combates matrix travados por alguns dos soldados russos no centro da localidade, com direito à tela lenta, golpes de facas, desvios milagrosos e coronhadas superpotentes.

Agora falando especificamente da história "real" em si, sabemos que os personagens do filme não travaram a "batalha final", como o título pretende, embora no contexto da Segunda Guerra o enfrentamento em Stalingrado, com tudo que vem depois do tempo-espaço congelado dessa reconstrução ficcional, tenha representado o limite da expansão nazista. Nessa mesma batalha, de forma ampla, morreram mais de 2 milhões de pessoas, entre militares e civis, e terminou em fevereiro de 1943.

Em resumo, o filme é bom, com muitos efeitos, com uma fotografia de excelente qualidade, tendo os limites apontados acima quanto ao conteúdo histórico ou sua ligação com ele. O fato inegável no fim é que haverá quem veja uma mensagem comunista na melancólica poeira vermelha dos prédios em destruição!

Assista ao trailer


stalingrado livro
Segunda Guerra Mundial - Stalingrado 
A Resistência Heroica Que Destruiu o Sonho de Hitler
Rupert Matthews
Clique aqui!

* Originalmente postado em 12/abr/2015.

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SÉRIE: Os Últimos Czares [resenha] | José A. Fernandes




A Netflix lançou em julho desse ano Os Últimos Czares, uma mini-série muito boa mas que, ao mesmo tempo, merece algumas palavras a respeito.

A produção é ótima, a fotografia é muito interessante, o elenco faz um trabalho que vale destacar. Tudo isso para contar a história de Nicolau II, o último czar russo da dinastia Romanov, desde sua coroação em 1894 até sua execução em 1918. 

A série meio ficção meio "verdade" segue uma ordem cronológica, tem um ar de documentário, intercalando uma encenação sobre a investigação a respeito da possível filha sobrevivente de Nicolau, Anastácia, com a "reconstituição" dos fatos sobre o Imperador, sua família, a revolução que aconteceu no país, a interferência de personagens históricos, sobretudo o misterioso e controverso Rasputin, até, finalmente, a execução da família real. 



A verdadeira família real

Para que a mesma ganhasse vida, contou-se a direção de Adrian McDowall (vencedor do BAFTA de Melhor Curta-Metragem por Who's My Favourite Girl?) e Gareth Tunley (também indicado ao mesmo prêmio por The Ghoul, em 2016). No elenco de atores, Ben Cartwright (de Sherlock Holmes) atua como Rasputin; Duncan Pow (de Black Mirror) como Yakov Yurovsky; Oliver Dimsdale (o Príncipe de Gales no episódio de Natal de Downtown Abbey) como Pierre. Entre os protagonistas, Susanna Herbert interpreta a imperatriz Alexandra e Robert Jack (de Gary Tank Commander) assume a pele de Nicolau II.

Para completar, seguindo modelos de produção que vêm tendo sucesso, são acrescentados depoimentos de historiadores, entre os quais especialmente de Simon Sebag Montefiore — autor do livro Os Romanovs — e Douglas Smith — que lançou há pouco tempo uma biografia de Rasputin —. Essa participação de historiadores  na minha opinião, claro , não torna a série massante, mas, pelo contrário, enriquece a produção e a torna mais viva.



Alexandra e Nicolau

Sei que você deve já estar perguntando: mas, afinal, o seriado é bom ou não é? E ele agrada a quem? 


Em resposta a essas duas perguntas, evidentemente que poderíamos fazer uma discussão filosófica, artística e estética — desnecessária aqui (rs) — sobre o que seria um "bom seriado" e mesmo sobre o que significa ser "bom" ou "ruim". Mas, como não queremos isso, podemos dizer apenas o seguinte: o seriado agrada a muitos olhares, desde de quem gosta muito de História até às pessoas que só querem ver cenários incríveis, glamour, gente rica, fina e elegante; agrada também a quem gosta de drama; ao mesmo tempo, a quem quer ver um pouco da realidade do restante da Rússia, dos excluídos, dos camponeses pobres e miseráveis. Se você é apenas um curioso descompromissado, vale a pena parar para ver os 6 episódios que focam nos últimos Romanov no poder — dá até pra maratonar, com direito a pipoca e leite quente (se ainda estiver frio na sua cidade, claro).


Bom, se era isso que você queria saber, a postagem já acabou (rs). Mas, contudo, entretanto, porém... se quer ir um pouco mais a fundo, continue lendo os parágrafos que seguem, que quero falar sobre alguns pontos que acho que são importantes.



Rasputin e Alexandra

Se você é como eu que gosta de ver os erros e defeitos das coisas, porque não se contenta com tudo perfeitinho, bonitinho, "em seus devidos lugares", o seriado tem que ser visto com cuidado. Existem incorreções e existem mesmo inverdades no seriado. Existem, enfim, pontos sensíveis, que precisam ser pensados com calma. Não vou falar de todos, mas apenas de alguns.


Entre as imperfeições mais gerais e as incorreções da série, poderíamos citar a sua "americanização", onde as falas no original são quase todas em inglês, além de os personagens demonstrarem sentimentos e formas de expressão que não são típicos dos habitantes da Eurásia em geral. Essas coisas podem parecer inofensivas para muita gente, mas não são. 


Em primeiro lugar, isso pode confundir, pode criar uma sensação de que o mundo é todo igual, de que os russos (e as centenas de povos das diferentes regiões do Império Russo) naquela época não tinham singularidades, não tinham cultura própria, não tinham tradições próprias, "eram todos como nós". Além disso, pode passar uma mensagem e criar uma representação das pessoas, identidades, comportamentos, coisas e eventos, nem sempre transparentes e/ou mesmo distorcidos. Podemos pensar conosco que os nossos "óculos" ocidentais nos permitem de fato entendê-los de uma forma que, na verdade, não condiz com o que "realmente são". Nesse ponto um erro duplo poderia ser cometido, o de olhar com os olhos de hoje (anacronismo) e o de olhar com os olhos do Ocidente. Nesse último caso, sabemos que as monarquias eram "multinacionais", que os reis da Europa tinham parentesco e que casavam com membros das famílias reais de outros países (Alexandra era alemã, por exemplo), mas isso não pode nos levar a crer que eram todos iguais. Pra entender essas últimas diferenças pode ajudar pensando o seguinte: nem meus pais e nem meus irmão são iguais a mim, quanto menos meus parentes a medida ficam em graus mais distantes.



A família real pouco antes de ser fuzilada

Agora, uma outra coisa muito importante a se perceber em Os últimos Czares é que ele é muito romanceado, as falas dos personagens principais são muitas vezes suavizadas, mesmo em momentos tensos e decisivos, o que pode desviar a atenção e distorcer alguns fatos históricos. Embora mostre os massacres promovidos voluntária ou involuntariamente por Nicolau II, com o passar dos episódios, a tendência é suavizar a sua imagem, deixando a impressão de que, no fundo, ele não teve culpa de nada, porque era influenciado ora por conselheiros da aristocracia russa, ora pelo religioso siberiano Rasputin, ora por sua mulher. Até parece em alguns momentos que o czar não tinha voz pra nada, era um completo "pau mandado". 


Embora essas impressões possam ser verdade até certo ponto, não podemos inocentar o czar — e mesmo a cúpula da família real , afinal, pelas mortes dos camponeses que foram em peso à sua coração, esperando ganhar "presentes", ou ainda dos muitos manifestantes que foram massacrados no Domingo Sangrento de 1905. Isso sem falar nos erros constantes cometidos por ele, que levaram à morte de milhões de soldados  quase sempre mal preparados, mal equipados e maltratados  desde a guerra com o Japão (1905) até os trágicos anos em que a Rússia permaneceu na Primeira Guerra Mundial (1914-1917). 



Nicolau II

Assim, independentemente do "lado" político que se assuma e das críticas que se possa fazer aos rumos e ao grau de radicalismo que as manifestações e movimentos de contestação tomaram, culminando na revolução e no controle posterior dos bolcheviques, quem tem um pouco de consciência histórica deve concordar que as ações de Nicolau e de sua corte, ignorando os apelos do povo, camponeses sobretudo, preferindo reprimi-los, por vezes severamente, quando deveriam ponderar e atender minimamente suas súplicas, levou a Rússia aos eventos que se sucederam: desde a instauração da Duma, passando pela Revolução  de 1917 até chegar à vitória dos bolcheviques na Guerra Civil - o que inclui o fuzilamento da família real. 


Mas, enfim, deixemos essas questões, que envolvem paixões e pontos delicados, para outra postagem ou mesmo para os comentários de vocês, porque acho que me delonguei demais.


 livro rasputin
Douglas Smith 

Assista ao trailer


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Antes de sair, assista ao nosso vídeo O que foi a Guerra Fria? Clique aqui ou na imagem abaixo!


 Guerra Fria segredos

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sexta-feira, fevereiro 26, 2021

Resenha: Documentário Johnny Cash - The Gift [O Dom] | José A. Fernandes




A YouTube Originals lançou o documentário The Gift - A Journey of Johnny Cash e eu resolvi fazer esse vídeo pra dizer o que achei!


Assista:
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Dica do Blog com desconto!

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* postado originalmente em 23/dez./2019.

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DOCUMENTÁRIO: Rolling Thunder Revue - A Bob Dylan Story [Resenha]


Saiu em junho de 2019 o documentário-filme sobre Bob Dylan, Rolling Thunder Revue. Assistimos e queremos dar algumas palavras a respeito!

Uma turnê que não deu lucros, mas que foi riquíssima em cultura. Assim que poderíamos definir os momentos experimentais vividos por Dylan e sua trupe em 1975. Um ano de crise nos EUA e no mundo, momento de protestos, de mudanças e de convulsões. Assim mesmo um ano rico em cultura, que provou que o valor das coisas não está no dinheiro, mas sim na qualidade da cultura, em seu sentido mais completo, que inclui experimentação, exotismo, exoterismo, protesto e vida vivida ao extremo - incluindo nesse caso os seus exageros ao estilo Rock'n'roll


Dylan e Baez

Mas, o documentário de Martin Scorsese não é só feito de realidade, há muito de encenação misturada. Ele é descrito como o registro da turnê em que o cantor levava o álbum Desire à cidades e lugares menores dos EUA, mas os encontros de bastidores são na verdade retirados do longa Renaldo and Clara, dirigido pelo próprio Dylan em 1978, e os depoimentos, em grande parte, são encenações. Assim, quando assistimos podemos achar, por exemplo, que a turnê de Bob Dylan envolveu o político Jimmy Carter, um encontro com Sharon Stone, e um registro por um tal de cineasta chamado Stefan Van Dorp - esse último nunca existiu. É difícil separar os relatos entre verdades e mentiras, mas esta é a genialidade por trás de tudo, já que o real é, muitas vezes uma questão de percepção - como historiadores como eu e alguns colegas aprendemos na faculdade.



De qualquer forma, a multiplicidade de corpos, símbolos e sentidos é o que Rolling Thunder Revue quer passar no final. Bob Dylan e Joan Baez liderando com suas vozes únicas, Allen Ginsberg dando o suporte místico e mais um grupo multifacetado de cantores e músicos dando vida ao projeto que tinha ares circenses. Tudo isso transformado em documentário-filme. 


Dylan e Ginsberg em visita ao túmulo de Jack Kerouac (On the road)

Mas voltemos ao que é "real". Como dissemos, a turnê não deu lucros. Bob Dylan e cia, dada sua afinidade com a experimentação, preferiram lugares menores, com público mais novo, com pouco dinheiro para gastar. Para se ter uma ideia, os ingresses dos shows de Dylan nesse ano custavam em média 8 dólares, enquanto os shows de Elvis Presley, que lotavam grandes espaços, custavam em média 10 dólares. O grupo de Dylan em alguns momentos, com dinheiro reduzido, teve que se adequar à situação, inclusive com alguns músicos tendo que se "rebaixar" à condição de ajudantes. Mas, enquanto os organizadores esperavam por lucros, essa não foi a intenção "essencial" de Dylan, que mostrou estar mais preocupado em fazer arte. 


Dylan em entrevista para o documentário

Bob Dylan estava preocupado também, na ocasião, com uma causa em particular: a de Rubin Carter, o Hurricane. Ele, negro, havia sido acusado e julgado por triplo homicídio qualificado pelo ocorrido em Lafayette Grill localizado em Paterson, New Jersey, em 1966. Desde então estava preso injustamente, sob flagrante motivação de racismo. Nos anos do julgamento, foram verificados diversas inconsistências nas acusações e controvérsias por parte da acusação. Dylan assumiu a causa e passou a conclamar seus fãs a defenderem Carter, pedindo sua libertação. Como não poderia deixar de ser, em Rolling Thunder Revue, o ex-promissor boxeador tem uma participação no documentário, com imagens da época e atuais. E, claro, com a música feita para sua defesa - Hurricane - sendo apresentada pela primeira vez no fim do ano ao público, como uma volta às músicas de protesto por parte do cantor. 


Em visita a Rubin Carter na prisão

Mas, Rubin Carter e sua música são apenas uma pequena parte da turnê. A playlist executada nos shows daquele ano é riquíssima, com muitos grandes sucessos, velhos e novos, tais como IsisBlowin' in the wind, One more cup of coffee, Like a womanThe lonesome death of Hattie Carroll e Hard rain.



Enfim, antes que eu comece a multiplicar o número de spoillers, só quero deixar como comentário qualitativo, quase parafraseando o nosso Raul Seixas, que esse documentário é denso, largo, profundo... e vale muito a pena!


Assista ao trailer:

No Direction Home
2 DVDs Deluxe Edition
livro raul seixas


Assista One more cup of coffee da turnê de 1975:
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quarta-feira, fevereiro 24, 2021

Não nascemos PRONTOS | A dúvida, o erro e o ato de aprender SOBRE SI | José A. Fernandes

 


A graça da vida é aprender, conhecer, construir a si mesmo!

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Livro sobre nada
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