Identidade 85 ::

segunda-feira, julho 06, 2020

Historiadores em Perfil: Eric Hobsbawm




Ele foi sem dúvida um dos mais importantes historiadores do século XX. Dono de uma produção vasta, densa e meticulosa, dedicada ao capitalismo, às transformações culturais e sociais e à história do marxismo. 

Eric John Ernest Hobsbawm nasceu em 1917, às vésperas do fim da Primeira Guerra. Era filho de pai inglês e mãe austríaca, ambos judeus. Nasceu em Alexandria, no Egito, num tempo em que aquele país estava dominado pelos ingleses, tendo isso - somado à sua filiação paterna - garantido sua nacionalidade britânica. 

A infância passou entre a Áustria e a Alemanha, em tempos difíceis para ambos os países. O primeiro sofrendo o impacto da separação do finado Império Austro-Húngaro e o segundo país, como já sabem, por sua condição de "grande perdedor" e "único culpado" da Grande Guerra. A coisa ficaria ainda mais complicada com a morte do pai em 1929, e sua mãe apenas dois anos depois. Ele e sua irmã foram então adotados pela tia materna, Gretl, e por seu tio paterno, Sydney. Foi com eles que Eric Hobsbawm se mudou para Londres em 1933 - num momento em que o nazismo passava a dominar a Alemanha.

É no novo país que ele começará sua jornada. Em 1936 ele entrou para o King's College, Cambridge, quando também ingressou no Partido Comunista, na forma do "Clube Socialista da universidade". Naquele universo passou a se destacar, tendo se doutorado em História pela Universidade de Cambridge com sua tese sobre a "sociedade fabiana".

Durante a Segunda Guerra, Hobsbawm serviu na Royal Engineers e na Army Educational Corps.

Mas a jornada não foi tranquila. Dada sua ligação com o Partido Comunista, em 1942 a MI5 (serviço de segurança britânico) abriu um arquivo para a vida pessoal de Hobsbawm e esse monitoramento afetaria o progresso de sua carreira por muitos anos. Como exemplo disso, em 1945 ele se candidatou para a BBC (rede de TV pública) para um emprego de tempo integral para fazer transmissões educacionais para ajudar os ex-combatentes a se ajustar à vida civil depois de um longo período nas forças armadas e foi considerado "o candidato mais adequado". Acontece que a candidatura de Hobsbawm foi vetada pelo MI5, que acreditava que ele fosse "inoportunamente" aproveitar para "disseminar a propaganda comunista e recrutar pessoas para o Partido". Outro exemplo de como Eric Hobsbawm foi prejudicado por sua posição política foi que, em 1947, ele passou a lecionar no Birkbeck College, em Londres, de forma "limitada", como reader, mas só foi promovido a professor 13 anos depois, em 1970. Nessa mesma instituição ele se tornaria professor emérito em 1982. Nesse meio tempo, ele foi fellow no King's College, Cambridge, entre 1949 e 1955. Na mesma Cambridge, no entanto, ele teve sua ação lectureship (conferencista) negada por inimigos políticos.



Mas, esses obstáculos não impediram Hobsbawm de se destacar, com sua produção ou com suas ações acadêmicas. Ele ajudou a fundar a revista Past & Present em 1952 - revista que incluía outros importantes historiadores marxistas, tais como E.P. Thompson, Christopher Hill, Rodney Hilton e Dona Torr. Eric Hobsbawm foi professor visitante em Stanford nos anos 1960. Nos anos  1970, ele foi admitido como professor e em 1976 se tornou Fellow da British Academy. Ele foi eleito como Foreign Honorary Member da American Academy of Arts and Sciences em 1971 e como Fellow da Royal Society of Literature em 2006.


Formalmente, Hobsbawm se aposentou da Birkbeck em 1982, se tornando professor emérito em História - em 2002 se tornaria presidente da mesma Birkbeck. Ele seguiu ainda como professor visitante na The New School for Social Research em Manhattan, Nova Iorque, Estados Unidos, entre 1984 e 1997. Ele foi, até sua morte, professor emérito na New School for Social Research in the Political Science Department. 



Ele falava muitas línguas (alemão, francês, espanhol e italiano, fluentemente, além de português e catalão), o que contribuiu para disseminar suas obras mundo afora, além de poder acompanhar de perto diversas traduções de seus textos. Aliás, eis o ponto importante da vida de Eric Hobsbawm: sua produção. Foram inúmeros livros e artigos, publicados e traduzidos. Seu interesse era muito amplo, tendo englobado os mais variados aspectos da história. Houve espaço para cultura, sociedade, para o Jazz, para as Pessoas Extraordinárias

Partindo de sua base, o marxismo, e sempre tendo por perto a "história econômica (dos historiadores)", ele focou nos diversos elementos que levaram à formação do Capitalismo. Fez dos estudos das duas principais revoluções do século XVIII - a francesa e a industrial - uma obsessão. Estudou os efeitos dessas revoluções na consolidação do capitalismo liberal, observou as permanências e mudanças no século XIX, inclusive o uso das tradições por parte das elites, que para ele serviram para legitimar a "Nação" e os "nacionalismos". 



Estudou os impérios e o imperialismo, analisou as Grandes Guerras - inclusive a Grande Crise situada no intervalo entre elas -; atentou para a Guerra Fria e a bipolarização mundial - inclusive para o mundo depois do fim da URSS. Seu passeio pelos séculos de desenvolvimento, afirmação e busca de alternativa ao Capitalismo lhe renderam a quadrilogia A Era das Revoluções, A Era do Capital, Era dos Impérios e Era dos Extremos.

Deu atenção também para Marx, Engels e a história do marxismo, desde o século XIX até o esfacelamento da URSS em 1991. Disso resultou, entre outras coisas, a grande História do Marxismo, composta por 12 volumes, que ele organizou. Nesse sentido, nessa obra e em outras atentou para os revolucionários, os trabalhadores, os movimentos sociais (primitivos e modernos), as revoluções.



Se manteve comunista o quanto pode, tendo com o passar do tempo se desiludido em muitos aspectos e mudando de posição em diversos sentidos. Estudou a globalização, a Nova Ordem Mundial, a democracia (liberal), o terrorismo. Viu nascer o Novo Milênio, procurou falar sobre ele de forma posicionada; manteve alguma esperança em relação ao futuro, embora muita coisa o perturbasse, especialmente as novas formas de se fazer guerra, no "Terceiro Mundo", no Oriente Médio. Nos últimos anos de sua vida seguiu ativo, tendo encontrado tempo para compor uma coleção de conferências e artigos que ganhou o título de Sobre História; e teve tempo de fazer ainda uma autobiografia, ou melhor, falar sobre os Tempos Interessantes (de sua vida). 

Em sua vida acumulou polêmicas e críticas, muitas das quais infundadas - ou fundadas em visões políticas antagônicas. Ainda assim, não se negava a expor o que pensava. Quando perguntado em uma entrevista sobre seu envolvimento com o Partido Comunista e com o comunismo, Hobsbawm respondeu que "independentemente das mudanças que o mundo passou e consequentemente as suas próprias ideias, se via ao final da vida como alguém que teria lutado pela causa dos pobres, pela liberação dos povos dominados pelo imperialismo, pela mudança global necessária para um mundo melhor". 

Como já dissemos, ele buscava ir fundo nos temas que tratava, o que torna sua leitura "difícil" para alguns, especialmente para que está começando. Diríamos, entretanto, que, depois de ler algumas de suas obras, o que se tem com Hobsbawm é um "passeio de erudição". Como também já dissemos, ele se situou entre os principais historiadores do século XX, tendo sido lido e relido em diversos idiomas, tendo influenciado as mais diversas reflexões e pesquisas; tendo sido amplamente premiado pela sua vastíssima obra.

Eric Hobsbawm morreu em Londres, em 1 de outubro de 2012, aos 95 anos de idade.



Agora, caso queira conhecer mais sobre esse autor, existe uma série de entrevistas em inglês, algumas delas com legenda, no YouTube. Há diversas considerações sobre ele em diversos sites, prós e contra - cabendo aí o cuidado com os extremismos de quem pouco leu dele e só faz denegrir. Em termos de literatura, entre outros, há o livro Eric Hobsbawm: A Life in History, de Richard Evans. Outra opção é o volume 3 de Os Historiadores, organizado por Maurício Parada. Em espanhol há o livro Eric Hobsbawm y la historia critica del siglo XX, de Marisa Gallego. Já em inglês, dentre outros, há o livro Hobsbawm: History and Politics, de Gregory Elliott. Um debate interessante, do próprio Hobsbawm com outros autores saiu em A transição do feudalismo para o capitalismo.


Os livros desse autor:

Labour's Turning Point: Extracts from Contemporary Sources (1948)


The Jazz Scene (1959) / edição em português História Social do Jazz


Labouring Men: studies in the history of labour (1964) / edição em português Os Trabalhadores: Estudos Sobre a História do Operariado 

Pre-Capitalist Economic Formations (1965) / edição em português As Origens da Revolução Industrial


Bandits (1969) / edição em português Bandidos 


Revolutionaries: Contemporary Essays (1973) / edição em português Revolucionários: Ensaios Contemporâneos

The Age of Capital: 1848–1875 (1975) / edição em português A Era do Capital

Italian Road to Socialism: An Interview by Eric Hobsbawm with Giorgio Napolitano (1977)


The Age of Empire: 1875–1914 (1987) / edição em português A Era dos Impérios

Politics for a Rational Left: Political Writing, 1977–1988 (1989) / edição em português Estratégias para uma Esquerda Racional

Echoes of the Marseillaise: Two Centuries Look Back on the French Revolution (1990) / edição em português Ecos da Marselhesa: dois séculos reveem a Revolução Francesa 

Nations and Nationalism Since 1780: Programme, Myth, Reality (1991) / edição em português Nações e Nacionalismo desde 1780 


Art and Power: Europe Under the Dictators exhibition catalogue (1995)

On History (1997) / edição em português Sobre História

1968 Magnum Throughout the World (1998)

Behind the Times: Decline and Fall of the Twentieth-Century Avant-Gardes (1998)


Karl Marx and Friedrich Engels, The Communist Manifesto: A Modern Edition (1998)


Interesting Times: A Twentieth-Century life (2002) / edição em português Tempos Interessantes (autobiografia)

Globalisation, Democracy and Terrorism (2007) / edição em português Globalização, Democracia e Terrorismo 






Co-edição ou organização

The Invention of Tradition (1983, em parceria com Terence Ranger) / edição em português A Invenção das Tradições 

The History of Marxism (1982) / edição em português História do Marxismo (12 volumes) 

Livro destaque desse autor:

 livro hobsbawm
A Era dos Extremos
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* Essa postagem é só um guia rápido desse historiador. Se você souber de alguma incorreção ou tiver algum acréscimo de conteúdo a essa postagem, mande-nos nos comentários. Muito obrigado!


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* originalmente postado em 18/mar./2020

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sexta-feira, julho 03, 2020

VÍDEO: Uma breve introdução ao Renascimento | José A. Fernandes




Como o título do vídeo diz, dessa vez quero fazer uma breve introdução sobre o que foi o Renascimento, ou os "renascimentos", europeus, nos mais diversos setores: sociais, econômicos, religiosos e culturais!


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Um livro
 jean delumeau renascimento
Jean Delumeau  
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quinta-feira, julho 02, 2020

Historiadores em Perfil: E. P. Thompson




Edward Palmer Thompson ou apenas E.P. Thompson fez escola, foi militante político, mudou de concepção e mudou também a forma de se analisar a sociedade capitalista e a forma de se fazer história. 

Ele nasceu em Oxford, em 3 de fevereiro de 1924 e morreu em Worcester, em 28 de agosto de 1993. Estudou em Cambridge e foi professor em várias universidades, dentro e fora da Grã-Bretanha. Foi, por exemplo, professor da Universidade de Warwick de 1965 a 1971 e, nos anos 1970, ensinou esporadicamente em universidades americanas. Teve ainda uma grande atuação na educação de jovens e adultos, em sistemas organizados tanto pelo Partido como pelas universidades em que ele atuou.

Sua orientação era marxista, mas passou por mudanças de pensamento, na forma como entendia o marxismo, e, como ocorreu com outros intelectuais marxistas, ele mudou a forma de entender a sociedade e a ação humana. Um dos pontos interessantes sobre a trajetória de Thompson é que ele (e outros historiadores ingleses) rompeu com a ortodoxia marxista, especialmente aquela dominada pelo "pensamento" stalinista. Nesse sentido, em seus estudos ele foi além do aspecto econômico - ou economicista -  que dominava os trabalhos e ações de político e pensadores marxistas de sua época. E. P. Thompson valorizou o papel do aspecto social e da cultura - do contexto cultural - na formação dos indivíduos e das sociedades, inclusive aquela em que viveu e militou ativamente. Ele valorizou o diálogo entre a história e as demais ciências sociais.

Thompson participou da Segunda Guerra Mundial, como muitos intelectuais da época. Sua participação se deu na Itália fascista de Benito Mussolini, onde foi sargento num regimento de tanques britânicos na Campanha da Itália (1943-1945). 

Depois dos conflitos, já no Partido Comunista Inglês, em 1946 ele integrou um grupo de estudos históricos marxistas junto com Christopher Hill, Eric Hobsbawm, Perry Anderson, Rodney Hilton, Dona Torr, dentre outros. 



Também depois da Guerra ele passou a militar por uma série de causas sociais diferentes e importantes, de forma teórica, através da publicação de livros e artigos, ou de forma prática, na ação direta em manifestações de rua e universitárias. Dentre essas estava a luta pela da paz mundial, contra as armas atômicas e contra as ações das duas potências que criticava, tanto os EUA como a URSS - mas também as ações da Grã-Bretanha. Se destacou também nas questões dos trabalhadores, em geral, e as que diziam respeito aos povos africanos, pela sua libertação do Imperialismo e sua autoafirmação. 

Uma mudança radical em sua posição política ocorreria em 1956. Depois do levante na Hungria e a repressão soviética que se seguiu e após também as denúncias de Nikita Khrushchev sobre os expurgos de Yosef Stálin, E.P.  Thompson rompeu com o Partido Comunista Inglês. Isso fazia parte do movimento mundial que ficou conhecido como New Left (ou Nova Esquerda), que envolveu no caso inglês outros historiadores marxistas, como os que citamos há pouco. Por essa mesma época, juntamente com John Saville, ele fundou o jornal dissidente Reasoner, que a partir de 1957 passou a se chamar The New Reasoner. Com esse jornal ficaria clara a sua oposição pública ao Stalinismo no Partido Comunista ― do qual era, havia muito tempo, dedicado integrante. A ação política passaria então a ser colocada acima do Partido e da ortodoxia marxista

Ele ainda atuou como pacifista anti-nuclear, especialmente nos anos 1980. Nesse último contexto, foi o líder de um movimento contra a instalação de mísseis de média distância norte-americanos em países da OTAN na Europa.



Seu trabalho mais conhecido é A formação da classe operária inglesa, lançado em 1963, em que analisa a formação da consciência de classe na Inglaterra antes, durante e como resultado da Revolução Industrial de fins do século XVIII. Nesse sentido, ele parte da classe trabalhadora em sua diversidade de origens, desde os artesãos que se tornariam proletários com a revolução; assim, analisa como esses agiam e como foram identificando cada vez mais os interesses que tinham em comum, tomando consciência de sua posição, formando associações e sindicatos... Para ele os trabalhadores não eram apenas dados de uma composição estatística, mas sim atores de uma vida/sociedade/história mais rica, além de complexa. Segundo o professor Jiani Langaro afirmou ao nosso blog, é importante destacar que 

"Para Thompson, a classe social não é uma estrutura formada pela Revolução Industrial. Mas ela estaria mais para um grupo social ou uma formação social, que é um termo que o grupo dele costumava utilizar, resultado da ação dos próprios trabalhadores, a consciência de classe que é produto da ação desses trabalhadores. Por isso ele busca a origem da classe trabalhadora no período pré-industrial, lá nas manufaturas, porque não seria a Revolução Industrial a criar a consciência de classe: seria esse trabalho e esse esforço de organização que vinha de antes".


 livro a formacao da classe operaria

Seu último grande livro se tornaria mais um clássico da Historiografia, Costumes em Comum, lançado em 1991. Nele Thompson deixaria transparecer todo seu interesse pela "cultura popular", analisada sob a perspectiva da "história vista de baixo". Trata-se de uma investigação do significado, da permanência e da transformação de certos costumes populares do século XVIII inglês. É uma história do trabalho, motins, radicalismo, crime, costume, lei, sedição e cultura populares, num diálogo com outras ciências, especialmente a Antropologia, o Direito e a Economia. Os objetos de estudo são os hábitos dos setores populares britânicos, como a defesa do uso comunal das terras quando da intensificação do processo de cercamentos, a venda da esposa em leilão como estratégia de divórcio, as novas noções de tempo trazidas pelo capitalismo industrial ou a cruel punição aplicada a quem desrespeitasse as regras dos vilarejos. "Esses costumes e tradições são estudados nesse livro como defesas de direitos imemoriais ou estratégias de manipulação da lei numa sociedade que se defrontava com as novas imposições do capitalismo" (nota da editora Companhia das Letras).



E.P. Thompson inspirou (e continua inspirando) muitos trabalhos e grupos de estudos no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Em nosso país, entre outros espaços dedicados à História Social e Cultural, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por exemplo, se usa fartamente os trabalhos de E. P. Thompson como ponto de partida e referência. Segundo o professor Paulo Pinheiro Machado, 

"Thompson tem muita influência no Departamento de História da UFSC (forte influência em duas linhas de pesquisa: História Global do Trabalho e História Política no Mundo Contemporâneo) e há um Laboratório no Departamento de Sociologia Política (LASTRO), que tem publicado textos traduzidos até então inéditos do Thompson".

Se quiser saber um pouco mais sobre a influência de Thompson em nosso país, você pode baixar uma comunicação de Marcelo Badaró Mattos intitulada justamente E.P. Thompson no Brasil.

Agora, caso queira conhecer mais sobre esse autor, existe, entre outros, o livro E. P. Thompson: Política e Paixão, organizado por Ricardo Gaspar Müller e Adriano Luiz Duarte. Tem o e-book E. P. Thompson: História, educação e presença, organizado pelos professores Antonio de P. Bosi, Aparecida D. de Souza e Sérgio Paulo Morais. Há um outro, de autoria de Parry Anderson, intitulado Teoria, Política e História: um Debate com E. P. Thompson. Um outro, em inglês, de Tim Rogan, coloca Thompson ao lado de outros importantes críticos do Capitalismo, cujo título é The Moral Economists: R. H. Tawney, Karl Polanyi, E. P. Thompson, and the Critique of Capitalism. Também em inglês, tem o livro Doing History from the Bottom Up, de Staughton Lynd. Em meio aos inúmeros títulos temos ainda The Crisis of Theory, de Scott Hamilton, e Puritanism & Revolution, de Christopher Hill.


Os livros desse autor:



A Miséria da Teoria / título original The Poverty of Theory

Costumes em Comum (1991)/ título original Customs in Common / edição espanhola Costumbres en Común

A Economia Moral Revisitada

A Política e a Teoria







Agenda Para Una Historia Radical

La Guerra de las Galaxias / título original Star Wars: Self Destruct Incorporated

Más Allá de la Frontera: la Política de Una Misión Fracasada: Bulgaria, 1944




Communism of William Morris

Britain and the Bomb




Human Rights and Disarmament




Defence of Britain

Infant & Emperor

New Hungarian Peace Movement

Zero Option

Beyond the Cold War

Unknown Mayhew


Mad Dogs: The U.S. Raids on Libya



Livro destaque desse autor:
 livro a formação da classe operária inglesa
A Formação da Classe Operária Inglesa
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* originalmente postado em 18/mar./2020

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VÍDEO: O que é Burguesia? | José A. Fernandes




O significado de burguesia mudou bastante ao longo do tempo, indo desde os comerciantes habitantes dos burgos até o burguês da Idade Contemporânea. Explicar o que ele é e os pontos de vista em torno dessa palavra é o que procuramos nesse vídeo!


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Lançamento!
 livro capitalismo na américa
 Alan Greenspan e Adrian Wooldridge  
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* originalmente postado em 6/mar./2020.

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sexta-feira, junho 26, 2020

THE LAST FAREWELL: O último show de Elvis Presley | Sergio Biston




Nessa postagem ficamos sabendo um pouco sobre o último show do Rei do Rock, realizado há 43 anos atrás!

Dentro da arena, o burburinho era o costumeiro. Fãs de todas as idades e localidades movimentavam-se freneticamente, esperando ansiosos 
o momento em que o lendário cantor entrasse no palco. Vendedores anunciavam os souvenirs, posteres, fotos... A atmosfera era de eletricidade e ansiedade.


A fila dos fãs antes do show

Então as luzes se apagaram. O burburinho da lugar a gritos e assobios e em instantes os primeiros acordes de 2001 – Uma Odisséia no Espaço ecoam pela arena escura. Após poucos segundos Larrie Londin explode com o riff de entrada de C.C. Rider e Elvis entra no palco do Market Square Arena, em Indianápolis, para fazer o último show de sua carreira. 

Os 18.000 pagantes que lotavam o estádio presenciariam o fim de uma carreira singular na história do mundo da música. Nunca antes um artista havia capturado o coração de tantos. Nunca antes um cantor havia revolucionado o campo musical e influenciado os costumes de uma geração da forma que Elvis o fez. E agora, essa lenda viva pisava pela última vez em um palco.



Embora o ano de 1977 tivesse sido um ano de muitos altos e baixos para Elvis, onde vários shows de baixa qualidade foram apresentados e sua saúde estivesse no ponto mais baixo, seus últimos concertos foram bastante agradáveis. Ironicamente, em Indianápolis Elvis fez talvez o melhor show desta turnê e possivelmente o melhor do ano. Presley está de bom humor, sua voz firme e bem impostada e as performances são concentradas.

Assim como sua última temporada em Vegas, o repertório é uma despedida inconsciente. Estão lá as novas canções, bem como os clássicos eternos, mesclados com pequenas preciosidades como I Cant Stop Loving You, Bridge Over Troubled Waters e Release Me. Algumas músicas destacam-se. Embora Elvis as tenha cantado centenas de outras vezes, aqui, em suas derradeiras execuções, elas se tornam um pequeno pedaço de sua biografia.

Em You Gave Me A Moutain, revela suas dores: a morte de sua mãe, a separação de sua esposa, a desintegração familiar e o lento e melancólico esfacelamento de seus sonhos e ideais. Já Hurt é quem sabe um recado a sua ex-mulher. Um recado melancólico, desesperado e em tom de amargura. O mesmo pode ser dito de I Really Don't Want To Know, originalmente lançada no soberbo Elvis Country e que aqui se transforma em um retrato amargo do que poderia estar passando por sua cabeça com relação a Priscilla. “Quantos braços haviam a segurado, quantos lábios haviam a beijado?”, “Realmente não quero saber”, complementa ao final. Embora não cante todos os versos da canção, a voz embargada e encharcada no arrependimento e na amargura faz com que finalmente Elvis ache a verdade na canção.



Mas, é em Bridge Over Troubled Waters que temos o momento mais arrepiante do show. Não porque essa seja sua melhor versão, não é o caso, mas sim porque o trocadilho de Elvis representa perfeitamente a relação de amor recíproca entre ele e seus fãs. “Quando você estiver
ferido, se sentindo pequeno, quando lágrimas estiverem em seus olhos, lhe darei uma echarpe”.

Eles se apaixonaram por ele nos idos da década de 50 e ele correspondeu pelo resto da sua vida. Também por eles Elvis estava naquele palco pela última vez, mesmo com sua saúde e aparência debilitados. Por eles, ele se esforçou para alegrá-los, mesmo quando a tristeza permeava seus pensamentos e suas canções.

Então, sempre muito antes do esperado, o dedilhado do piano veio para anunciar o final do concerto. Os inconfundíveis versos de Can't Help Falling In Love preencheram uma arena pela última vez.


A crítica de Zach Dunkin para o Indianapolis News
(clique para ampliar)

Em poucas semanas a alegria daria lugar à tristeza e à saudade. Numa tarde quente de terça-feira, Elvis despediu-se desta vida. Deixou-nos muito mais do que echarpes. Deixou sua música, carisma e bom humor. Foram 33 filmes de sucesso, 18 primeiros lugares na Billboard, uma soma inigualável de discos vendidos no mundo todo e milhares de
apresentações lotadas na America do Norte. Em cinco anos ele seria esquecido, apostavam os cínicos. Mas passados mais de quarenta anos, continua mais vivo do que nunca no imaginário popular.

Elvis talvez tenha deixado o recinto, mas sua música, voz, personalidade e imagem continuam vivas na mente de milhões de crianças, jovens e adultos.

“E aqueles tempos felizes, que um dia conhecemos,
embora tão distantes, me fazem ficar tão triste.
Dizem que o tempo cura um coração partido,
Mas o tempo ficou parado desde que nos separamos
Então vou viver minha vida, em sonhos do passado”

Market Square Arena, Indianapolis, IN, EUA
26 de Junho de 1977 


A playlist do show

01. Also sprach zarathustra
02. See see rider
03. I got a woman / Amen
04. Love me
05. Fairytale
06. You gave me a mountain
07. Jailhouse rock
08. O sole mio (sung by Sherrill Nielsen) / It´s now or never
09. Little sister
10. Teddy bear / Don´t be cruel
11. Please release me
12. I can´t stop loving you
13. Bridge over troubled water
14. Introductions
15. Early morning rain
16. What´d I say
17. Johnny B Goode
18. Introductions continued
19. I really don´t want to know
20. Introductions concluded
21. Hurt
22. Hound dog
23. Special thanks by Elvis
24. Can´t help falling in love with you
25. Closing vamp


A frase de encerramento

"We'll meet you again, God bless, adios" 


Mais algumas fotos do show


 
 
 
 


Conheça o site do Sergio Biston!



Assista também à nossa entrevista com ele!
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